IMG 5229 1200x1500 - Paris Fashion Week: Lovely Fashion Moments

Por Maria Fernanda Nascimento 

A maior e mais renomada fashion week se encerrou nesta semana. Paris abriu as portas para as tradicionais maison parisienses e outras grandes marcas desfilarem pela cidade do croissant, macarrons, do amor e da moda. A semana de moda de Paris aconteceu pela primeira vez em 1973 – a chamada Batalha de Versalhes – organizada pela Fédération Française de la Haute Couture et de la Mode, um evento beneficente no Palácio de Versalhes.

Setembro é o mês da moda. O mês no qual as tendências aparecem e definem o que veremos pelos próximos meses. Neste ano, diferente do ano passado, os desfiles aconteceram presencialmente. O mês finalizou com a Paris fashion week, as ruas de Paris respiraram moda ainda mais intensamente.

 

Dior

Começando com a francesa Christian Dior, por Maria Grazie Chiuri, dividiu opiniões. A diretora artística trouxe inspirações de 1961. Muitos ternos com minissaias (olha só uma tendência presente em mais desfiles), uma atmosfera retrô presente na mulher Dior. “Algo gráfico e limpo, mínimo e positivo. Porque acho que temos que dar uma visão otimista para o futuro.” relata a diretora. Ela diz que a moda é como um jogo, com partes sérias e divertidas, e o show é uma arte performática. Maria Grazie se juntou com a artista italiana Anna Paparatti, de 85 anos, que providenciou o cenário com a presença da pop art, o ambiente estava como um jogo de tabuleiro, em círculo com casas numeradas e coloridas, e as modelos circulavam como peças. A coleção trouxe novamente o New Look, uma silhueta reta e simples, o clássico, parte do legado de Christian Dior, aquele que revolucionou a época.

 

Saint Laurent

Saint Laurent estava na boca de todos os que passavam pela avenida e na mesa de café da manhã dos que estavam presentes. Com a instalação e o cenário na base do Trocadero ao pôr do sol, junto a Torre Eiffel e do outro lado o Senna. O retorno ao desfile presencial foi de desfiles digitais em cenários exuberantes como deserto e praia, ao mesmo nível e representação da Saint Laurent. Anthony Vaccarello dedicou o verão 2022 à Paloma Picasso, musa do fundador da Maison que a inspirou na criação da coleção de 1970, e filha do nobre pintor cubista. Vaccarello tem trazido o passado de Saint Laurent há algumas. Dessa vez trouxe referências das décadas de 70, 80 e 90. Estampas florais, acessórios, sua alfaiataria impecável, cores e muitas delas do passado (como o apaixonante azul majorelle nas luvas e presente em outros looks) que relembram a casa de Saint Laurent, no Jardin Majorelle em Marrakech, no qual foram pintados e desenvolvidos pelo pintor Jacques Majorelle (yes that´s why the name). Curiosidade: hoje se tornou um museu das obras de arte de Yves e Pierre Berge.

 

Balmain

Balmain fez seu desfile como um show. Apresentado para 6 mil pessoas, reuniu Naomi Campbell, Natalia Vodianova, Lara Stone, entre outras supermodelos. Celebrou os 10 anos de Oliver Rousteing na frente da Balmain, o menino prodígio. Ele foi o designer mais jovem a se tornar diretor criativo de uma marca – na época ele tinha 25 anos – além de ser único negro e gay frente a uma casa francesa. A coleção apresentou looks de womenswear e menswear. Muita silhueta marcada, sexys looks, texturas e muito recorte (tendencia muito forte vindo aí). E para finalizar a coleção, ninguém mais que Carla Bruni, ex primeira-dama da França, apareceu para fechar o Balmain Festival!

 

Valentino

Valentino apresentou um pouco da vida parisiense. O cenário apresentou barracas de flores, tradicionais cadeiras de bistrô e mesas nas quais os convidados eram servidos com vinho pelos garçons. Uma infusão de discoteca, Pierpaolo Piccioli incluiu na coleção lantejoulas douradas, cores fortes, jeans largos e mangas brilhantes. O diretor trouxe muito do passado da marca e referências aos anos 80.

 

Alexandre Vauthier

Vestidos de festa fazem com que seja lembrado o nome de Alexandre Vauthier. O designer apresentou vestidos de strass e plumas reforçando o DNA da marca. Muitos looks pretos, brancos e tons de azul, verde e fúcsia. Vestido sem alças em lantejoulas pretas enfeitado com penas de avestruz e uns muitos vestidos aparentemente simples para a noite, mas que com certeza serviria para uma tarde em cidades de praia. Quem disse que minimalismo e glamour não andam juntos?

 

Vivienne Westwood

Andreas Kronthaler, diretor criativo da Vivienne Westwood, fez uma limpa (como todos em isolamento) dos tecidos do ateliê e uniu nesta coleção, reforçando o compromisso contínuo de Westwood com a sustentabilidade. 8% dos materiais são de baixo impacto não há tecidos sintéticos virgens. As lãs vêm de fazendas de “agricultura regenerativa”, lugares que preservam a saúde do solo e o bem-estar das ovelhas. Os espartilhos se apresentaram em vestidos justos, vemos a presença de listras náuticas e nós de marinheiro impresso a laser em jeans e tecido por meio de tops ajustáveis ​​construídos. E claro, seguindo o DNA da marca, o punk esteve presente, não de forma aparente, mas não tinha como não estar por lá.

 

Balenciaga

O que falar sobre Balenciaga? Demna Gvasalia manteve o digital o inserindo no presencial. Com uma passarela vermelha, os convidados passavam por ela para assistirem ao telão que transmitia o tapete vermelho. Enquanto os convidados passavam, os modelos também e já não sabia mais quem era quem. Celebridades se passando por modelos e modelos por celebridades. As imagens ao vivo ampliam os rostos, roupas gastas, sapatos, botas, joias e bolsas. Pelas redes sociais vimos a repercussão do desfile através da jogada que Os Simpsons fizeram sobre. No final da apresentação, o episódio foi transmitido passando um desfile da marca e várias celebridades como convidados. “Porque eu sempre amei Os Simpsons, por toda a sua natureza irônica e o lado um pouco romântico e ingênuo dele”. Demna, nós também amamos a natureza irônica.

 

Elsa Schiaparelli

Elsa Schiaparelli e Salvador Dalí eram amigos e chegaram a trabalhar muitas vezes juntos, não é atoa que suas criações trazem o surrealismo, no qual Daniel Roseberry insere até hoje. O mais incrível do diretor criativo, é que em todas suas coleções a presença de partes do corpo e surrealismo estão presentes, e em cada uma delas somos surpreendidos por algo novo. A coleção contou com um bolero inflável de couro preto e cinto combinando, parka inflável completo com válvulas de ar, vestido de malha justa com detalhes em relevo na forma do famoso vestido de caixa torácica de Salvador Dalí, e sutiãs cone à la Gaultier em couro, jeans e seda dispostos em espirais como as pétalas de uma flor.

Chanel

E chega a vez da clássica Chanel. A marca construiu uma réplica do espaço do Grand Palais (yes baby) no Champ de Mars porque o Grand Palais está sendo reformado. Eles mostraram alguns vídeos na entrada, e o desfilo foi apresentado em uma passarela elevada lembrando os anos 1980 no qual as modelos desciam pelas pistas altas, e a presença de fotógrafos por toda parte, como antes que lutavam por uma posição privilegiada. “Eu costumava adorar o som dos flashes disparando nos shows dos anos 80”, relembrou a designer Virginie Viard. Fomos surpreendidos por looks de praia preto e branco (for sure eles virão com tudo, para todo o momento), claro os tradicionalistas tweed, bolsas em formato de garrafas N ° 5 e saltos Louis. Virginie divide opiniões, mas essa coleção pegou muitos de surpresa (positivamente falando).

 

Miu Miu

Miuccia Prada, acomodou seus convidados em cadeiras de trabalho e ofereceu looks pós pandemia. Um guarda-roupa de volta ao trabalho. Minissaias e top corporativos, sutiãs e uma saia lápis, com o elástico de sua calcinha aparecendo. As referências aos anos 2000 e a década de 80/90 não está perto de acabar. Até lembrou a Gisele Bündchen no filme “Táxi”.

 

Louis Vuitton

Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton, escolheu a estética teatral. O desfile foi apresentado no Louvre. Com vestidos com anquinhas, longas capas com plumas e óculos-máscara, looks modernos e presença de cortes. Mas, o que chamou mesmo a atenção, foi um manifestante que entrou segurando um grande pôster que dizia “consumo excessivo = à extinção”, militante do Extinction Rebellion, movimento internacional de desobediência civil contra a mudança climática. Afinal, moda é protesto também!

 

A temporada foi finalizada de forma emocionante. Em abril deste ano, Alber Elbaz, designer de moda e estilista da Lanvin onde ficou por 14 anos, morreu em decorrência de covid-19. Em janeiro, ele lançou sua AZ Factory, com apoio do grupo suiço Richemont. Em sua homenagem, a grife organizou um grande desfile, nos moldes do Théâtre de la Mode, com mais de 60 costureiros franceses. Ao todo, foram 44 estilistas e marcas convidados para criar um look inspirado em Alber ou em seu trabalho. Balenciaga, Balmain, Louis Vuitton, Lanvin, Saint Laurent, Schiaparelli, entre outras. Essa foi a primeira vez na história recente que tantos nomes trabalharam juntos numa única coleção ou apresentação. No final, as luzes se apagaram e a passarela passou a apresentar uma coleção feita pelo time da AZ Factory. Contou com os principais códigos de Alber Elbaz, como os laços enormes, volume, cores..

A última a entra foi Amber Valletta, sua modelo preferida. Emocionada, ela fecha o desfile sob uma chuva de papel vermelho picado em forma de coração. Quantos designers receberiam tamanha homenagem? O mundo da moda realmente me emociona!

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