Thoughts: Highschool never ends?

Marina Camargo

O hype do Y2K me fez revisitar a minha adolescência e refletir sobre amizades

A coluna de hoje tem trilha sonora e, não por acaso, é uma música que eu amava na adolescência. Dá o play e embarca comigo nessa trip down memory lane. 

Que os anos 2000 estão no hype não é novidade para ninguém... mas quem diria que algo tão mainstream poderia levar a reflexões mais profundas? Muito além das calças de cintura baixíssima, babylooks duvidosas e ugg boots os anos 2000 marcaram a minha adolescência e o início de amizades que carrego comigo até hoje.

Esses dias estava conversando com uma amiga dessa época e chegamos à conclusão de que se repetíssemos 1/3 das coisas que falávamos ou fazíamos nos nossos 15 anos hoje seríamos canceladíssimas. Don’t get me wrong, não éramos mean girls nem nada do tipo, apenas os tempos mudaram – que bom! – e algumas coisas não cabem mais no contexto atual.  Aqui se encaixa esta máxima: “não podemos olhar para o passado com a lente do presente”.

E que coisa curiosa é o tempo. Da mesma maneira que as minhas lembranças dos anos 2000 são frescas como se fosse ontem parece que aconteceram em outra vida. Acredito que a minha geração – 90s – tenha sido a última a crescer sem internet. Começamos a ter acesso relativamente ilimitado aos 13, 14 anos e, ainda assim, bem diferente do que é hoje. Era um computador por casa, normalmente tinha uma sala exclusiva para ele, e era o motivo de 99% das brigas entre irmãos. 

Para alugar filmes tínhamos que ir fisicamente até locadoras; músicas só baixando e correndo o risco de junto com elas receber 30 mil vírus que destruiriam o computador. Selfies nem tinham esse nome ainda e eram “artisticamente” produzidas com uma sony cybershot – de preferência rosa –  para serem posteriormente publicadas no fotolog, com limite de 10 comentários “lindaaaa” das amigas. Ah, que saudadinha boa bateu por aqui.

Saindo do papo 30+ e voltando às amizades como é interessante olhar para trás e perceber que algumas pessoas que foram tão importantes na nossa vida hoje não fazem mais parte dela ou, por outro lado, outras continuam sendo tão presentes. Na adolescência tudo é tããão intenso que nossos amigos viram a nossa família e, em algum momento, não conseguimos nos imaginar vivendo sem eles. 

Alguns meses atrás encontrei, por acaso, uma amiga da época da escola e passamos alguns minutos conversando. Nesse pouco tempo ela me atualizou sobre a vida de 90% das pessoas que estudaram conosco e de uma maneira que me incomodou muito, quase que colocando cada um em caixinhas... tinha os bem-sucedidos, os casados, os com filhos, os falidos e assim por diante. O papo, claro, que não foi para frente porque além de me sentir incomodada com as constatações rasas me peguei pensando se essa pessoa teria ficado presa no passado e realmente acredita que o mundo é divido em castas*. Na hora me lembrei da nossa trilha sonora e que deu título à coluna: 

“I thought it was over / Oh that's just great! / The whole damn world is just as obsessed with who's the best dressed and who's having sex / Who's got the Money / Who gets the honeys / Who's kinda cute and who's just a mess / And you still don't have the right look / And you don't have the right friends / Nothing changes but the faces the names and the trends / High school never ends!”

Saí meio triste desse encontro inesperado, afinal era uma pessoa de quem eu já gostei muito, com quem eu dividi momentos importantes e que há algum tempo não tenho mais absolutamente nada em comum. Não acho, necessariamente, que eu estou certa no meu desconforto e ela errada nas impressões, apenas concluí que nos tornamos pessoas que valorizam coisas diferentes. C’est la vie.

Realizei que alguns amigos, por mais dolorido que seja, não são para sempre e nem precisa de algum grande acontecimento, tampouco existe alguém que esteja certo e o outro errado, apenas os valores, as escolhas, nos levam para lugares diferentes. 

Existem, por outro lado, amizades que caminharão conosco ao longo de toda a vida, que por mais que estejamos em momentos diferentes, estaremos sempre lá uns pelos outros, torcendo pelo melhor, vibrando com as conquistas, amparando os anseios. Essas últimas são raras e devemos trata-las como verdadeiros diamantes. As amizades de verdade precisam ser apreciadas, vividas, multiplicadas e jamais tidas como garantidas ou esquecidas no fundo da gaveta, acumulando pó.

Here´s to the precious ones. May we know them. May we be them. <3

*Disclaimer: óbvio que na vida real damos aquela fofocadinha básica entre amigas, não é esse o ponto, a questão é quando tudo o que uma pessoa tem para dizer se resume à julgamentos rasos e/ou maldosos.

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