TGIF: A relação CURIOSA da Camila Cilento com os Livros

Camila Cilento
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Sempre gostei muito de livros e tenho uma relação curiosa com eles. Eu tenho uma mania de ler hiper devagar e economizar páginas de livros que gosto com medo que eles se acabem. O que sempre acaba acontecendo é que até a metade deles eu não leio capítulos e sim saboreio cada página como se ela fosse uma colher de brigadeiro quentinho recém saído da panela.

Fico ali tentando fazer com que o livro dure uma verdadeira eternidade, e “de repente não mais que de repente” (como diria Vinicius de Moraes) uma coisa louca acontece e eu passo do meu ritmo controlado (de uma ou duas página por dia) para uma velocidade desenfreada lendo todo o restante em algumas poucas horas como alguém que faz “binge watching” no Netflix. As páginas vão passando numa rapidez sem igual, vou me sentido tão culpada por estar acabando o livro quanto feliz por estar chegando em seu ápice. Até que a ultima página chega num suspiro e sinto um enorme vazio.

Eu então passo uma semana de luto profundo por ter que viver sem aqueles personagens, e encontro outro romance bom para ler de pouquinho em pouquinho torcendo que eu encontre personagens tão interessantes quanto os que me largaram ao virar a última página.

Ler é maravilhoso: tenho profundas saudades dos tempos em que frequentava a biblioteca da minha escola. Lembro como se fosse ontem de como amava a “semana do livro” e tenho lembranças saudosas também dos títulos da Ruth Rocha e da Eva Furnari. E já sonho com a minha aposentadoria quando pretendo me perder por horas dentro das bibliotecas lindas de NYC.

Por essa razão que uma das primeiras coisas que fiz quando fiquei grávida foi pensar em um espaço lúdico para o quarto do meu filho aonde ele pudesse curtir seus livros assim como eu fazia quando criança. Todos os dias antes de dormir a gente escolhe um livro para lermos juntos e é um dos momentos do meu dia que mais aguardo.

Outro dia desses durante em uma viagem me esqueci de levar um livro para esse momento especial. Só restava a mim improvisar e lá no escurinho do quarto comecei a recitar: “In the great green room, there was a telephone and a red balloon, and there was a picture of the cow jumping over the moon…”. Logo estávamos curtindo o que lembrávamos do livro “Good Night Moon” da Margaret Wise Brown e dando boa noite para todos os objetos dessa história e para muitos outros que a nossa imaginação mandou. Esse festival sem fim de “boas noites” foi um dos pontos altos da viagem e uma memória que só foi possível porque o Benji ama livros tanto quanto eu.

Resolvi contar essa história porque o primeiro artigo que escolhi essa semana conta justamente sobre a vida da autora desse livro. Nunca, nem eu meus sonhos mais loucos, poderia imaginar que ela era uma mulher tão a frente de seu tempo, uma verdadeira iconoclasta. E se você tem filhos pequenos e quer ler algo para eles em inglês esse livro é um dos nossos favoritos.

 

1. “The radical women behind Good Night Moon”, Anna Holmes para a The New Yorker: acho que depois do texto que escrevi, esse artigo dispensa apresentações.

2. “Maybe She Had So Much Money She Just Lost Track of It”, Jessica Pressler para a NYMag: esse artigo não é novo, mas grandes chances que você abriu o Netflix hoje e se deparou com a nova série da Shanda Rhimes (a.k.a. Grey’s Anatomy e Bridgerton) chamada “Inventing Anna”. A série é baseada nesse artigo muito bom que foi publicado há alguns anos na NYMag. E assim como o costume de que o livro é sempre melhor que o filme, dizem os críticos que o artigo é melhor que a série. Não sei o que vão consumir primeiro, mas recomendo ambos.

3. “Open Everything”, Yascha Mounk para a The Atlantic: no começo da pandemia esse mesmo autor escreveu que deveríamos simplesmente cancelar tudo. E logicamente ao ver o título desse artigo fiquei curiosa e senti um certo alivio. Eu, depois das minhas 3 doses de vacina e de ter feito pazes com o fato que meu filho pequeno já pegou Covid duas vezes, estou mais que pronta para dar adeus às restrições. Vamos ver o que o futuro próximo nos espera.

4. Marry Me and the revenge of the old-fashioned rom-com”, David Sims para a The Atlantic: eu sou uma dessas pesssoas que sente muita falta da época em que as comédias românticas eram hits de cinema, então espero ansiosamente essa tendência voltar! Quem aí está comigo?

5. “La Guardia Airport is no longer a hellscape”, Justin Davidson para NYMag: eu nem acredito que eu vou escrever a frase a seguir: semana passada eu tive o PRAZER de chegar de um vôo em La Guardia. Foi tão memorável que eu estou ansiosa para voltar lá com as horas para matar que o embarque exige. Esse artigo conta sobre o novo terminal do aeroporto que com 20 anos de atraso chegou ao século 21. Agora é aguardar que JFK um dia chegue também ao novo século, só espero que isso aconteça antes do século 22.

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