Francesca Ruffini Lolla feb 2021 - Q&A Francesca Ruffini, Founder of F.R.S - For Restless Sleepers and Book Aficcionada

O Lolla conversou nesta semana com a super Francesca Ruffini. Ela, que respira moda – fundadora da F.R.S – For Restless Sleepers, marca italiana que reinventou o pijama e casada com Remo Ruffini, a.k.a. Moncler – é acima de tudo uma apaixonada pela literatura. Francesca falou da sua relação com a leitura e compartilhou dicas de livros incríveis! Para Francesca, ler é mais do que um hábito diário, é terapêutico e traz muitas lições de vida. Let’s read?

 

LEIA A ENTREVISTA

Q.  A gente sabe que ler não é sempre “amor à primeira página”, e muitos leitores adultos odiavam ler quando crianças. Como isso aconteceu para você? Quando você realmente começou a gostar de ler?

A.  Comecei a ler quando eu tinha doze anos. Eu estava de férias e li um livro russo que me raptou, foi amor à primeira vista. Desde aquele momento eu nunca mais parei.

 

Q.  O hábito de ler geralmente começa em casa. Seus filhos adoram ler? Que conselhos você daria às mães sobre como criar filhos que adoram ler?

A.  Infelizmente meus filhos não gostam muito de ler, eu tentei muitas vezes encorajá-los a ler mais, mas sem sucesso. Talvez, teria sido diferente se eu tivesse tido filhas, mas eu não sei. Acho que é um processo natural, talvez apoiado pela sorte de começar a ler com o livro certo.

 

Q.  Qual foi o primeiro livro que você leu que te tocou? Por que ele foi tão especial?

A.  É difícil fazer uma escolha nestes termos, porque às vezes quando você lê um livro maravilhoso, você pensa que finalmente encontrou o seu livro favorito. Mas então, é infalível, você lê outro ainda mais bonito que te faz mudar de idéia e assim por diante… De qualquer forma, o primeiro livro que me impactou foi “O Idiota” de Fiódor Dostoievski. É um livro surpreendente, com a voz de um espírito limpo, incapaz de se resignar à maldade, mas quer alcançar a harmonia total. Com este livro, o autor nos presenteia com uma grande lição moral.

 

Q.  Alguém disse uma vez que “80% do que você precisa saber sobre a vida, foi escrito há 4000 anos”. Você concorda? Você sempre tenta aprender algo ao escolher um livro para ler, ou você se dá a permissão de ler simplesmente pelo prazer de se deixar levar por uma história gostosa? Quais são seus critérios ao escolher um novo livro?

A.  Honestamente para mim é difícil julgar algo a respeito da pré-história… Para mim, escolher o próximo livro perfeito para ler é um momento delicado e íntimo, talvez porque eu não esteja pronta para ler de tudo. Levo o tempo que preciso para escolher, também porque eu nunca comecei um livro sem lê-lo até o final, acho que por uma forma estranha de respeito pelos autores. Depois desta premissa, meu critério de escolha é bastante amplo: sempre leio as colunas literárias das revistas, tenho alguns poucos amigos que compartilham comigo as mesmas paixões e pensamentos e, por último mas não menos importante, me mantenho atualizada em relação a todos os prêmios anuais mundiais, para estar sempre em dia. Cada livro que li me transmitiu algo especial, principalmente pensamentos e lições de vida. É por isso que tenho certeza de que a leitura de um bom livro pode ser terapêutica.

Uma curiosidade da minha maneira de ler é que quando estou lendo um autor pela primeira vez e gosto do livro que estou lendo, leio todos os livros deste autor em ordem cronológica, pois me interesso em entender o caminho evolutivo do artista… Isso aconteceu com Pamuk, Murakami, Goliarda Sapienza, Marai, para citar alguns…

 

Q.  As mulheres lêem, as mulheres escrevem (muitas vezes com pseudônimos masculinos), as mulheres são personagens principais em best-sellers… Você tem o cuidado de balancear a leitura de livros escritos por mulheres e por homens? Existe alguma personagem feminina que te inspire no seu cotidiano?

A.  Tendo lido quase todos os grandes clássicos do final do século XIX e início do século XX, acho que já li autores masculinos, mas apenas porque as condições de imparcialidade daquela época estavam muito enraizadas e não havia muitas escritoras mulheres. De qualquer forma, há muitas escritoras que eu realmente amo, com certeza algumas delas são: Arundhati Roy, Alice Munro, Elif Shafak, Virginia Wolf . Por exemplo, uma mulher que me inspirou muito foi Marella Agnelli.

 

Q.  Se não fosse pelas redes sociais… as redes sociais dão espaço não só para as pessoas mostrarem suas vidas, mas também para influenciar as pessoas a lerem mais. Como você analisa esta tendência crescente de influenciadores de livros? Você já foi socialmente influenciada a ler algo que você viu no Instagram?

A.  Eu não sou viciada em Instagram e sigo apenas as pessoas que conheço na vida real. Para mim é um simples diário de vida, portanto não gasto muito do meu tempo lá…. Em minha pequena experiência no Instagram, não recebi e não recebo muitas DM ou mensagens com sugestões sobre novos livros para ler mas, muitas vezes, acontece o contrário: algumas pessoas me pedem conselhos sobre livros para ler. Confesso que respondo com o maior prazer a essas mensagens, meu amor pela leitura é muito profundo.

 

Q.  Por causa da pandemia, a venda de livros aumentou, porque os leitores estavam buscando não apenas escapismo, mas também educação. Como este período afetou seus hábitos de leitura? Algum um livro que o fez viajar durante o confinamento?

A.  Sim, eu descobri um autor que não conhecia: Eshkol Nevo. Um amigo meu me presenteou com 3 livros dele que eu os devorei literalmente, e depois continuei lendo seus outros livros. A leitura me ajudou durante o confinamento.

 

Q.  Por fim, que pergunta você gostaria que tivéssemos feito para você? (E, é claro, como você teria respondido?)

A.  Esta é a mais fácil! Gostaria que você tivesse me perguntado: você já pensou em escrever um livro? E com certeza a resposta teria sido: é o meu sonho guardado na gaveta.

 

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Esse é o favorite place da Francesca para ler, do lado da lareira, na sala…

Quick One-Book Q&A:

1 livro que mudou sua vida:

Em busca do tempo perdido“, Marcel Proust

1 livro que você sempre oferece às pessoas:

Embers“, Sándor Marai, curto, mas intenso. Todo mundo sempre gosta.

1 livro que você “obrigou” seus filhos a ler:

Nenhum! Eu não quero obrigar ninguém a nada. Eu costumava dar lições usando exemplos de livros, mas no meu caso não funcionou em nada.

1 livro que está sempre em sua mesa de cabeceira:

Contos” de Tchekhov

1 livro que você gostaria de ter escrito:

 “A arte da alegria” , Goliarda Sapienza

1 livro que influenciou uma decisão que você tomou em sua vida:

A arte de amar“, Erich Fromm

 


READ THE INTERVIEW IN ENGLISH 

Q.  We know reading is not always “love at the first page”, and many avid adult readers hated reading when children. How did it happen for you? When did you actually start enjoying reading?

A. I started reading when I was twelve. I was in holidays break and I read a Russian book stories which kidnapped me, it was love at first sight. Since that moment I have never stopped.

 

Q. The habit of reading generally starts at home… Are your children voracious readers, and what advice would you give to mothers on how to raise children who love to read?

A.  Unfortunately my sons don’t like very much to read, I tried many times to encourage them to read more, but without success. Maybe, it would have been different if I’ve got daughters, but I don’t know. I guess it is a natural process, may supported to the luck of starting reading with the right book.

 

Q.  What was the first book you read that touched you? Why was it so special?

A.  Hard to make a choice in these terms, because sometimes when you read a wonderful book you think you’ve finally found the favourite one. But then, unfailingly, you read another one even more beautiful which changes your mind and so on… Anyhow, the first book which knocks me was “The idiot” of Fyodor Dostoevsky. It is an amazing book, with the voice of a clean spirit unable to resign himself to the meannes, however wants to reach the total harmony. Through this book, the author gifted us a big moral lesson…

 

Q.  One once said “80% of what you need to know about life, was written 4000 years ago”. Do you agree? Do you always try to learn something when choosing a book to read, or do you give yourself the permission to read simply for the pleasure of being carried away by a nice story? What are your criteria when choosing a new book to read?

A.  Honestly for me is hard judging something regarding the prehistory… For myself, choosing the perfect book to read is a delicate and intimate moment, maybe because I am not ready to read everything. I take my time for the choice, also because I have never started a book without reading it until the end, I guess for a strange respect’s form for the authors. After this premises, my choice criteria is quite wide: I always read the literary columns on the journals, I have got some few friends who shares the same passions and thoughts with me and, latest but not leastest, I keep myself updated regarding all the annual worldwide awards, to be always on the ball. Each book I’ve have read have transmitten me something special, mainly thoughts and life lessons. That’s why I am strongly convinced that reading a good book it could be therapeutic.

A curiosity of my way of reading is that when I am reading an author for the first time and the book I am reading hits me, I read all this author’s books in chronological order as I am absolutely interested in understanding the evolutionary path of the artist… It happened with Pamuk, Murakami, Goliarda Sapienza, Marai, to name a few…

 

Q.  Women read, women write (many times under the guise of male pen names), women are the main characters of best-sellers… Do you pay attention to read as many books written by women as by men? Is there a female character who inspires you in your daily life?

A.  Having read almost all the late nineteenth and early twentieth century’s great classics, I think that i’ve read mostly men authors, but only because impartiality conditions of that times were very rooted and there weren’t many women writers. Anyways, there are many female writers I really love, for sure some of them are: Arundhati Roy, Alice Munro, Elif Shafak, Virginia Wolf . For example, a woman who inspired me a lot was Marella Agnelli.

 

Q.  If it wasn’t for social media… social networks give room not only for people to show their lives but also to influence people on reading more. How do you perceive this growing trend of book influencers? Were you ever socially influenced to read something you saw on Instagram?

A.  I am not instagram addicted and follow only people who I know in the real life. For me is a simple life diary, therefore I don’t spend a lot of my time there…. In my small instagram experience, I don’t have received and don’t receive many DM or messages with suggestions about new books to read but, often, happen the contrary: some people ask me for some advices regarding books to read. I confess that I gladly reply to these messages as my love of reading is rooted.

 

Q.  Because of the pandemics, book sales rose, as readers were seeking not only escapism but also education. How did this period affect your reading habits? Was there a book that made you travel during lockdown?

A.  Yes, I found out an author who didn’t know: Eshkol Nevo. One of my friend gifted me 3 books of him that I literally devoured, then I continued reading his other books. Reading helped me during the lockdown.

 

Q.  Lastly, what question do you wish we had asked you? (And of course, how would you reply if we had?)

A.  This is the easiest! I wish you had asked me: have you ever think writing a book? And for sure the answer would have been: it is my dream in the drawer.

 

Quick One-Book Q&A:

1 book that changed your life:

In search of lost time”, Marcel Proust

 

1 book that you always offer to people:

Embers” of Marai, short but intense. Always much appreciated.

 

1 book you “obliged” your children to read: 

No one! I don’t want to constrict anyone. I used to give lessons with examples, even if in my case, it haven’t worked at all.

 

1 book that’s always on your bedside table:

Tales” of Chekhov

 

1 book you’d love to have written:

The art of joy” , Goiarda Sapienza

 

1 book that influenced a decision you took in your life:

The art of loving”, Erich Fromm

 

 

FOTOS/PHOTOS: Courtesy of Francesca Ruffini.

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