DF709459 FD08 4901 8690 96CA075563CE - Um café e a conta, por favor? A vida em Nova Iorque e 5 Artigos para Ler
Foto: Pinterest

Sempre digo que Nova Iorque é uma cidade hiper dura. Não é à toa que o Frank Sinatra imortalizou a seguinte estrofe: “if you can make it here, you can make it anywhere”(em tradução livre: “se você se virar aqui, se vira em qualquer lugar”). Imagina um lugar no mundo em que todo mundo que chega, já chega com esse lema na ponta da língua? Enfim, é cotovelada e dedo nos olhos de todos os lados, uma competição sem igual, tomo mundo tentando o sucesso ao mesmo tempo.

Em uma das primeiras vezes que visitei a cidade na minha vida adulta entrei em um Starbucks qualquer, quando chegou a minha vez titubeei. Sem nem olhar para trás consegui sentir os olhos da pessoa atrás de mim rolando e aquela “leve impaciência” do caixa e das outras pessoas rapidamente dominou o ar. Alguém aí já passou por algo parecido? Enfim acelera esse filme em 10 anos, a pessoa de trás da fila sou eu. Tenho que estar na minha mesa, com o jornal lido, e à par de todas as atualidades (que que a China anunciou à noite mesmo?!?) precisamente às 7 da manhã. E simplesmente não tenho o tempo de esperar nenhum turista na fila do café… O café que eu vou fica no Times Square (eita localização ruim, mas enfim, não dá para ter tudo na vida) e vira e mexe tem um turista na minha fila. Sempre fico imaginando o que os turistas estão fazendo de pé nesse horário, hahaha, muito curioso já que quase nada está aberto, mas lá estão eles e eu, todos na mesma fila.

Nova Iorque é assim: não te dá tempo para divagar. As respostas tem que estar na ponta da língua, os passos são acelerados e você está aqui tentando suceder ao redor de muitos outros humanos com o mesmo objetivo que você. É uma energia muito louca, muito carregada e muito viciante. Quando você vê o seu passo já acelerou e você já não titubeia mais ao pedir o seu café com todas as variações possíveis e imaginárias.

Enfim, tudo isso é uma verdade inquestionável até a hora que você sentar um restaurante e pedir o café e a conta. Eita sistema eficiente que o brasileiro criou: um pedido assim certeiro não deixa dúvidas. Um café e a conta significa exatamente isso: em 5 minutos um café expresso perfeito e muitas vezes com adereços (quem aí ama uma bolachinha ou chocolatinho?!) chega em perfeita sincronia com a conta. No Brasil quando você pede “um café e a conta” sabe que se estiver com pressa em menos de 10 minutos terá levantado daquela mesa cafeinado, mais pobre depois de pagar a dolorosa, e pronto para enfrentar o mundo. É um sistema simplesmente fenomenal!

Nunca entendi isso sobre Nova Iorque: uma cidade tão eficiente, com tanta pressa de viver e com tanta sede de sucesso simplesmente não entender a eficiência do “garçom, por favor, um cafézinho e a conta?”. Você diz isso e automaticamente Nova Iorque pula uma batida, pára, e fica se perguntando: como assim um café e conta?!? Eles estão loucos para que você levante da sua mesa, já tem o povo da próxima reserva bufando para você levantar, mas o café vem sempre sem a conta, e a conta invariavelmente fica perdida num vazio de tempo sem fim. E é nesse momento que me bate umas saudades imensas da minha terra natal e de todos os garçons que já me serviram um café junto com a minha conta.

 

5 ARTIGOS PARA LER NO FINAL DE SEMANA

 

1. “Why couldn’t anybody cancel Dolce & Gabbana?”, Tahirah Hairston para a NYMag: Eu já me perguntei isso inúmera vezes e acho um caso extremamente curioso. Artigo super bem escrito e que toca nessa minha dúvida quase que existencial.

2. “A vide shift is coming. Will any of us survive?”, Allison P. Avis para a NYMag: amo artigos que tratam de tendências e mudanças de estilo de vida e esse título me chamou a atenção essa semana. ()

3. “Stevie Nicks is still living her dreams”, Tavi Gevinson para a The New Yorker: Achei simplesmente o máximo esse artigo escrito por ninguém menos que a Tavi Gevinson. Para quem não se lembra dela: ela criou um blog de moda quando ainda era uma criança e o resto é história (ah, e hoje ela é a Gossip Girl versão 2.0). Enfim, eu também amo a Stevie Nicks tanto quanto ela e adorei esse artigo.

4. “We might be in a simulation. How much should that worry us?”, Farhad Manjoo para o NYTimes: só digo que eu ainda não digeri esse artigo. Eu sinceramente já me fiz essa pergunta muitas vezes e esse artigo me colocou para pensar ainda mais.

5. “The Dark Century”, David Brooks para o NYTimes: essa semana eu me peguei em uma longa conversa sobre dois cenários, Russia vs Ucrânia e China vs Taiwan. E por essa razão esse artigo pegou a minha atenção.

 

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