cami cilento
Pinterest
Tem um livro lindo que eu comprei para o meu filho que se chama “Here We Are: Notes for Living on Planet Earth”, do autor e ilustrador Oliver Jeffers e uma das páginas sempre me chama a atenção: tem um desenho da mente do jovem personagem que sempre me deixa pensando como a nossa cabeça é complexa. Me enxergo nesse desenho: foguetes, animais, meias, bonecas, tintas, estrelas e muitos pontos de interrogação estão lá dentro da minha mente praticamente em ponto de ebulição, tudo junto e misturado. A lista de leitura dessa semana está assim: uma salada de assuntos, todos ocupando algum espaço da minha mente junto com as planilhas, a lavanderia, as mamadeiras do meu filho e todas as grandes emoções da semana. Antes de seguir para a lista, fica o comentário que esse livro do Oliver é lindo demais, e que tem um desenho na Apple TV chamado “Here we are” que é baseado no livro e é incrível. ❥

1. “Americans throw away too many clothes. Poorer countries are left with the waste.”, Terry Nguyen para Vox: não tenho uma amiga que não tenha aproveitado a pandemia para fazer um limpa no armário. Todos nós separamos itens para vender, itens para repassar para amigos e muitos itens para destinar à doação. A gente leva os itens para doação e automaticamente se sente bem em estar fazendo bem ao próximo. Mas a realidade é muito mais complicada do que isso: uma montanha de roupas nunca chega à ninguém, vão parar em lixões e esse artigo do Vox conta um pedaço da historia que eu nunca soube. Há anos vejo criticas feitas às marcas de fast-fashion, mas nenhuma ação em escala para solucionar os milhões de problemas que esse modelo de negócios gera. A gente sempre espera que um ente mais poderoso que a gente tome uma grande atitude, mas eu acredito que tem um pedaço dessa equação que mora em nós consumidores, que precisamos consumir com consciência e inteligência.

2.“The Revolt of the American Worker”, Paul Krugman para o NY Times: Ahhh, o sonho americano… Quantas vezes eu não ouvi de conhecidos, amigos e parentes sobre a maravilha que devia ser viver o sonho americano. E realmente tem partes da vida nos Estados Unidos que são incríveis: no meu caso as primeiras duas coisas que vem a mente são a segurança e as oportunidades profissionais no setor em que trabalho. O que as pessoas falham em lembrar é o fato de que o mercado de trabalho americano é sanguíneo no seu tratamento ao trabalhador: a “America” é a nação sem férias e trabalhar nela está longe de ser um sonho, para vencer aqui você tem que batalhar demais. Aliás o problema não está só nas férias, ela é também a nação sem licença maternidade garantida e remunerada, sem limites nas horas da jornada de trabalho, sem garantias ao trabalhador. A gente pode criticar o Brasil o quanto quiser, reclamar o quanto a CLT é pro-trabalhador, e etc: mas eu não conheço ninguém que preferiria trabalhar sem a CLT, que não curta as suas férias garantidas e remuneradas, ou que não ame décimo terceiro salário. Garantias essas que são inexistentes aqui, dependem na realidade da “bondade” de cada empresa. Nesse artigo o Paul Krugman (jornalista que amo e que já ganhou um prêmio Nobel de economia) comenta exatamente sobre isso.

3.“Enough With the Seltzer: The Booze-Free Cocktail Has Arrived”, Alix Strauss para o NY Times: Inúmeras vezes na minha vida adulta eu “tive” que ficar sem beber e eu que amo um bom cocktail ou uma deliciosa taça de vinho, me senti excluída do programa, condenada à água com gás e sucos detox. Eu comentei há uns meses atrás sobre uma nova tendência aqui: os cocktails sem álcool. E não estou falando de um suco sem álcool num copo alto com um guarda-chuvinha em cima: a nova tendência são receitas elaboradas e tão incríveis quanto o seu amado Gin Tônica. Uma infinidade de “spirits” não alcoólicos chegou ao mercado, eu já provei alguns e simplesmente amei, e esse artigo conta sobre as lojas que estão começando a aparecer e que se dedicam apenas à bebidas assim.

4.“The Fight for Sneakers”, Daisuke Wakabayashi para NY Times: Há uns anos atrás fui no casamento de uma grande amiga minha aqui e o irmão dela estava lá no altar usando um Air Jordan. Achei moderno e descolado e super apropriado já que estávamos na Califórnia. O que me pegou de surpresa foi descobrir depois o quanto aquele tênis custava. Acelera 5 anos e cá estamos todos “obsessed” com Air Jordans e tentando achar um par tão ou mais “cool” do que o dos nossos vizinhos. A Nike, por exemplo, lançou uma plataforma online para vender os novos modelos e os lançamentos seguem um calendário que é publicado com antecedência prévio e que tem dia e hora marcada para entrarem online. Você ama um modelo, marca na sua agenda, se programa para tentar comprar e 1 minuto após o lançamento entrar online, adivinhem: SOLD OUT! Essa é uma realidade que já acontecia em shows e concertos, e agora dominou também o mercado dos tênis: super computadores vão lá e abocanham todo e qualquer estoque e você fica enlouquecido depois tentando achar no mercado secundário só para descobrir que o preço triplicou.

5.“The Park Bench Is an Endangered Species”, Jonathan Lee para a The New York Times Magazine: Se tem uma coisa que eu amo no Central Park são os bancos. Eu amo quando tenho tempo de sentar em um deles e ver a vida passar. Amo também como cada banco tem uma plaquinha com um dizer ou historia que faz o meu coração pular uma batida (aliás você sabia que essas plaquinhas são vendidas para angariar recursos para a conservação do parque? Brilhante, né?). Voltando a história, amei esse artigo que fala sobre a escassez dos bancos em locais públicos e o quanto o design de muitos deles é ridiculamente desconfortável. Já me perguntei isso outras vezes, não só sobre espaços públicos, mas também em aeroportos e estações de trem…

TGIF e boa leitura ❥
Cami
Ps: Eu acredito que para consumir bons editoriais e o trabalho tão interessante de tantos escritores devemos assinar os jornais, revistas e publicações que nos interessam. O trabalho deles tem um valor imenso e se queremos continuar lendo o que eles produzem nada mais justo do que pagarmos pelas assinaturas. Algumas publicações são mais liberais em relação ao conteúdo publicado online do que outras, permitindo que um número maior de artigos por mês seja acessado de forma gratuita, mas esses limites variam. Cabe a cada um saber qual informação tem valor para si e assinar aquelas que são mais relevantes.

by Bianca Longo

Editora e colunista de sustentabilidade e internacional (Paris)

0 Comments

POST A COMMENT