Global Mindset E Meu Review Sobre Emily in Paris

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J’adore Camille! Courtesy of Emily in Paris

Eu não precisei assistir mais de um episódio para saber que eu e Emily não seríamos amigas. Tive a chance (ou o tempo) de ver a série neste final de semana, dias depois do meu feed no Instagram ser tomado por stories mencionando a produção de Darren Star, former Sex and the City. Juntos de alguns stories e mensagens de amigas no WhatsApp, recebi comentários maravilhosos que me deixaram curiosa.

Vamos começar pelos pontos negativos? O estereótipo dos franceses foi um ponto alto nos comentários, seguindo do fato dela ir para a França trabalhar sem falar francês e uma exagerada hipersexualização das coisas. Para ser justa, os pontos positivos: os outfits das personagens, a fotografia, e os atores escolhidos para trama (bonjour Gabriel). Bom, primeiro eu acho que a série deveria se chamar Camille à Paris. Eu me apaixonei por Camille, apesar de achar que seria um drama tendo Camille como protagonista. Enfim, mesmo drama, ela tem aquele “je ne sais quois” que me faz querer gastar todo meu francês e ser como ela: leve, feliz e charmosa.

Quando a gente fala em Global Mindset, a gente abre espaço para conhecer a cultura do outro sem nem ter viajado. É a curiosidade de entender o porquê de na Índia, todas as mulheres usarem saree (a vestimenta típica das mulheres indianas feita por duas peças, como um top e uma saia). E veja bem, errar não é crime não, tá? As vezes assumimos os significados de alguns símbolos que viram intercultural communication, quando dizemos uma coisa que quer dizer outra.

LOST IN TRANSLATION

Um dos discursos mais famosos de John F. Kennedy foi em 1963 em Berlim, na Alemanha dividida no pós-guerra. Ele mesmo escreveu o discurso e disse “Ish bin ein Bearleener” que literalmente quer dizer “a jelly doughnut”, uma gafe hilária. Mas o que ele quis dizer era “being a Berliner in spirit” e o que importa é que a audiência entendeu e ele passou a mensagem. Um caso clássico de “lost in translation”.

A verdade é que podemos minimizar esses erros já alguns deles podem nos colocar em enrascadas. Voltando pra Índia, eu não sei se você já percebeu, mas o saree deixa um pouquinho da barriga a mostra (o ventre é considerado sagrado), e esconde os ombros e os tornozelos porque são partes eróticas na cultura indiana. Andar de shortinho e camiseta por lá seria um caso  sério de fashion faux pas mixed with lost in translation. Na Índia, a sociedade ainda é muito conservadora, existe uma “moral police” que regula a PDA (public display of affection). É melhor não dar um beijo no seu marido em público.

Tá, mas o que a Emily tem a ver com isso? Acho que Emily poderia ter pesquisado sobre os hábitos culturais dos franceses antes de ir pra lá. Saber a cultura de trabalho da empresa (como assim ela chegou 8h30min e eles só entravam 2 horas depois?!), ou aprender como se apresentar em francês dizendo que era americana e só falava inglês, só isso já teria suavizado o contato com os franceses. Mas foi engraçado a cena quando ela perguntou sobre  preservatives” (conservantes, mas que pra nós e os franceses significa a mesma coisa, p-r-e-s-e-r-v-a-t-i-v-o-s).

Ninguém está ileso de cometer erros, mas podemos reduzi-los enquanto visitantes em terras estrangeiras. Isso é algo que aprendemos com o tempo e com milhagens. Na China, por exemplo, você não deve fazer cara feia após provar algo, mesmo que não goste, e eu cometi essa gafe. Comi pato, sem saber o que era, sendo que eu odeio pato… deixo para a sua imaginação a minha cara ao colocar na boca e sentir aquele sabor forte e o beliscão que levei de uma amiga porque eu estava sendo totalmente transparente. Minha vontade era de chorar pelo pato e pelo beliscão.

Eu fui à Paris apenas uma vez, quando eu tinha 14/15 anos. Meu francês se limitava a bonjour e merci, mas sempre me apresentava falando meu nome, que era brasileira e que falava inglês, segui essa formula a risca. Nunca mais esqueci da atenção que a atendente do hotel e o garçom do café em frente ao Louvre tiveram comigo, eles reconheceram meu esforço. Foi minha primeira viagem internacional, e antes de ir eu pesquisei um pouco sobre a etiqueta cultural dos países que iria visitar. Anos depois ganhei um livro que trazia várias dicas sobre países e pequenas palavras que seriam de bom uso. A gente acredita que só países muitos exóticos exigem esse tipo de pesquisa antes, mas por mais próximo culturalmente que seja, a diferença pode ser enorme. O respeito em relação a maneira de se vestir nos países árabes é super conhecido mundialmente, mas poucas pessoas imaginam que para entrar em uma igreja na Itália seus joelhos e ombros também devem estar cobertos, e eu é que não quero usar o xale que eles alugam na porta das igrejas para pegar turistas desprevenidos.

Antes de viajar faça uma pesquisa, até mesmo para evitar frustrações e perder algo que pode ser importante para você. Comentei mais da Índia porque foi o país onde mais me choquei com as diferenças culturais e de comportamento. A curiosidade é o que nos move, seja curioso sobre o seu destino.

Esse texto foi editado para clareza e linguagem. 

Helena Vilela

by Helena Vilela

Comentários

  1. Super concordo com seus comentários sobre pesquisar um minimo sobre a cultura e aprender algumas palavras basicas! Fiz a mesm coisa na minha primeira visita a Paris e tambem me senti super bem vinda pelos franceses! Mas nao sei se é uma questão de pre julgamento meu, mas isso me parece algo que o norte americano, de um modo geral, não pensa em fazer ne?!

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