1c1cd97a63bbec91 Picture 2 - “And just like that”: O que a Camila Cilento leu nesta Semana
“And just like that” eu voltei a falar sobre a Carrie, a Miranda, a Samantha e a Charlotte como se as quatro fossem minhas grandes amigas que reapareceram na minha vida após 10 anos. E não fui só eu… No meu WhatsApp eu tenho um grupo dedicado para falar sobre cada segundo da nova série e temos um acordo que só podemos dar spoilers depois da meia noite do sábado (assim todas tem tempo o suficiente para assistir ao capitulo semanal que vai ao ar todas as quintas). Desde que as filmagens da continuação de “Sex and the City” começaram (para a minha surpresa, algumas cenas filmadas aqui na esquina da minha casa, no Upper West Side), eu passei a controlar as minhas expectativas: se tem uma lição que o fraquíssimo segundo filme me deu é que quanto menores forem as minhas expectativas, maiores as minhas chances de curtir esse reboot. Então na quinta feira da semana passada, eu sentei na minha sala sem as minhas expectativas e apertei o play: automaticamente senti um calor no coração ao ouvir as primeiras frases. Não só isso, sem grandes spoilers por aqui, chorei como se não houvesse amanhã, e mais importante ainda: entre lágrimas inesperadas, também dei muitas risadas. Digo isso porque o que muitos críticos se esqueceram é que “Sex and the City” é um trabalho de ficção, e mais que isso, é supostamente uma comédia, uma sátira. No dia seguinte aos primeiros novos episódios do reboot, chamado “And just like that”, as críticas começaram a pipocar: muitas delas amargas, outras de pessoas que não haviam nem se dado ao luxo de assistir aos novos episódios: tudo como se aquele enredo fosse um trabalho biográfico, baseado em fatos reais. É muito interessante porque acho que por mais de uma vez nas últimas semanas escrevi sobre como é importante lembrar que “baseado em fatos reais” não significa que tudo o que está ali numa história é real. Mas nunca imaginei ter que lembrar as pessoas que uma comédia de ficção é exatamente isso: uma comédia de ficção. Passado esse meu estranhamento com todas as críticas à série e depois de ter me questionado se eu realmente não estava enxergando a realidade, consigo atestar aqui que estou amando cada minuto dos 3 episódios disponíveis. Primeiro, amei o retorno ao formato original: episódios de 40 minutos que permitem aos personagens serem muito mais densos e interessantes, afinal de contas, ao contrário de um filme, não precisamos de um começo, meio e fim e isso faz toda a diferença. Depois, amei os assuntos que estão sendo abordados por cada um dos personagens: achei atual e apropriado a idade e passado de cada uma das mulheres. Não fiquei surpresa com a desenvoltura (ou falta da mesma) das personagens frente aos novos desafios do enredo: realmente penso que ele foi desenvolvido exatamente para trazer a discussão dos temas para fora da tela e nesse quesito a série tem me feito pensar e conversar com pessoas sobre assuntos diversos. Amei também os novos personagens que apareceram até agora: é sabido que a série original não era nada diversa e fiquei com a impressão que as atrizes novas que entraram no elenco não vieram para serem simples coadjuvantes. E por último, estou amando o figurino: achei que uma das razões do meu profundo desgosto com o segundo filme foi justamente o figurino clichê, óbvio e limitado, e por essa razão estava morrendo de medo que os novos episódios seguissem essa linha. Penso que só o tempo (ou mais precisamente, o próximos 7 episódios que ainda faltam) para nos provar que “Sex and the City” ainda consegue ser relevante. Mas o que para mim já ficou provado é que as minhas noites de quinta feira estão cada vez mais divertidas. Como o próprio artigo que eu recomendo a seguir concluiu: “se a série sempre foi aspiracional – apartamentos aspiracionais, roupas aspiracionais, pessoas aspiracionais – os novos episódios assim serão: aspiracionais”.

1. “And just like that”: the shoe must go on”, Alexis Soloski para o NYTimes: depois de ter lido inúmeros artigos sobre o reboot de “Sex and the City” e ter mergulhado em todas as críticas publicadas até então, me surpreendi com esse artigo do NYTimes, pois apesar de ter sido escrito um pouco antes dos novos episódios irem ao ar, ainda assim fez os pontos mais interessantes. Recomendo…

2. “Don’t be surprised when you get Omicron”, Yasmin Tayag para The Atlantic: cada vez que eu começo a me familiarizar com uma nova letra do alfabeto grego e o que ela representa para minha familia, logo outra aparece rapidamente para me tirar algumas noites de sono. Esse artigo fala sobre um fenômeno cada vez mais comum entre pessoas vacinadas: os “breakthrough cases”.

3. “The welcome return of the run-in”, Rehan Harmanci para NYTimes: desde que eu retornei ao escritório e comecei a retomar a minha vida social, tenho provado um pouco do prazer que os curtos encontros ocasionais proporcionam. E eu amei esse artigo que fala sobre como as vezes o que a gente precisa nao são encontros longos e super orquestrados: muitas vezes são os curtos esbarrões acidentais com pessoas que consideramos conhecidos que nos proporcionam as melhores surpresas.

4. “Why were 17,000 people on a wait list for this granola?”, Rachel Sugar para a NYMag: se você segue a Eva Chen, uma das figuras mais adoradas da mídias sociais, mãe de 3 filhos, super executiva do Instagram, e autora de “best sellers” infantis, você já deve ter ficado com água na boca ao ver ela falando das granolas que o seu marido, Tom Bannister. O que começou como um passatempo se transformou em um negócio e em uma lista de espera sem fim para a “birkin” das granolas.

5.“We will look back on this age of cruelty to animals in horror”, Ezra Klein para NYTimes: e para finalizar a lista dessa semana, o artigo que realmente me fez parar para pensar. O jornalista Ezra Klein fala de uma forma muito inteligente sobre os desafios que a humanidade terá para resolver a maior falha moral dessa era: a criação de animais para consumo humano. Achei o artigo muito importante e a discussão que ele traz essencial.

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