julie maternidade 02 lolla - A Jornada de Fertilização in Vitro de uma Fotógrafa de Família
Olá! Eu sou a Julie. Gostaria de contar um pouco de como foi a minha trajetória até a gravidez. Sempre foi meu sonho e nunca imaginei que fosse tão difícil chegar até aqui. Lia sempre histórias de sucesso, e isso dava um gás para continuar, mesmo tendo muito medo. Gosto de compartilhar minha história, poder inspirar outras mulheres que estão passando pela mesma situação.

Acho que esperei a vida toda por esse momento. Sempre tive medo de não conseguir ter filhos, e encarei um processo longo e difícil pelo qual jamais imaginei passar. Sou casada com a Danielle, estamos juntas há quase 7 anos. Como já sabia que nosso processo seria por reprodução assistida, achei até que seria mais fácil de engravidar. Ledo engano. Entendi durante o processo que apesar de eu não ter nenhum impedimento para engravidar, a minha idade não estava a favor. Tinha 37 anos.

Fizemos 4 fertilizações in vitro (FIV ou IVF). Na primeira vez, estávamos muito animadas. Eu estava super convencida que ia dar certo. Transferimos 2 embriões, cheguei a engravidar porém, na mesma semana do positivo tive um aborto expontâneo. Fiquei muito mal. E pra “melhorar” a situação, a gente tinha falado pra muita gente sobre o tratamento. Isso só gerou mais ansiedade e frustração. Depois de alguns meses fomos para a 2° fiv. Dessa vez a médica sugeriu fazer biópsia dos embriões para evitar passar por outro aborto. Fizemos. Os embriões eram cromossomicamente anormais, ou seja, não geraria gravidez. Foi um soco no estômago. Nessa hora comecei a me questionar mas nada tirava minha vontade de continuar tentando.

Na terceira vez, nós duas estávamos muito confiantes, afinal já era a hora de dar certo né? Foi uma rasteira enorme que tomamos. Embrião anormal novamente. Dessa vez fiquei muito mal mesmo.
Mistura de muitos hormônios das medicações, juntando com o lado financeiro que é super puxado. Tudo te leva a querer desistir. É um caminho muito tortuoso. Voltei para terapia, dei um tempo maior para descansar a cabeça e já pensava em planos b, c e d. Me questionei muito durante esse tempo, mas sempre tinha esperanças. Voltei a ficar positiva para tentarmos pela última vez.
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Final de fevereiro de 2020, fomos para nossa 4° fiv. A “idade materna avançada” me assombrava. Estava a poucos meses de completar 39 anos. Queria poder voltar no tempo e ter começado tudo isso antes, ou até mesmo ter congelado meus óvulos. Fiz tudo que estava ao meu alcance. Mudei completamente a alimentação, fiz acupuntura especializada toda semana, acompanhamento com nutricionista. Agora estava nas mãos de Deus. Um pouco antes de começar a quarentena soubemos que um embrião era saudável. A alegria não cabia no peito. Era uma etapa vencida.

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Durante esse tempo fiz alguns outros exames complementares e esperamos mais dois meses para a questão do covid dar uma “acalmada”. Transferimos nosso lindo e perfeito embriãozinho em julho. Foi uma montanha russa de sentimentos desde então. Ninguém alem dos médicos sabiam. Ninguém mesmo. Resolvemos falar para a família só depois do 2° beta hcg. O teste de sangue era só na segunda-feira, mas na sexta decidi fazer o teste de farmácia.

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Deu positivo na hora. Mas como sou ansiosa, fiz sábado e domingo também e todos iguais. Mesmo com aqueles positivos na cara, ainda tinha medo. Na segunda feira, dia 27 de julho, fizemos o 1º beta hcg e quando vimos o resultado super alto, aí sim acreditei. Choramos Muito.

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Seremos mamães♥️ Finalmente chegou nossa vez. Depois de anos e anos fotografando gestantes, partos, etc… agora seria a minha vez de estar do outro lado. Fico tão emocionada de contar o meu final feliz. Sei que o assunto infertilidade assombra, tem gente que não gosta de comentar, mas pra mim foi bom. Me inspirei em outras histórias, e espero ajudar, nem que só uma pessoa, contando a minha. Eu consegui. Nós não desistimos.

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Photos: Aline Inagaki


English version

Hi!!

I´m Julie. I would like to tell you a little bit about my way to my pregnancy. It was always my dream and I never thought that it would be so hard getting here. I always read about success stories and that gave me fuel to keep going, even thought I was very scared. I like sharing my story to inspire other women going through the same situation.

I think I waited my whole life for this moment.

I was always afraid I wouldn’t have kids and I faced a very long and difficult process, one that I never imagined going through.

Danielle and I are married, and we have been together for seven years.

As we already knew our process would involve assisted reproduction, I thought it could even be easier for us to get pregnant. Silly mistake.

I understood that, during the process, although it wasn’t and impediment on getting pregnant, my age wasn’t on my favor. I was thirty-seven years old.

We did four in vitro fertilizations.

On the first time, we were extremely excited. I was very convinced that it would work. We transferred two embryos, I got pregnant, but on the same week of the “positive” I had a miscarriage. I felt very bad. And to make things even “better”, we had told a lot of people about the treatment. So that lead to more anxiety and frustration.

After a few months we went to IVF #2. This time, the doctor suggested we did a biopsy of the embryos, to avoid going through another miscarriage. We did. The embryos were chromosomally abnormal, so they wouldn’t result in a pregnancy. That felt like a punch in the stomach.

At that point I begun to question myself, but nothing took away my wish to keep trying.

On the third time, both of us were very confident, I mean, it was about time things worked out, right?

That was another wrench life threw at our plans. Abnormal embryos again. This time, I felt really bad.

The mixture of the hormone medications added to the financial side of things is awfully hard. Everything makes you want to give up. It is a very tortuous path.

I went back to therapy, gave more time to rest my head and thought about plans B, C and D.

I questioned myself during all that time, but I always had hope. I felt positive again to try one last time.

By the endo f February, this last year, we went to our IVF #4. The “advanced maternal age” haunted me. I was a few months away from turning thirty-nine years old. I wanted to go back in time and have started all this way before, or even frozen my eggs.

I did everything that I could. Changed my diet completely, did weekly specialized acupuncture and was monitored by a nutritionist. Now, it was on God´s hands.

A little before the beginning of quarantine we found out that the embryo was normal. The joy could not fit inside my chest. We had overcome the first step.

During that time, I did other complementary exams, and we waited another two months for the COVID to slow down a little bit.

We transferred our beautiful and perfect little embryo in July.

It had been a rollercoaster of feelings since then.

No one other than the doctors knew. Nobody. We decided to tell our family only after the second HCG BETA.

The blood test was only on a Monday, but on Friday I decided to do a pharmacy pregnancy test.

It showed positive right away. But since I am an anxious person, I did another one on Saturday, and on Sunday. All the same. Even with all those positive tests, I was still afraid.

So, on Monday, July, the 27th, we had our first HCG BETA test and when we saw the super high results, then I believed it. We cried a lot.

We are going to be moms ♥️.

It was finally our turn.

After years and years taking pictures of pregnant women, births, etc., now it would be my turn to be on the other side.

I get so emotional to share my happy ending.

I know that the subject of infertility haunts, and that some people don’t like to comment, but for me it was good. I was inspired in other stories and I hope to help at least one person by sharing my story.

I did it. We did not give up.

 

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