NETFLIX AND CHILL? O melhor do True Crime nos Streamings para relaxar. Por mais estranho que isso soe.

Marina Camargo

Você sabia que a produção de séries e documentários do gênero true crime foi a que mais cresceu nos últimos anos? E tem mais... segundo a empresa de rastreamento de mídia global Parrot Analytics as mulheres representam 70% dos expectadores deste tipo de conteúdo. Confesso que fiquei surpresa com esse dado. 

Desde os tempos de faculdade me interesso muito pelo tema, não por menos sou especialista em direito penal e criminologia, que é a ciência que estuda todos os elementos do crime e tenho quase dez anos de experiência na área.

Aí você me pergunta “nossa, mas que pesado, o que você faz para relaxar quando chega em casa?” e eu respondo: assisto um documentário de true crime, é claro! 

Brincadeiras à parte é claro que é um tema pesado, mas ao meu ver, muito do sucesso desse gênero se deve à curiosidade de conhecer a mente de um criminoso. Acredito, também, que ver o pior do ser humano serve como um lembrete da efemeridade da vida. Explico: em um segundo tudo pode mudar, então saber que algo de ruim pode acontecer a qualquer momento nos faz valorizar as coisas simples do dia-a-dia. Um pouco “Poliana” da minha parte? Pode ser... mas prefiro acreditar que até do mau podemos extrair algo de positivo.

Então, com conhecimento de causa, preparei essa lista com o top 3 dos meus true crimes preferidos, subdivididos em quatro categorias: leves, médios, pesados e brasileiros. 

Leves

Para quem está começando a se interessar pelo gênero ou não tem estômago para histórias mais gráficas:

1- Fake Art

Documentário sobre o maior golpe no mercado da arte nos Estados Unidos. Conta a história de uma suposta art dealer de Long Island que conseguiu convencer a diretora de uma das mais cultuadas galerias de Nova York a vender obras falsas de grandes pintores do expressionismo abstrato. O prejuízo foi de milhões e a autenticidade de algumas obras de Rothko e Pollock são questionadas até os dias atuais. Disponível na Netflix.

2- American Crime Story: o povo contra OJ Simpson

Baseado no julgamento do ex-jogador de futebol americano OJ Simpson, acusado do assassinato de sua ex-mulher Nicolle Brown e um amigo. Esse foi um dos primeiros julgamentos midiáticos da história (oh, hey JD x AH) e o seu resultado é questionado até hoje. Disponível no Starplus.

Fun Fact: o David Schwimmer (a.k.a Ross do Friends) interpreta o Robert Kardashian, sim, ele mesmo, o patriarca do clã Kardashian, que era advogado e amigo pessoal de OJ.

3- Bling Ring: a história por trás dos roubos

O documentário apresenta a versão dos fatos de dois dos principais membros da gangue que em 2009 foi presa por roubar casas de celebridades. Entre as vítimas estão Orlando Bloom, Rachel Bilson e Lindsay Lohan. Disponível na Netflix

Fun Fact: a história da gangue Bling Ring inspirou o filme de mesmo nome da brilhante Sofia Coppola. O elenco conta com a atriz Emma Watson e imagens reais da casa da Paris Hilton em L.A. Puro suco dos anos 2000! 

Médios

Para quem busca um pouco mais de adrenalina e quer se aprofundar na mente humana.

1- Mindhunter 

Dois agentes do FBI revisam casos famosos dos anos 70, com foco em entrevistas com serial killers com o intuito de entender as mentes desses criminosos. O meu episódio preferido é do Charles Manson. Disponível na Netflix.

Fun Fact: a seita do Charles Manson inspirou o genial “Once Upon a Time in Hollywood”, do Tarantino e uma série underrated que eu adoro chamada “Aquarius”, estrelada pelo David Duchovny.

2- Wild, Wild Country

Talvez a indicação mais polêmica por mostrar um lado não tão conhecido e muito incômodo do guru indiano Osho. O documentário acompanha a construção de uma comunidade utópica no deserto do Oregon e explora o absoluto oposto do “peace and love” da sua filosofia. Osho faleceu no ano de 1990, mas é, até os tempos atuais, admirado por muitos e tem seguidores fervorosos ao redor do mundo. Disponível na Netflix.

3- Cecil Hotel 

Retrata o desaparecimento de uma turista canadense no infame Cecil Hotel em Los Angeles, que é cercado por mistérios e teorias da conspiração. Na época em que os fatos ocorreram a repercussão na internet foi tão grande que várias pessoas mergulharam de cabeça nas investigações. Disponível na Netflix.

Pesados

Prescindem de maiores considerações. Prepare o estômago e, de preferência, não assista antes de dormir.

1- Jeff Dahmer: um canibal americano

Sem dúvidas o mais pesado de todos e olha que meu estômago é forte. Jeff Dahmer assassinou 17 jovens entre 78 e 91 e cometeu outros crimes horrorosos, que nem cabe aprofundar por aqui. Disponível na Netflix.

(not so) Fun Fact: a repercussão da série foi tanta que as famílias de algumas vítimas e o pai do próprio Dahmer cogitam processar a Netflix.

2- Ted Bundy: a irresistível face do mal

Uma versão hollywood dos crimes cometidos por Bundy na década de 70. Com mais de trinta assassinatos confessos, dentre outros crimes, Bundy é considerado um dos maiores serial killers dos Estados Unidos. Nesse filme ele é interpretado pelo Zac Efron e uma de suas ex-namoradas, que acreditava cegamente em sua inocência, é interpretada pela Lilly Collins. Disponível na Netflix. 

(not so) Fun Fact: após a gravação do filme a Lilly Collins afirmou ter sido “visitada” por espíritos de algumas das vítimas de Bundy.

3- Unsolved

Investigadores tentam encontrar os responsáveis pelas mortes de dois dos maiores rappers do mundo: Tupac Shakur e Notorius B.I.G. Mesmo que, assim como eu, você não seja grande conhecedora do gênero, é inegável o legado musical de ambos e a relevância que têm até os dias atuais. Disponível na Netflix.

PS.: Não me culpe se você se pegar no carro, indo buscar um matcha latte, cantando a dirty version de Hit Em Up do Tupac. Acontece nas melhores famílias.

Brasileiros

Aqui as sinopses se fazem desnecessárias, pois são crimes que marcaram a história do Brasil e mesmo “sem querer” conhecemos os envolvidos:

1- Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez. Disponível na HBO Max.

2- O Menino que Matou Meus Pais e a Menina que Matou os Pais. As versões dos depoimentos de Suzane Von Richtofen e dos Irmãos Cravinhos sobre o crime ocorrido em 2002. Disponível na Amazon Prime Video.

3- Elize Matsunaga: Era uma Vez um crime. Disponível na Netflix.

Dica bônus: o podcast “Praia dos Ossos” da Rádio Novelo que revisita o assassinato de Ângela Diniz em 1976 e o julgamento de Doca Street, seu então namorado e assassino confesso. Disponível no Spotify.

Disclaimer: Eu tendo a me interessar por essas figuras “misteriosas” que levam pessoas à fazerem atrocidades em nome de seus ideais, mas acho um absurdo o status de “celebridade” que algumas ganharam. 

Ao meu ver o true crime diz muito mais sobre a fragilidade das instituições, fundamentalmente da Justiça, do que sobre os criminosos em si. É importante, também, lembrar que os reflexos de um crime vão muito além de suas vítimas diretas e afetam, inclusive, a maneira como nós vivemos em sociedade.

 É claro que nenhuma das séries ou documentários consegue se aprofundar nos motivos e extensão dos eventos, mas são ótimas para um panorama geral dos acontecimentos. ENJOY!!!  

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