Ta tudo bem deixar as amizades murcharem e se apagarem 

Beatriz Muroch (Eat Your Nuts)

Em uma conversa com uma amiga durante minha recente viagem ao Brasil, mencionei que estar vivendo um processo de morte natural de certas amizades, quase que um luto. Para elaborar, percebi que certas amizades não me satisfaziam mais, que algumas pessoas deixaram de estar presentes em minha vida (e vice-versa) porque nossos caminhos divergiram. Durante muito tempo, ignorei o óbvio e gastei muita energia tentando fazer com que isso não acontecesse - isso porque aceitar que as amizades se desvanecem não é nada fácil.

Tendo retomado minha vida social pré-pandêmica, percebi que algumas amizades adormeceram durante o isolamento e que não estou particularmente interessada em reacendê-las. E isso não faz mal. Não há dúvida de que nem todas as amizades duram uma vida inteira, e os relacionamentos provavelmente vão e vêm ao longo da vida - seria humanamente impossível acompanhar todos os amigos que já tive. 

À medida que priorizo as pessoas com as quais quero passar tempo e entendo que as experiências de vida mudam, tal processo não tem sido mais tão doloroso. 

Assim, pesquisei mais e descobri um novo termo: "friendscape". Em uma tradução literal seria "paisagem de amigos", mas o que ele sugere é o questionamento que devemos fazer a nós mesmos em relação a "quem está por perto e quem queremos estar por perto". Isto porque a "paisagem de amigos" pode mudar durante certas situações específicas da vida - estar em um certo emprego, viver em uma certa cidade, ser solteiro/casado, etc. - e muitas vezes "curamos" amizades para se adequarem a nossa situação de vida atual. Parte deste processo é entender que nem todos podem se encaixar em nossa atual 'paisagem de amizade'.

Vem sendo um processo e tanto aceitar tudo isso. Praticar 'friendscaping' que nada mais do que 'o ato de refinar as listas de amigos nas diversas redes sociais', mas que pode total ser aplicado à realidade, tem sido útil e me poupado um tremendo gasto de energia. Venho justamente fazendo gradualmente isso, descobrindo haver valor em curar essa rede de amigos conforme a minha própria vontade e momento.  

Isso porque, ultimamente, descobri que quanto mais coloco energia para descobrir novas conexões e formar novas amizades, deixando-as tomar seu rumo natural, sem forçar muito, melhor eu me sinto sobre TODOS os meus relacionamentos, novos e antigos. 

Quer queiramos ou não admitir, a base de qualquer amizade é a consistência, a comunicação e as circunstâncias. Morando fora do país, mais do que nunca, minhas amizades estão sendo impactadas por um 'silêncio', que se constrói diariamente devido à falta de experiências novas ou compartilhadas. 

Eu sempre soube que chegaria um momento em que as prioridades das pessoas mudariam e algumas amizades se desgastariam pelas emendas, e suponho que o fato de morar fora, fez com que tudo isso acontecesse mais rápido. Quando se trata de compartilhar novidades - tanto boas quanto más - eu costumava ficar afobada para saber qual amigo chamar primeiro. Agora, já sei de primeira com quem quero dividir.  

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