Porque Eu Acho Que Nenhum Casal Entende Quando Escuta “Espera Para Ter Filhos”.

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No fim de uma consulta, meu ginecologista me disse que “um casal só está preparado para ter filhos quando estiver preparado para ter problemas” – achei o máximo e cheio de sabedoria, mas na época (uns 8 anos atrás), eu projetava esses problemas para anos a frente, tipo na adolescência, e problema pra mim era lidar com drogas e filhos desinteressados pelo mundo. Acho que nenhum casal entende quando escuta “espera para ter filhos”. Um bebê muda a dinâmica de toda uma família, pais, avós e tios incluídos. A gente não sabe como as pessoas ao redor da gente vão se comportar e temos que lidar com as expectativas delas além das nossas questões como pai e mãe.

 

 

Antes de ter filhos, você é uma pessoa. Com a sua rotina, as suas manias e hábitos que te fazem bem (ou não). No dia que você chega em casa com seu bebê, você vira a última prioridade da sua vida e assim segue por alguns meses (juro que melhora com o tempo). A sua então rotina, é totalmente quebrada por necessidades vitais de outro ser humano que depende 100% de um adulto sensato. É como começar um emprego novo que te consome durante 24h ou uma recomeçar a vida em outro lugar sem falar a língua e não conhecer ninguém. Uma mudança brusca na sua rotina, fora ficar sem dormir e lidar com hormônios loucos que passam a te comandar como se você não tivesse nenhum domínio sobre seus sentimentos.

 

 

Mas é na hora de começar a tomar decisões pelo seu bebê que você sente o peso do que é ter um filho. Primeiro porque na verdade a gente não tem ideia do que está fazendo, seguia a minha intuição e ouvia aquilo que eu achava que fazia sentido pra mim. Depois porque você tem que ponderar a sua decisão com as de outras 5 pessoas que de uma hora pra outra viram juízes de opinião. O normal aqui é que você faça aquilo que aprendeu dentro de casa, a gente acaba virando um espelho das nossas mães. Ou o contrário, quando a gente faz exatamente o oposto. E é nessa hora que começam os conflitos. Quando os filhos nascem, a essência da nossa criação explode, a nossa e a do marido. E quando elas são muito diferentes, fica muito difícil encontrar a base da criação que o casal quer passar para os filhos. Com a gente, foi exatamente assim. Minha mãe e minha sogra são diametralmente opostas em praticamente todos os aspectos. E as duas são muito presentes. É impossível agradar a uma sem instigar uma reprovação na outra. As duas precisam verbalizar o que pensam e o que sentem e até a gente aprender a lidar com a opinião delas sem afetar a nossa dinâmica demorou muito. Ainda estamos aprendendo.

 

 

Supondo que a gente não tenha nenhum problema “de verdade” – o que é meio ilusório, qualquer tomada de decisão pode virar o tal problema que o Dr Eduardo falava. O maior desafio pra mim é aceitar que qualquer decisão que eu tomar vai ter algum efeito nos outros que pode não agradar, e tudo bem ser assim – to falando de coisas bem triviais, tipo a hora do banho, esquentar ou não a mamadeira, se a criança fica no carrinho ou no tapetinho e por aí vai… por incrível que pareça, essas questões são catalisadoras de discussões homéricas. O que eu aprendi é que pelos meus filhos, preciso bancar as decisões que eu fizer e passar segurança pra eles acima de qualquer coisa. Eles não podem se sentir inseguros e perdidos e nem podem sentir isso em mim ou no M.

 

 

E aí que meu maior desafio é aprender a não dar a mínima para o meu sentimento de querer que todos concordem comigo e me achem uma mãe incrível. De alguma forma, essa necessidade de buscar aprovação reflete alguma insegurança minha. Mas reparem que isso é bem diferente de não dar a mínima para a opinião dos outros. Eu aprendo muito e escuto quando as intenções vêm de um lugar positivo, mas confesso que não admito muito isso. Sou um pouco rebelde na hora de bancar as minhas decisões e sei que isso incomoda. Mas se for para criar um ambiente seguro para as crianças, está valendo.

 

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Rosa Zaborowsky

by Rosa Zaborowsky

Editor & Founder of Lolla.

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