Você se permitiria um (ou dois) dias de folga?

Maternidade sex and the city 3 - Você se permitiria um (ou dois) dias de folga?

Se você é mãe, muito provavelmente vai se identificar com o cenário a seguir: férias, crianças, dias de 72 horas, com viagem ou sem viagem, sem amiguinhos, festas do pijama ou cama compartilhada com a mamãe (chame como quiser, sem julgamentos!), grude, muito grude e aquela “leve” sensação de estar sufocada… Já se sentiu assim?

Semana passada, depois de vaaaaaarios dias intensos, cobertos de amor, cansaço, calor, bagunça na rotina, bem grudadinha com minhas meninas (Chloe que vai fazer 5 e a Zoey de 17 meses), fui deitar na segunda-feira com a mais velha na minha cama KING e me peguei, mais uma vez, no limite da cama, deitada de lado, reta,  quase caindo, e ela praticamente em cima de mim. Havia pedido cinco vezes para ela que fosse um pouco mais para o lado, que tinha bastante lugar na cama, que eu precisava do meu espaço, que não estava muito confortável, que eu estava quase caindo da cama, que nos alcançamos mesmo sem estarmos grudadas, enfim, após milhões de argumentos expostos da forma mais tranquila e respeitosa possível, levantei de repente da cama e disse: “Chloe, pelo amor de D´s filha, por favor, eu preciso do meu espaço! Não consigo dormir e descansar se você continuar grudada na mamãe, quase em cima de mim! Preciso que você vá um pouco mais para o lado, temos bastante espaço, pelo amor de D´s, assim eu não consigo!”. Ela foi um pouco para o lado, deitei de novo e em menos de vinte segundos estávamos lá, grudadas novamente.

Quem me conhece sabe o quanto amo as minhas filhas (sim, já estou me justificando antes mesmo de dizer o que pretendo nesse texto, o que já demonstra a tamanha culpa que sentimos, além da necessidade de dar satisfação à pessoas que nem conhecemos), mas somando o momento de insegurança que a Chloe está; medo do escuro, de dormir sozinha (além de estar mudando de escola), e o da Zoey, com “mamite”, querendo ficar grudada, no colo, além de colocar na boca tudo o que vê na frente (atenção máxima é pouco…), precisei de um dia (na verdade dois) longe das meninas…

Tenho poucas oportunidades de deixá-las com outras pessoas para ter alguns dias, ou as vezes até uma só noite. Mesmo podendo conta com meu marido, ou rede de apoio, basicamente formada por duas funcionárias que trabalham em dias alternados. Ainda assim, o tempo que sobra é invadido pela culpa, pela famosa equação “quantidade x qualidade”, pelas dúvidas e inseguranças de que estamos sempre devendo, que poderíamos e deveríamos fazer e dar mais.

Passei o ano passado cuidando da minha saúde mental, por necessidade, por ter chegado ao meu limite e ter demorado demais para pedir ajuda. Um ano me reavaliando e me descontruindo, para buscar quem realmente sou. Entendendo que nós, como pais e como seres humanos, damos o que temos para dar, e sendo mais ou menos, terá que ser suficiente, pois é o que temos. Entendendo que: não apenas está tudo bem em nos darmos esse tempo ou essa folga, mas que momentos como esses são fundamentais para a nossa sobrevivência! Parece dramático, mas a sensação de não estarmos conseguindo dar conta de tudo, de todos os nossos papeis, como mães, profissionais, esposas, amigas, filhas, donas de casa, pode nos levar a um ponto de esgotamento que sim, esse tempo passa a ser questão de sobrevivência.

Acho legal também conversarmos sem falar apenas dos extremos, de estarmos sufocadas x sozinhas, sem filhos, de folga… Porque se este assunto fosse levado de forma mais leve – sem o peso que a “sociedade” impõe nas mães que brincam dizendo contar os segundos para chegar segunda-feira e poder levar as crianças para a escola, ou que morrem de saudades da babá que fica de folga no final de semana ou que preferimos ficar doentes no trabalho do que em casa com os filhos nos requisitando – talvez estas mães se permitiriam. Estaríamos todas mais leves, podendo ter essas pequenas janelas de folga, aquela noite em que só de não termos que estar atentas caso alguém acorde, nos faz dormir como bebês e acordar sem nem saber onde estamos.

Meu momento de folga ideal

Eu quero momentos de conversas filosóficas sobre religião, trabalho, estilo de vida, alimentação, sem hora para acabar, trocando o cafezinho por uma taça de vinho tinto. Que a gente possa recarregar as energias, nos perceber como indivíduos, descansadas, com novos assuntos além da rotina e da lista de supermercado para conversar com o marido, trabalhar de forma eficiente sem ter que parar para trocar uma fralda, limpar um bumbum ou pensar no almoço, todos os dias. Quero poder ler aquele livro que não consigo parar, ainda que já sejam duas da manhã, pois amanhã, excepcionalmente, não precisarei acordar na hora em que as meninas acordam, ou posso bindge watch aquele seriado novo que todo mundo estava falando a respeito meses atrás e eu ainda não tive tido tempo de ver.

E o mais importante, me encher de saudades de tudo aquilo que me esgota, de cada segundo agarradinha com as meninas, e me faz voltar, de forma plena, pronta para assumir todos os meus papéis na correria do dia a dia, mas com aquela luz no fim da maratona, esperando a próxima folguinha…

Você se permite tirar um folga da maternidade de vez em quando? O que você faz? 

Photo: Sex and the City Movie

P.S. Motherhood around the world: Um ano em Stanford, na Califórnia. and Os sites sobre motherhood mais inspiradores.

Daphne Z. Franco

by Daphne Z. Franco

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