Turning Point - Turning Point: A Coragem de Jogar Tudo para o Alto e Viver mais Feliz

TURNING POINT

Lolla Ask-Readers feat. Erika e Babi Romboli. Duas lolla readers contam sobre carreira aos 20, as expectativas x a realidade, os desafios superados e como encontraram um novo caminho e propósito de vida depois de alguns turning points.  A Erika tem 33 anos, cresceu em Curitiba e atualmente mora em São Paulo. Ama conhecer pessoas de outros países, não consegue ficar sem fazer exercícios físicos e adora fazer um plano. A Babi tem 36 anos, é mãe do Tom e do Pipo, empreendeu e mudou várias vezes o rumo da sua carreira.  

LEIA A HISTÓRIA DA ERIKA

Por Erika Tomihama

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Sabe quando você vive a vida no “go with the flow”? Eu fiz isso sem perceber nos meus 20 anos.

Eu trabalhava em finanças corporativas na General Electric (GE) e cresci muito rápido na empresa. Era um trabalho ultra-dinâmico e exigente. A cada 4 meses estava em uma cidade/país novo e fui de trainee a executiva em 5 anos. Fui a primeira mulher a conseguir isso no Brasil. Eu achava que a vida ia bem, aprendia muito todos os dias com pessoas incríveis e viajava para vários lugares interessantes.

Então aconteceu algo que eu não esperava. Eu estava morando em Nova York quando recebi a ligação do meu pai dizendo que a minha avó havia morrido subitamente. Eu fiquei em choque, mas estava tão imersa no meu trabalho que até me perguntei se deveria voltar ou não para o velório dela em Curitiba, pois tinha uma grande reunião no dia seguinte. No fim das contas eu voltei e fiquei 4 dias no Brasil.

Durante esse tempo comecei a questionar a vida que levava. Fiquei me perguntando qual era o sentido de trabalhar 80 horas por semana, viver de hotel em hotel, ficar longe de pessoas queridas, almoçar e jantar na frente do computador, e não ter tempo para mim mesma. Eu tinha 27 anos e cheguei a conclusão de que eu não estava vivendo, estava crescendo rápido na carreira e me contentando com uma vida pessoal limitada. Eu estava confusa, sabia que queria mudar mas não sabia o que fazer. Tive um burnout e ainda não sabia. Decidi pedir demissão, mas em troca o RH, que percebeu que havia algo de errado comigo, me deu alguns meses de pausa para repensar o que eu queria.

Nessa pausa, decidi que queria fazer um MBA. Me preparei e enfrentei um processo bastante competitivo e cansativo. Eu via que esse caminho seria útil para aprender coisas novas e refletir sobre o que fazer com a minha vida e carreira. E foi assim que aconteceu! Passei em duas escolas, escolhi fazer na Kellogg School of Management e sai da GE. Durante o MBA descobri que amava marketing e e-commerce (uma baita mudança pra quem veio de finanças em uma empresa de infraestrutura).

Quando terminei o MBA, fui trabalhar na Amazon e participei do planejamento e lançamento de mais de 20 categorias de produtos da Amazon no Brasil. Em seguida liderei um time de Marketing e daí percebi que tinha vontade de empreender. Hoje em dia  estou criando com a minha sócia uma marca D2C (direct to consumer) de produtos de clean wellness, ainda não lançada.

Esse período cheio de transições foi super difícil para mim. Eu tive burnout, depressão, crises de ansiedade, engordei 10kg e levei um pé do meu namorado na época. Mas agradeço tudo isso, pois hoje vejo que sem todas essas coisas “ruins” que estavam acontecendo comigo eu não teria facilmente largado a minha vida de glamour corporativo e um ótimo salário, mesmo sofrendo sem ter consciência disso.

Hoje sou muito mais feliz porque sei que vivo minha vida em linha com quem eu sou e com meu propósito, ao contrário de antes, que vivia a vida querendo impressionar os outros e seguindo o “caminho óbvio de sucesso”. Emagreci os 10kg (até mais que isso!), conheci meu special someone (meu namorado atual) e aprendi a controlar minha ansiedade com meditação e terapia, sempre lembrando que a vida é feita de altos e baixos, e que vou superar todos eles sendo fiel a quem sou.

 

***

 

LEIA A HISTÓRIA DA BABI

Por Babi Romboli

image 3 rotated - Turning Point: A Coragem de Jogar Tudo para o Alto e Viver mais Feliz

Me formei em Administração e comecei a trabalhar mais sério, logo no 1º semestre da faculdade, num banco alemão, da Mercedes Benz. Um mundo bem corporativo e careta, onde consegui ter uma boa performance e ser efetivada para área de grandes contas do banco… porém um escritório de banco alemão em 2003 era tudo de boring e cinza que poderia existir. Logo percebi que a vida no escritório não era para mim e meu gatilho foi quando me dei conta que um executivo da empresa estava tentando me seduzir (infelizmente isso acontece). Tive medo e nojo e joguei tudo pro alto pela 1ª vez oficialmente.

Tentei fazer um semestre da faculdade fora, mas não abriram vagas naquele momento, então tive a ideia de começar a fazer joias e semijoias para vender para as amigas… Empreendi! Minha mãe tinha um ourives antigo que as vezes fazia algumas coisas, comecei a trabalhar com pedras e me envolvi, me apaixonei. Foi uma grande aventura! Com 21 anos tinha um showroom na Vila Nova em São Paulo e minha marca vendendo na antiga Pelu, na Triya, Clube Chocolate ….e finalmente na tão sonhada Daslu!

Foi uma loucura! Uma empolgação e muito trabalho pioneiro, nem existiam e-commerces praticamente nessa época (nem iPhone, nem BlackBerry, nem Facebook, nem Instagram rs.) e eu estava eu desenvolvendo o meu negócio, com newsletters e colaboradores que escreviam textos sobre assuntos interessantes… foi um desafio enorme e um aprendizado singular!

Foi então que aconteceu o inesperado. Tive um problema de saúde que me tirou do eixo: descobri um mioma bem grande, que talvez me obrigasse a tirar o útero com 21 anos… Fiz um tratamento, entrei na menopausa por consequência desse tratamento e acabei pulando o lançamento de novas coleções que fazia para cada um desses clientes da época. Fiz a cirurgia, deu tudo certo, mas perdi o timming do mercado.

Fui então trabalhar na Daslu, na gerência de bijoux. Depois de um tempo vivendo um pouco numa crise interna entre os must haves de cada estação, a vontade doentia de gastar todo dinheiro que ganhava, a guerra de egos, o mundo de aparências e o quanto eu estava cada dia mais longe da minha vontade inicial de, de alguma forma, “ajudar a salvar o planeta”, eu novamente  joguei tudo pro alto.

Vendi carro, bolsa , sapato, joia …. e fui morar em Londres. Fui fazer cursos profissionalizantes de Planejamento Estratégico dentro do Varejo na Saint Martin School. Basicamente aprendi a fazer compras e planejamento de produção de uma forma mais corporativa, e menos caseira. Vivi intensamente, viajei pra todos os lugares que eu queria, e quando acabou o curso e o dinheiro também, veio a crise de 2008… Voltei pro Brasil e por sorte (e uns bons contatos rs) fui trabalhar como freela no showroom da Cris Barros.

Em seguida virei gerente de Planejamento no Carlos Miele, outra grande escola. Participei de reuniões de cúpula, tinha equipe, tinha todas as ferramentas e foi realmente incrível. Até que um belo dia eu e meu namorado de anos rompemos. Estava arrasada e não consegui esconder no trabalho. Foi aí que o Carlos (Miele) olhou pra mim e disse “Aff, você está péssima, não foi essa pessoa que eu contratei… pode pegar suas coisas e ir embora”.

Sim, dois pé na bunda na mesma semana ! 

E vamos lá para teste de resiliência número xxx. Me reinventei e montei um projeto: uma consultoria de planejamento para pequenas marcas, com o business plan de tudo que eu aprendi e o que faria diferente se fosse começar uma marca novamente… e fluiu. Me senti finalmente ajudando as pessoas, contribuindo para o tal “ajudar a salvar o planeta”. As marcas pequenas sempre começam de sonhos, de muita boa vontade, mas a grande maioria perdida em relação à estrutura de negócios, fazer contas certas e produzir o suficiente, nem pouco nem muito, precificar direito, etc… E eu amava fazer isso. Tive uma sócia e atendi muitos projetos, de Oma Tees e Epiphanie a Flávia Rocco, TopShop, Laces, Magrella. Foram 8 anos de dedicação.

Nesse período casei (com o mesmo dito-cujo do pé na bunda do parágrafo acima rs) e tivemos 2 filhos. A maternidade me mudou…. Meu desejo de ajudar o planeta, as pessoas, o futuro da nação, ficou ainda mais latente….tentei criar projetos dentro do mundo da moda, sustentabilidade, menos desperdício, menos tudo… Mas a verdade é que o mundo da moda não fazia mais tanto sentido pra mim!

Joguei tudo pra cima de novo, e cá estou eu no meio da pandemia, e pela 1ª vez nos últimos 20 anos sem trabalho “real” e “apenas” estudando e sendo mãe. Digo trabalho “real”, por que infelizmente ainda “ser mãe” só é trabalho de verdade para quem é mãe e sabe como dá trabalho…

Na maioria dos dias me sinto mais cansada do que na época da minha vida que trabalhei 15 horas por dia, mas apesar disso, encontrei o caminho que estava buscando. Comecei um curso chamado “Conflito e Sintoma” no Instituto Sedes. São 2 anos de preparação para uma formação em psicanálise de mais 5 anos que pretendo começar no ano que vem. Junto com isso, estou começando também outra pós graduação em “Neurociências e Comportamento”.

Não é fácil jogar tudo pro alto, não é fácil mudar de carreira, não é fácil voltar a ser estudante com 36 anos… não é fácil imaginar que tenho ainda 6 anos pela frente para começar a trabalhar de fato na minha nova carreira…. mas estou realmente fascinada com tudo que tenho aprendido, acredito que nenhum outro momento da minha vida eu poderia ter tomado essa decisão de mudança, não teria feito tanto sentido quanto agora.

Acredito que o que nos move é o que nos realiza. O trabalho enobrece, ocupa a mente, nos desafia e é um excelente estimulador, mas de nada tem sentido se não estiver no flow de quem você é, do que você quer ser, dos seus princípios e ideais de vida.

Óbvio que o tal “salvar o planeta “ que eu sempre falei , é uma metáfora pra esse “Flow” que eu passei a acreditar. Não é fácil mudar esse mindset da humanidade, mas me parece que tem muita gente trabalhando nessa corrente e eu quero fazer parte dessa mudança.

 

  1. Parabéns Ba, sou sua fã!! Estarei sempre na torcida por você! 🥰❤️👏🏻👏🏻👏🏻

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