no trabalho aind 2 - Turning Point: Porque é Tão Difícil Aceitar que Mudar de Vida não é um Fracasso

TURNING POINT

Lolla-Ask Readers series feat. Mariana Rodrigues da Cunha Leão, mais conhecida como Mari, a Uberabense que mora em SP desde que foi fazer faculdade de administração de empresas, trabalhou 18 anos no mundo corporativo. Ao passar por alguns sustos com sua saúde, juntamente com a pandemia e o nascimento do seu segundo filho, optou por uma grande mudança. Deixou o mundo corporativo para conseguir pensar fora da caixa, quando veio a ideia de empreender. Criadora da Etui, palavra em francês para “uma caixa geralmente decorativa, para guardar pequenos objetos”, que também tem origem em um verbo antigo, que significa “tratar com cuidado”. E é essa a essência da marca, com diversas opções de bandejas, caixas organizadoras em couro, linho e acrílico. 

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A minha transformação, por Mariana Leão

Minha vida sempre foi o trabalho, e o trabalho minha vida. Por 18 anos trabalhei em multinacionais, onde construí minha carreira, sempre baseada em metas específicas para chegar ao meu target point. Era muito workaholic. 

Untitled design 5 300x300 - Turning Point: Porque é Tão Difícil Aceitar que Mudar de Vida não é um FracassoQuando engravidei do meu primeiro filho, achei que minha vida mudaria muito pouco, e que continuaria na mesma pegada. E, de fato, o trabalho continuava me preenchendo e valorizando, com promoções, planos de carreira, coaching e remuneração. 

No entanto, com o nascimento do Luís Felipe comecei a ter algumas revoluções internas, de não conseguir dar o meu melhor na empresa, em casa….culpa. Untitled design 4 300x300 - Turning Point: Porque é Tão Difícil Aceitar que Mudar de Vida não é um Fracasso

E fiquei 4 anos neste esquema, me desdobrando em mil, trabalhando até altas horas viajando sem parar durante a semana e final de semana. E com vivia me chicoteando, minha culpa só aumentava, por não estar ao lado do meu filho em situações muito importantes.  

Engravidei do meu segundo filho, Luís Otávio, e minha revolução interna aumentou. O ritmo do trabalho continuava igual, até que com 5 meses de gestação estava em uma reunião com meu time, na empresa, tive um piripaque, uma mega crise de taquicardia, achei que ia morrer naquele momento, sai de ambulância da empresa, o maior caos, fui parar no Einstein. Ali pirei geral, medo de morrer, de perder o bebe, de faltar… E mesmo com tudo isso, no trabalho ainda tentava bancar a durona, fingindo que estava tudo bem, para não mostrar fragilidade de estar grávida, e ainda poder ser julgada por “não aguentar a pressão”. E depois desta crise, tive outra. Neste momento, comecei a ter certeza que não queria mais aquele ritmo, mas ainda vivia uma dualidade forte, relutava internamente e a sensação primária era de fracasso, de que não dei conta de tudo e fracassei. Ainda que racionalmente, depois deste susto, não queria que meus filhos tivessem uma mãe doente ou ausente. E as conversas em casa começaram a evoluir, e a pergunta continuava- o que eu faria com tudo aquilo que estava acontecendo, qual decisão tomar? 

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Aí veio a pandemia. Já estava de licença maternidade quando começou o homeschooling. Depois de um curso de Kabbalah que fiz e longas conversas com meu marido, tomamos a decisão de dar uma pausa, pensar fora da caixa, e decidir outros caminhos. E não foi nada fácil comunicar isso. Aliás, foi a decisão mais difícil que tomei. Como seria minha vida sem o que havia construído com tanto suor? Onde eu estava profissionalmente, não tem meio termo. Quando se está no jogo, em uma posição de liderança, em um ambiente altamente competitivo.

 

Durante a quarentena, tive tempo, pela primeira vez, de “brincar de casinha”, de organizar e curtir minhas coisas. E aí comecei a fuçar e encontrar oportunidades. Não achava muitas coisas acessíveis, personalizáveis, modernas e com charme. Então falei com minhas amigas, que me apoiaram desde o começo, e nasceu a Etui. Uma marca com diversas opções de bandejas, caixas organizadoras e outros objetos que acomodam memórias sem deixar de lado a bossa decorativa. Materiais de primeira qualidade, como couro natural, acrílico e linho. Convidei a Paula Leonardo, uma super amiga, que é arquiteta, para me ajudar com sua curadoria e design das peças, e eu complementando com meu olhar business 360º. A Etui tem um conceito “made to last”. Sustentáveis, as peças são feitas sob demanda, o que reforça o consumo consciente. 

 

E continuo com minha eterna transformação, desafios diários que o empreendedorismo e a maternidade proporcionam, vivenciando os diários descontroles emocionais, de ter a certeza de estar fazendo tudo errado em um momento, e, após um abraço dos filhos, sentir que está no caminho certo.

 

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