Entrevista com a designer de joias Marina Schaffa

Q. So tell us, o que exatamente você faz? 

A. Sou fundadora da marca Marina Schaffa e designer de joias. Desde que me lancei nessa, já sabia o que eu queria da marca:  uma marca minimalista, mas com personalidade. Designs descomplicados e únicos, mas que tivessem um diferencial. Joias super bem acabadas – afinal, as joias ficam por gerações – para serem usadas sempre, sem dar trabalho e sem incomodar. Quando desenho, eu penso na mulher que valoriza a joia e que a usa no dia a dia, ou seja, que precisa de peças fáceis de usar, confortáveis, mas que façam a diferença, seja no detalhe, como as peças das coleções GAP Princess, ou de uma forma mais bold, como as peças da coleção Bubbles. Ah, também fui advogada de M&A(Merges & Acquisitionsou Fusões e Aquisições) e Mercado de Capitais. 

 

Q. Como você landed the job? 

A. Depois de anos como advogada e morando em NY, tive coragem de ir atrás de algo que me fizesse mais feliz – empreender e trabalhar com joias e design. 

 

Q. O que você ama sobre o seu trabalho? 

A. Amo ver as minhas ideias tomando forma e sendo transformadas em objetos únicos e de desejo, como são as joias. Ver os meus designs por aí me dá uma sensação muito gostosa de achievement. E me deixa super realizada ver as mulheres comprando as joias para elas mesmas, desmistificando aquela ideia romântica de que joia é um presente especial, que temos que esperar ganhar de alguém que amamos e que deve ser dado em datas especiais. Uma parte muito especial do meu trabalho tem sido conhecer outras marcas e outras mulheres empreendedoras com histórias incríveis! 

Q. Qual a melhor decisão que já tomou sobre a sua carreira? 

A. Seguir a minha intuição, encarar mil mudanças, enfrentar meus medos para passar meus dias fazendo o que realmente gosto. Não me acomodar numa zona de conforto – que era a minha carreira num grande escritório – e encarar começar tudo de novo para ser mais feliz. Entre essas decisões estão largar o direito e uma carreira super estável, me mudar pra NY, fazer vários cursos de joalheria e design– coisas que estavam longe do meu dia a dia profissional até então, um mundo completamente novo, mas apaixonante. Isso além de começar um negócio novo em outro pais, voltar ao Brasil depois de seis anos trazendo o negócio pra cá e, pra apimentar um pouco mais as coisas, lançar aqui no meio de uma pandemia.

 

Q. Qual a pior decisão que já tomou sobre a sua carreira? 

A. Acho que toda as decisões, por pior que tenham sido ou por mais que possam ter sido difíceis, fizeram parte do caminho que tracei até agora. Não seria o que sou sem elas. Acho que como empreendedora aprendi a abraçar os erros da mesma forma que abraço as conquistas. 

 

Q. O que você estaria fazendo se não fosse isso? 

A. Com certeza empreendendo.

Q. Como é um dia típico no escritório/home office/coffee shop 

A. Uma das coisas que mais gosto da minha rotina é que não tenho mais rotina de escritório, cada dia é único. Alguns dias são cheios de reuniões, falando com pessoas, pensando em estratégias, super dinâmicos. Outros são mais focados, quando me dedico a criação, inspiração e acabo tentando me isolar um pouco para poder criar. 

 

Q. Como você organiza seu tempo?

A. Não tenho horários muito fixos e às vezes me pego desenvolvendo designs à meia noite, ou levando meus filhos no médico as três da tarde. Tento me programar e ter uma certa agenda definida na semana anterior, mas nem sempre consigo ser fiel. Já me cobrei mais por isso, mas percebi que é melhor não ficar tão presa a um schedule,se coisas novas vão surgindo. Empreender tornou a minha rotina extremamente dinâmica.

 

Q. Qual você acha que é o seu maior super power no trabalho?  

A. Fui aprendendo que uma super qualidade que ajuda muito para empreender é ser prática. Sou de pensar muito sobre tudo, mas entendi e descobrir que, para empreender, eu preciso ser prática, planejar e agir relativamente rápido. Não basta ter boas ideias. Preciso estruturar e, acima de tudo, fazer. Quando se deixa de ser prático, as coisas podem começar a desandar, o negócio começa a perder ritmo e, , a gente vê que precisa voltar ao modo ação. Agora eu entendo por que a gente houve tanto falarem que quando se empreende, se erra muito e se aprende muito com os erros. Porque você tem que agir e, quanto mais fazemos, mais expostos aos erros estamos. E esse processo é super importante. Mesmo que depois veja que tem ajustes a serem feitos e algumas mudanças na trajetória, o mais importante é não ficar parada, não ficar só pensando.

 

Q. Qual você acha que é a sua maior fraqueza? 

A. Considerado a realidade hoje, acho que um ponto fraco é não me sentir muito a vontade para expor a mim e a minha vida pessoal. Sempre fui assim. Mesmo quando vieram as mídias sociais e foi virando uma coisa super normal, não embarquei muito nessa. Mas, quando decidi começar o meu negócio, lançar a minha marca e fazer os meus designs, foi uma mudança enorme em relação a isso. Primeiro quando decidi que a marca teria meu nome – queria dar esse peso, essa garantia. Além disso, de uma forma indireta, criar um negócio seu, acaba escancarando você, seu estilo, em que você acredita, seus posicionamentos. Mostra muito quem você é. Confesso que estou gostando mais disso. Ver que as pessoas, através da marca, vão me entendendo e me definindo como de fato eu sou. Tenho o maior cuidado em manter a identidade da marca e ser fiel a minha estética. Ver que as pessoas gostam do que eu estou criando e dividindo com elas é muito gostoso.   

Q. Como você toma decisões? 

A. Não sou muito impulsiva, acho que aprendi como advogada, a levar em considerações todos os cenários e diferentes resultados antes de tomar uma decisão. 

 

Q. O que você lê? 

A. Gosto muito de biografias de pessoas que tenham histórias incríveis e que acabam me inspirando. Também acabo caindo muito em textos e livros relacionados a arquitetura e design– uma grande inspiração para as minhas criações. 

 

Q. Qual você acha que é o segredo para chegar aonde chegou?  

A. Ouvir a minha intuição, acreditar nas minhas ideias, ser prática, mas ao mesmo tempo me dar o direito de estar fora da caixa e sonhar um pouco. Sonhar grande e dar baby steps. 

 

Q. Qual hora do dia você está mais produtiva? 

A. Noite.  

 

Q. Quais ferramentas você usa para melhorar produtividade?  

A. Antes usava mais agenda eletrônica, mas me pegava cheia de post its colados na tela do computador, no espelho do banheiro, no carro – para não esquecer as coisas mais urgentes. Aí me rendi e voltei a boa e velha agenda de papel. Anoto tudo lá. 

 

Q. Agenda de papel ou Google Calendar 

A. De papel – MH Studios pelo segundo ano (mais especial ainda esse ano, por ter como tema arquitetos) 

Q. Com qual roupa você se sente mais powerful para trabalhar?  

A. Nada me deixa mais powerful do que criar uma composição com as minhas peças, que reflita o meu mood do dia. “Me by MS” .

 

Q. Qual a maior experiência que você já teve no trabalho? 

A. A minha marca ser uma das finalistas de um concurso de design de joias em NYque teve como juradas, entre outras, a Beth Bugdaycay (diretora criativa e fundadora da FOUNDRAE) e a Marla Aaron (fundadora da marca de mesmo nome). O mais incrível foi que as duas pararam para analisar as minhas joias e ficaram um tempão, comentando sobre o design, a qualidade... foi incrível! 

 

Q. Work snacks 

A. Não sou do café (apesar de amar o cheiro e sorvete de café), então, em NY, fiquei viciada em Chai Tea Latte– no inverno a versão quente e, no verão, a versão gelada – e para acompanhar – qualquer coisa (risos) – maltesers. Não resisto! Aqui, nesse tempo de home office, adoro comer à tarde brigadeiro de panela – daqueles que forma mini bolinhas do chocolate em pó que não dissolveu. Amo, como baldes, ou melhor, panelas, se deixar. 

 

Q. Quem é você no escritório? 

A. Sou super hands on. Sou daquelas que se envolve em todas as decisões e etapas do negócio. E costumo ter muito claro o que quero, então, fico super em cima. Acho que acaba sendo assim quando sentimos que o negócio é como um filho.

 

Q. O que você procura quando está contratando alguém para o time?  

A. Alguém que entenda a marca e meu trabalho e que acredite assim como eu. Que de alguma forma seja complementar a mim, contribuindo e somando. Trabalho com algumas parcerias, pessoas super queridas. Também tento trazer pessoas que tragam um ponto de vista diferente. Por exemplo, tenho uma pessoa bem mais nova na equipe porque acredito muito que ela soma muito com uma visão nova de uma geração que vê o mundo por outra perspectiva.

 

Q. O que você mais aprendeu com sua mãe sobre business?  

A. Apesar da minha mãe ter uma carreira muito diferente – médica (obstetra e ginecologista) a vi desde o início construir uma carreira de sucesso sozinha e ser super apaixonada pelo que faz.  Ela é uma mulher que resolve problemas e faz acontecer. Características essenciais para empreender.

 

GALLERY

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PHOTOS: MARINA SCHAFFA

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