Uma lição sobre ansiedade na Itália, no meio da crise do Coronavírus

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Eu e Marcos estávamos planejando uma viagem kids free há meses. A gente precisa disso de vez em quando, todo mundo precisa e sei como sou sortuda em poder ter esse tempo só pra nós dois, em outro país do mundo. Estava estranhamente calma antes de ir, não tive muito tempo de planejar a viagem por causa do trabalho e das kids, o que me ajudou a não fazer planejamentos que às vezes me deixam mais angustiada do que uma expert do destino escolhido. Mas aí veio a primeira onda de noticias sobre o Coronavírus.

Conforme as matérias iam saindo, me sentia em um dos episódios de Simpsons em que uma nuvem negra começa a se aproximar da cidade. Nossa primeira parada foi em Firenze, depois descemos para o sul da Toscana e Roma. O Coronavirus começou no Norte, perto de Milão e no Veneto. Era uma questão de tempo chegar em Firenze, e chegou no dia que a gente saiu, íamos descendo e o Corona vinha atrás,  éramos tipo comissão de frente, já que era Carnaval.

Eu alternava em momentos de tranquilidade total e picos de ansiedade. Ficar no interior, no meio da campagna, me deixava insegura na hora de dormir, parecia que eu estava vivendo em um mundo paralelo dentro de uma bolha que poderia estourar a qualquer momento. Consegui relaxar mais quando cheguei em Roma, lá tinha vida nas ruas.

Um dia no café da manhã, estava explicando para o Marcos porque eu pensava X ou Y do Coronavirus quando em algum momento ele falou “Você se preocupa, é genuíno isso. Quando consegue alinhar o raciocínio e percebe que a sua preocupação não é válida, é só um cenário a sua cabeça, você se acalma. Mas em seguida você se preocupa de novo porque se acalmou. Como se você não tivesse o direito de se acalmar e precisar estar sempre alerta”. Eu tentei defender meu ponto, dizendo que eu vivia no modo “esperando pelo melhor, mas me preparando para o pior, para não ser pega de surpresa e estar sempre alerta”. Foi aí que ele disse: “Você nunca vai estar preparada para o pior, e essas coisas muito ruins vão representar tão pouco da sua vida que não é justo (e é um pouco de burrice, no offense) você passar a vida se preocupando com algo que tem uma probabilidade muito pequena de acontecer”. Caiu uma lágrima do meu rosto o que me deixou com um pouco de vergonha, mas foi como um momento de enlightenment. Eu não tinha ideia que ele me conhecia tão bem assim ou eu achava que estava disfarçando bem.

Lesson learned. Foi um daqueles momentos que eu fixei na memória, vão ficar comigo pra sempre. A parte mais difícil vai ser colocar em prática quando me pegar nos pensamentos angustiantes que alimentam a minha ansiedade. Acho que toda mãe sofre disso em algum ponto, não sei se estou fora da curva.

Você também tem angústias e ansiedades? Como lida com isso? Deixe um comentário, let’s talk! 

PS: About Slowing Down and FREE YOUR MIND – Como a meditação me ajudou a me libertar dos pensamentos ansiosos.

Rosa Zaborowsky

by Rosa Zaborowsky

Editor & Founder of Lolla.

Comentários

  1. […] Eu luto bastante contra a minha ansiedade, sou uma pessoa calma mas tenho meus momentos de explosão e a ansiedade me deixa sempre bem preocupada e com pensamentos negativos, o cenário atual não contribui nada pra isso. Uns 10 dias atrás estava falando com as minhas amigas e debatendo se o que eu estava sentido era Coronavirus ou uma crise de ansiedade. Meus braços estavam pesados, dor de cabeça, minha garganta estava estranha e fechada. Medi minha febre, não passava de 36ºC, mas eu nunca tenho febre, pra mim não é um sintoma de nenhuma doença. Já foi o suficiente para eu achar que se tiver Corona, não vou ter febre e pode ser mais silencioso ainda. Enfim, constatei que já estava going crazy e resolvi procurar ajuda. […]

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