Comida e memória afetiva: A receita da Shakshuka do Tatte, um café em Harvard.

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Você já percebeu como a comida tem o poder de nos transportar para a infância ou um destino remoto? Eu comecei a querer aprender a cozinhar especialmente por conta das viagens que fiz. Um dos primeiros pratos diferentes que fiz foi arroz com limão indiano, nunca vou me esquecer, foi desafiador (arroz e eu ainda não nos damos muito bem pra ser sincera!).

Um prato que virou sinônimo de comfort food e que eu faço muito em casa é a Shakshuka. Conheci a Shakshuka no dia que conheci Harvard. Em frente à universidade existe um café chamado Tatte, que é super reconhecido pelo prato, e devo dizer que minha boca aguou ao ver o prato sendo servido em frigideiras individuais. As pessoas se deliciavam, era como se comessem um manjar dos deuses! Curiosa que sou, resolvi experimentar o prato dias depois em um brunch, resultado: uma frigideira limpinha que eu não acreditava ter comido tudo. Desde que voltei deste intercâmbio tentei refazer o prato para que ficasse próximo à receita que comia no Tatte, descrevo abaixo a forma adaptada que foi o mais perto que consegui chegar.

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Obs: como a receita leva pimentão, vou colocar também a versão com beringela. Ambas fiz a partir de receitas da Rita Lobo. Espero que gostem.

Shakshuka parecida com a do Tatte:

  • 4 ovos

  • 1 lata de tomate pelado em cubos (400 g)

  • 1/2 pimentão vermelho picadinho em cubinhos pequenos (lembre-se de descartar as sementes)

  • 1/2 cebola grande picadinha em cubinhos

  • 1 dente de alho grande em lâminas

  • 1 colher (sopa) de azeite

  • 1/2 colher (chá) de orégano seco

  • 1 pitada de pimenta – uso a do reino

  • sal a gosto

  • Za’atar a gosto

  • Coalhada seca

  • Queijo de cabra ralado a gosto

  • salsinha

Nessa receita vamos usar uma frigideira grande, a que usei tem uns 30 cm de diâmetro.

1) Primeiro você deve fazer o mise en place (deixar preparado na bancada tudo que você vai usar na receita). A cebola picadinha, a lata de tomate aberta e por aí vai. Isso era o terror da minha mãe quando eu pedia pra cozinha com ela, ela sempre falava: “Eu não sou a Ana Maria Braga que tem dez ajudantes”.

2) Vamos colocar a frigideira no fogo baixo, colocando azeite e adicionando a cebola e o pimentão, temperando-os com pimenta e sal, a cebola deve ficar transparente e o pimentão vai murchar. Eu costumo colocar páprica picante pra dar uma cor mais viva).

Junte o alho e mexa por 1 minuto.

3)  Agora é a hora de adicionar o tomate picadinho com o caldo, temperar com o orégano , o za’atar e ir mexendo com cuidado para não queimar. Às vezes quando o tomate não está com muito caldo eu adiciono um pouquinho de molho de tomate extra. Nesse momento eu coloco um pouquinho de salsinha no caldo. O segredo é deixar o caldo encorpar – até ficar bem cremoso.

4) Quando o caldo estiver grossinho, vamos abrir uns espaços na frigideira para colocar os ovos – um a um. Dica: a gente sempre quebra os ovos numa xícara à parte, pois se o ovo estiver ruim não corremos o risco de perder a receita. Tempere com mais sal, orégano e za’atar, se quiser. Tampe a frigideira e deixe que os ovos cozinhem. Caso a sua frigideira não tenha tampa, cubra-a com papel laminado, apenas tempo o suficiente pro ovo cozinhar – a gema tem que ficar molinha.

5) Desligue o fogo.

6) O diferencial da shakshuka do Tatte é o chamado labneh, a descrição mais próxima que encontrei pra isso é o que seria o “cream cheese” grego. Eu tentei fazer e o que consegui fazer mais próximo é o seguinte: Temperar a coalhada seca com za’atar, um pouquinho de limão e azeite. Pego esse molho e distribuo aos poucos entre os ovos, uma colher de sopa entre eles.

7) Termino salpicando um pouco mais de temperos por cima, e finalizo colocando a salsinha e o queijo de cabra ralado. O calor do molho vai derreter o queijo assim que você o colocar.

O ideal é servir na frigideira mesmo com pão italiano. Nas fotos o meu está com pão de forma porque é sem glúten. 🙂

Caso você não goste de pimentão existe uma versão mais italiana, abaixo:

Shakshuka a la Norma

  • 4 ovos

  • 1 berinjela cortada em cubinhos

  • 1 lata de tomate pelado (com o líquido)

  • ½ cebola cortada em cubinhos

  • 1 dente de alho em lâminas

  • azeite

  • Pimenta a gosto

  • sal a gosto

  • ½ xícara (chá) de ricota fresca esfarelada (cerca de 80 g)

  • folhas de manjericão a gosto para servir

Substitua o pimentão bela berinjela. Depois de colocar a frigideira no fogo baixo, colocando azeite e refogando a cebola, que deve ficar transparente, vamos colocar a berinjela, até que ela fique bem douradinha. Não se preocupe se ela ficar em camadas, ela também vai reduzir um pouquinho. Junte o alho e mexa por 1 minuto. Termino salpicando folhas de manjericão por cima, e finalizo com a ricota. Assim como a outra receita, o ideal é servir na própria frigideira com o pão ao lado.

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    Helena Vilela

    by Helena Vilela

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