5c8a2e147fa44c9bde0024ee.format webp.width 2880 gRnUjyiGmKAflJnp - Lolla Writers Room: E no Penúltimo Dia do "The Tale of Having It All Month", Eu Tive uma Crise de Pânico
Stefhany Lozano

Começo esse relato horas depois de tido a primeira crise de pânico da minha vida. Não estou 100% certa da melhor maneira de lidar com ela, mas acredito que o melhor caminho seja tentar entender o que me levou até aqui.

A pretensão desse relato não é ser um desabafo, muito menos um exercício terapêutico, por isso optei por permanecer anônima. Escrevo como um alerta, como uma amiga que te ama e às vezes precisa falar mais duro: GIRLS, WE CAN’T HAVE IT ALL. 

Meu coração acelera enquanto escrevo, pois lembro dos sintomas físicos que senti: tontura, tremores, taquicardia, boca seca, choro descontrolado, calafrios. Isso sem contar os mentais: sensação de não ter controle sobre mim mesma e muito medo.

Infelizmente eu precisei chegar nesse ponto para repensar minhas escolhas e prioridades, que eu já sabia que estavam equivocadas, mas ia levando… até que hoje meu corpo me disse “chega!”.

Um adjetivo que sempre caminha ao meu lado é “forte”. Inclusive é uma característica da qual eu sempre me orgulhei, junto com a independência. Hoje eu vejo que ele pode ter me levado para um lugar perigoso de achar que eu tenho SEMPRE que dar conta de tudo. Com certeza muitas mulheres se identificam com esse sentido e por isso eu digo, do fundo do coração, você não “tem que” NADA. 

É claro que a vida e nossas escolhas nos trazem responsabilidades, porém precisamos entender, de uma vez por todas, que é humanamente impossível dar conta de tudo sempre. Fazendo aquela velha analogia dos pratinhos: nem sempre todos vão estar girando em perfeita harmonia. De vez em quando vamos ter que deixar um de lado para poder focar naquele que mais precisa da nossa atenção.

No meu caso em específico fui me deixando de lado para cuidar de muitas outras coisas e pessoas e hoje meu pratinho do “eu” quebrou. Hora de respirar fundo, olhar para dentro e cuidar de mim. Sei que para isso terei que dizer muitos “nãos” doloridos, mas é o que preciso no momento. 

Abro essa minha fragilidade para vocês, que sinto como minhas amigas, para lembra-las que querer abraçar o mundo pode ser perigoso e que não precisamos ser perfeitas em tudo que fazemos para sermos felizes. Se você está se sentido overwhelmed busque ajuda, aprenda a delegar, a dizer “não” e a se priorizar. You’re the most importante person in your life. <3

Image: Uma obra da artista Stefhany Lozano, da série Kurz Davor, sobre ataques de pânico e como ela se sente convivendo com eles.

  1. Querida, eu não sei quem você é, mas já queria te dizer mesmo assim, obrigada e eu tenho orgulho de você. Eu tenho passado por coisa bastante semelhante, e entendi já que parte do que estou passando tem a ver com ser “forte”. Eu literalmente tenho essa palavra tatuada em mim desde os 18 anos, e hoje vejo que não me permitir pensar na vulnerabilidade, minha e de todos ao redor, me causou grande sofrimento. Também não sei a resposta mágica da equação, acho que ela não existe. Mas certamente passa por nós permitimos sentir a vulnerabilidade, e entender que todos precisamos de ajuda. Um beijo pra você e fique bem. :*

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