Lost in Translation: A difícil arte de se fazer entender na nossa e outras línguas.

Helena Vilela

Quando Rosa sugeriu o tema do mês de Agosto do Lolla fosse “Conversations”, logo pensei em Lost in Translation e como esta deveria ser uma pauta. Sabe quando vc está falando algo (em outra língua) e na sua cabeça está tudo certo mas na realidade não está sendo entendido ou está sendo mal interpretado? É sobre isso que vou escrever.

É inegável não associar a expressão ao título do filme de Sofia Coppola, de mesmo nome. Aliás, eu amo aquele filme, mas o que mais me chamou a atenção recentemente foi a descrição dela acerca do filme como “things being disconnected and looking for moments of connection”. Acho que isso é o que ocorre na nossa cabeça as vezes, especialmente quando estamos imersos num lugar onde a língua falada não é a nossa. 

Você também fica cansada de tanto falar inglês, francês, alemão ou que seja? Parece que a cabeça pesa, né? O controle e o cuidado com a língua, tanto para não cometer deslizes como para não perder nada. Numa busca rápida no google, descobri que temos pouco mais de 7 mil línguas no mundo. Sendo as mais falados o Inglês e o Mandariam. Quando eu estudei Mandarim, há quase 10 anos atrás, eu lembro que Ma poderia significar 4 coisas diferentes de acordo com a entonação utilizada. Tipo: Cavalo e Mãe estavam dentro as opções…. imagine o nível da complexidade do idioma para quem está aprendendo.

Por causa do doutorado e da minha produção em diferentes línguas, tive a oportunidade de fazer uma sessão de terapia voltada para mentes bilíngues. A Psicóloga que me atendeu me ensinou uma frase muito simples que deveria ser repetida na vida: “meu inglês nunca será perfeito porque eu não nativa”. Se a arte do diálogo já é complicada na nossa própria língua, eu acho que ela fica ainda mais complicada em outras. 

Eu convivi diariamente com alguns amigos poliglotas durante um período de tempo. Me arrependo de não ter insistido em falar mais francês com eles, o meu está bem enferrujado, confesso. Mas uma coisa que eu aprendi e que vou levar comigo pra sempre é que o importante é se fazer entendido. E, obviamente, não ter problema em pedir desculpas. Essa “humildade para aprender”, como disse um deles, é o que nos leva para longe. Admiro muito todos os que se aventuram em aprender uma nova língua. Admiro ainda mais os que não tem medo se expôr e erram, e está tudo bem. Encontros e desencontros acontecem a todo momento.

Acho desafiador e também encantador a possibilidade de aprender uma nova língua. Conheço quem tenha aprendido ouvindo fita cassete, lendo o dicionário, estudando em escola bilíngue ou escola particular. Há aqueles que aprenderam convivendo, pegaram a mochila e foram. Quando falamos em Global Mindset, falamos em  sermos curiosos e abertos para novas culturas e experiências. Acredito que aprender uma nova língua é o caminho mais rápido para adentramos uma cultura diferente.

Uma cena marcante para mim, era estar sentada e ver um amigo ligando para a namorada e falando com ela em mandarim para que pudessem treinar o idioma, sendo que a língua materna dos dois era o francês. Naquele momento eu pensei em todas as outras linguagem existentes, e que não precisam de palavras faladas, como a corporal, por exemplo. Nos encontros que acontecem pelo mundo, você já imaginou alguma vez que a língua fosse impeditivo para qualquer forma de amor? Quantos casais não aprendem uma nova língua para entender melhor o outro? Quantos amigos não aprendem palavras para melhor se comunicar com o outro? Entre erros e acertos, nos encontramos pelo mundo.

Vocês falam outras línguas? Como praticam? 

Photos: Lost in Translation

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