Sobre Diálogos Silenciosos

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Existem algumas conversas que são muito difíceis. Eu reconheço algumas, como o término de um relacionamento, seja ele uma amizade ou um relacionamento romântico (sim, amizades também acabam!), dar os pêsames a alguém que perdeu uma pessoa querida, conversar com uma amiga que está com crise de ansiedade em meio ao isolamento…

Me dei conta que alguns desses diálogos não existem, eles se dissolvem por meio da presença. Você apenas precisa estar lá para a pessoa, seja sentando ao lado dela para não fazer nada, ou apenas sinalizando, mesmo que via emoji para a sua amiga, que você está ali. Alguns diálogos não precisam existir quando a e pessoa sabe que você está ali pra ela. 

Eu pratico o diálogo silencioso quando eu perco as palavras, quando eu não sei o que dizer e apenas sinalizo que estou ali, caso a pessoa precise de mim. O uso desagradável desta prática, para mim, é quando mesmo já tendo sinalizado com palavras que não concordo com as atitudes de alguma pessoa, eu preciso não falar nada mais e me distanciar.

No entanto, existem aqueles diálogos que deveriam sim existir, mas esmaecem no silêncio. Em alguns casos eles funcionam como um não. A exemplo disso, quando alguém se afasta sem falar nada, quando alguém deveria pedir desculpas ou desculpar mas não consegue, e por isso as vezes ele vem de forma anônima, ou sob a forma de indireta… pior ainda quando ele simplesmente não acontece. 

Por que praticamos o “não diálogo”mesmo quando ele é fundamental? Por que é tão difícil falar: eu não concordo com A, B ou C? Por que pisamos em ovos ao invés de falar como realmente nos sentimos? 

A prática desse diálogo silencioso, nestes casos, não me parece honesta pois é injusta, seja com a pessoa que está passando pelo desconforto ou a que não vai receber a mensagem que precisa. É tão mais simples falar: “Olha, eu acho que esse relacionamento não vai dar certo”, “Eu não posso continuar sendo sua amiga pois essa amizade não me faz bem, eu vivo pisando em ovos com você”. A questão é que existem algumas coisas que podemos controlar, mas a forma como o outro recebe a mensagem, não. Ainda assim, se usarmos nossa inteligência emocional é possível sim falar coisas de forma delicada, com empatia, como por exemplo: “Desculpe, eu sei que você esperava algo mais, mas neste momento eu não consigo atender a sua expectativa”.  

Eu acredito que muitas pessoas prefiram não conversar porque acreditam que esses “não diálogos” são suficientes, passam a mensagem. Outras, muitas vezes, acreditam que a reação do outro não vai ser legal e sendo assim não falam nada. Eu acredito no diálogo, acho um gesto de respeito por mim e pelo outro. 

Photo: Marriage Story 

Helena Vilela

by Helena Vilela

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