IMG 6061 1200x1500 - Ser uma Very Giving Person Pode te Machucar: o Espectro da Generosidade e uma aula de Mergulho na Alemanha
Screenshot 2022 06 09 at 12.17.46 479x600 - Ser uma Very Giving Person Pode te Machucar: o Espectro da Generosidade e uma aula de Mergulho na Alemanha

Photo: Instagram @celinecelines

No início do mês, a Rosa postou no instagram do Lolla um chart compartilhado pela ativista Céline Semaan que mostrava um “espectro de generosidade”. Um círculo divido por uma linha vermelha no meio, indicando “Giving” na metade superior e “Taking” na metade inferior, os limites entre ser egoísta e e altruísta

Eu me classifiquei como uma pessoa “very giving” na – maior parte – da vida. Se eu acredito no relacionamento, no projeto, na ideia, na amizade, na pessoa, eu mergulho fundo. E parece legal ser essa pessoa no primeiro momento né, eu achava. Mas o problema é que a prática de deep diving sem os equipamentos adequados e um curso preparatório, vai fazer você perder o fôlego na metade do caminho e precisar voltar para superfície na mesma velocidade que pulou. 

Quando eu era mais nova fiz um intercâmbio na Alemanha e meu “pai alemão” era, entre outras coisas, instrutor de mergulho. E eu falo entre outras coisas, pois me marcou muito o fato dos alemães – pelo menos os da cidade onde morei – serem pessoas com muitos talentos. A minha “irmã alemã” de 9 anos fazia bolos e tortas maravilhosamente bem (eu tinha 17 e não sabia nem fazer arroz). A minha outra “irmã” da minha idade cantava lindamente, já falava 3 idiomas, andava a cavalo – e cuidava do cavalo -, além de ser super boa nos esportes. E tudo isso era feito com a maior naturalidade do mundo. Uma coisa meio Steiner-Waldorf, com um mix de disciplina russa (a cidade estava na Alemanha Oriental na guerra fria… talvez isso explique muita coisa). 

Voltando para aquele dia: eu estava super empolgada para ter minha primeira aula de mergulho no inverno. Mais precisamente em janeiro e no norte da Alemanha. Um frio daqueles que você só quer ficar em casa quentinha e comendo os bolos feitos pela minha irmã alemã, vendo a neve cair lá fora. Mas eu era jovem e eles são alemães, a aula seria numa piscina indoor. Why not? Topei na hora. Odiei algumas horas depois.

A experiência foi um fracasso, eu sequer consegui chegar na parte do tanque, fui reprovada na respiração. Dificuldade de equalizar a pressão interna nos ouvidos x externa da água. Meu pai alemão ficou arrasado. O mergulho não é para mim. Uma ironia. Logo eu que mergulho fundo nas minhas escolhas de vida. Ou talvez seja exatamente esse o problema e a não ironia de tudo…

A verdade é que nunca aprendi a mergulhar da forma correta. O mergulho exige a adaptação lenta, ir descendo aos poucos e buscando o equilíbrio, respeitando seu corpo e suas limitações. Mergulhar fundo exige técnica. Exige preparo, exige preparação mental e física. Só assim você consegue chegar no fundo sem se machucar e, finalmente, desfrutar da paz e beleza que o mergulho te proporciona. 

15 anos depois aquela aula de mergulho me ensina muito sobre self respect e que ser “very giving” pode machucar se você não se cuidar e se respeitar em primeiro lugar. Estou curiosa para ler o que a Céline Semaan vai falar sobre os espectros da generosidade e sua visão sobre os “very giving” people no seu próximo livro… E vocês, já passaram por situações em que se doaram mais do que deveriam/ aguentariam?

(Photo by Elise Wilcox on Unsplash)

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by Bianca Longo

Editora e colunista de sustentabilidade e internacional (Paris)

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