Camila Cilento veste roupa de Ski para sua coluna semanal no Lolla, em que compartilha 5 artigos que leu na semana e reflexões sobre suas férias
Foto: @camilacilento
Tem coisa melhor que estar de férias? Esse ato de poder tirar uma licença poética da sua vida e viver tudo aquilo que não pode quando todas as suas responsabilidades estão te perseguindo é tão maravilhoso. Mas confesso que nos tempos atuais desconectar da minha vida real e relaxar nas férias tem se tornado um ato quase que heroico. Culpa do meu celular que me obriga a levar todo o meu trabalho comigo até quando vou ao banheiro, culpa do avião que agora oferece acesso à internet de graça, culpa do meu relógio que insiste em me lembrar de todos os compromissos que estão acontecendo e que não estou “participando” por estar de férias. E tem também o fato que a maior responsabilidade da minha vida, meu filho, não pode ser deixado de lado nem quando eu saio de férias. Não me levem a mal, uma das coisas que mais amo na vida é ser mãe dele, mas quem tem filhos certamente vai entender o trabalho e a carga mental que é cuidar de uma criança. Enfim unindo todos esses fatores, sair de férias de verdade virou um grande desafio. Depois de muito analisar, percebi que o que realmente me faz esquecer de tudo e focar apenas no momento presente é quando estou esquiando. Um esporte super técnico: você fica em cima de dois esquis que são tão altos quanto você, segura dois bastões nas mãos, usa capacete e uma bota que engessa todo e qualquer movimento normal, e coordena tudo isso ao descer uma montanha em alta velocidade. Não tem margem de erro, e os acidentes mais bestas podem acabar com tudo, ou seja, não tem espaço para nenhum outro pensamento invadir a minha mente. Então apesar do cansaço físico, quando eu estou em cima dos esquis eu realmente saio de férias. O que fazer então nas férias em que não tenho esse estímulo? Muita gente fala sobre “mindfulness”, o ato de estar presente no momento de forma consciente. Com toda a tecnologia e com as nossas vidas cada vez mais complexas, praticar “mindfulness” é um real exercício. Estar presente significa esquecer o resto, o que me lembra os momentos que estou com o meu filho, mas que também estou com o celular e ele carinhosamente me pede para parar de trabalhar (“mamãe stop trabalho”). É o meu exercício mais importante e que tenho que praticar com a mesma atenção que prático o ski, afinal de contas não existe margem de erro para o tempo, ele passa sem perdoar.
  1. “Halting Progress and Happy Accidents: How mRNA Vaccines Were Made”, Gina Kolata e Benjamin Mueller para NYTimes: a história da criação das vacinas de MRNA e todos os diferentes cientistas foram responsáveis por cada descoberta ao longo de 30 ou mais anos e que nos levou a essa nova tecnologia é fenomenal. Super bem escrito!
  2. “A Library the Internet Can’t Get Enough Of”, Kate Dwyer para NYTimes: adorei esse artigo curtinho sobre uma biblioteca que dominou as mídias sociais.
  3. “How Crypto Became the New Subprime”, Paul Krugman para o NYTimes: artigo muito interessante que faz um paralelo entre o mercado de Bitcoin e a crise financeira de 2008, ou mais precisamente o mercado de subprime (um tipo de empréstimo imobiliário de alto risco que causou a crise).
  4. “I Ditched My Smartwatch, and I Don’t Regret It”, Lindsay Crouse para NYTimes: eu sou absolutamente viciada nas métricas do meu relógio. Estou aqui escrevendo essa coluna durante uma viagem de ski na qual o meu Apple Watch marcou tudo: do número de pistas que eu desci até o total de “vertical drop” que eu percorri durante a viagem. Mas esse artigo me colocou para pensar um pouco até quando a métrica é realmente necessária e quando ela já não está adicionando valor. Eu uso o meu relógio para muito mais do que só monitorar meus movimentos: respondo mensagens, pago compras sem ter que tocar na minha carteira, e checo a previsão do templo quando estou me vestindo. É muito prático, mas a autora tem um bom ponto sobre sobre a gente basear a nossa auto confiança em algo externo. Interessante.
  5. “ ‘Jeopardy!’ Hasn’t Had a Player Like Amy Schneider”: ela fez história ao jogar esse jogo tradicional de perguntas e respostas e virou não só a primeira mulher a chegar tão longe no jogo como também ficou atrás apenas de Ken Jennings que ganhou 74 jogos consecutivos. Artigo muito bem escrito sobre a Amy e sua história fascinante.

 

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