b90b5b39a06322c8179600cfae1eb986 - MENTAL HEALH Masculina: Onde estão as redes de apoio para os HOMENS?
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Onde estão as redes de segurança emocional para homens? Outro dia me peguei conversando sobre isso com algumas amigas. Falávamos sobre como muitos deles se sentem sozinhos e tristes e que muito da solução para este problema, é algo que poucos têm, mas muitos precisam: redes de apoio emocional – entre si. Hoje o intuito é provocar uma reflexão sobre o conceito de masculinidade. Onde estão as redes apoio emocional para homens? Até quando vamos ver a ‘masculinidade tóxica’ por aí? 

Enquanto pensava sobre o tema, me lembrei da campanha da Gillette de 2019 que desafiava os homens a confrontar questões como bullying e o #MeToo, e a abandonar a mentalidade de ‘meninos serão meninos’. Apesar de um boicote por parte de muitos homens, a marca disse que encomendou um estudo com 1.188 adultos e descobriu que os resultados “enfatizaram a importância descomunal das habilidades ‘soft’ no homem moderno de hoje.”  

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Campanha Gillete, 2019

Estatisticamente, as mulheres têm maior probabilidade de serem diagnosticadas com depressão ou ansiedade, já que costumam demonstrar o que sentem, mas ‘não é como se elas nascessem com uma gama de centenas de emoções e os homens pularam essa distribuição de genes no nascimento.’ A verdade é que a sociedade ao longo do tempo condicionou os meninos a acreditarem que expressar seus sentimentos está em desacordo com a identidade masculina e arruinaria a imagem de serem fortes. Desde pequenos eles cresceram ouvindo ‘Boys Don’t Cry’ e ‘Suck It Up’. Tudo isso culmina na triste realidade de que muitos homens podem contar com amigos íntimos quando se trata de conselho e segurança física – mas não emocional.

Mas onde está a raiz do problema e dessa adesão às normas masculinas pelos homens? De acordo com o estudo irlandês, “Death Rather Than Disclosure”, de 2005, o problema não está na relação entre pai e filho, e sim na qualidade dos relacionamentos de um homem com seus amigos. O que acontece é que o aumento da masculinidade hegemônica fez com que o número e a qualidade das amizades despencassem. E é sobre essa falta de redes emocionais que estamos falando. Elas geram implicações negativas para o bem-estar mental dos homens, elevando o alto risco de suicídio.

De acordo com uma pesquisa, 30% dos homens experimentarão um período de depressão em algum momento de sua vida, e cerca de 9% dos homens relatam ter sentimentos de depressão ou ansiedade todos os dias. Um em cada dez homens, hoje, está tomando antidepressivos e essa é a maneira que os médicos os encorajam a lidar com a emoção negativa que experimentam ao longo da vida – suprir ou entorpecer os sentimentos de tristeza, pesar ou impotência, causando ainda mais danos a eles próprios. 

Felizmente, campanhas vêm sendo feitas a respeito. Diversos líderes de mídias digitais e tecnologia, recentemente, adotaram pequenos grupos exclusivamente masculinos para expressar seus sentimentos. É o caso da plataforma gratuita tethr.men, um grupo de apoio individual online para homens do mundo todo em busca de apoio emocional ou da organização Tomorrow Man. Outra iniciativa eu adorei conhecer, é o prazerele, ‘um espaço para falarmos sobre a desconstrução do machismo através de diferentes perspectivas, caminhos possíveis e prazerosos’. 

Como já dizia Barack Obama, é preciso trazer a solução para o “modelo autodestrutivo de ser homem”, no qual o respeito é conquistado por meio da violência, afinal, a força de um homem não precisa ser mostrada colocando outra pessoa no chão e sim, levantando-a. O respeito não deve ser conquistado por meio da violência.  

 

O QUE PODEMOS FAZER SOBRE O ASSUNTO?

Não existe receita de bolo, mas aqui vão algumas dicas:

  • Terapia: incentive seus amigos e parceiros a fazerem terapia e conversarem com os amigos sobre real problems;
  • Dar abertura para seus amigos e parceiros se expressarem e se mostrarem vulneráveis. A dica aqui é criar o ambiente para isso e escuta ativa!
  • Não associar comportamentos como choro e sensibilidade com ausência de masculinidade. Não faça piadas ou tire sarro.
  • Sugerir um dos 5 apps para a saúde mental masculina.
  • Ler o livro ‘Better Boys, Better Men’ para entender melhor sobre o assunto.

 

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Texto adaptado da Newsletter Eat Your Nuts para o Lolla

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by Beatriz Muroch (Eat Your Nuts)

Be Muroch é uma comunicóloga paulistana, morando em Londres, onde se dedica para sua newsletter semanal e instagram @EatYourNuts, sobre atualidades e assuntos criativos que rolam pelo mundo.

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