Insta Detox: Como foi ficar 40 dias sem Instagram

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Em 2015 eu li no site da WGSN o texto “Mindfulness technology”: The devices helping us switch off, que versava sobre o desejo de algumas pessoas em se desconectar e fazer um detox digital num mundo cada vez mais conectado. Pouco tempo depois, na coluna Divã da Vogue Brasil, Hermés Galvão falou sobre seu detox virtual e como foi retomar o contato tête-à-tête, sair de grupos de WhatsApp e terminar alguns livros deixados para trás.

De 2015 pra cá muita coisa mudou. Fechei meu Facebook por mais de um ano, voltei ocasionalmente por conta de grupos e contatos com alguns amigos de fora. Percebi que a previsão da WGSN estava acontecendo de verdade no começo deste ano, quando alguns amigos americanos me relataram que tinham deletado seus apps do Instagram pois perdiam muito tempo na rede social. Uma amiga me disse que só fazia login aos finais de semana, outro disse que deletava o aplicativo e baixava quando sentia vontade, mas que ter o trabalho de reinstalar o app o desmotivou a usar a rede, por isso iria tirar umas férias até o spring break.

Eu achava que mantinha um relacionamento saudável com as redes sociais, até começar a analisar o tempo que gastava nelas por meio do “Your Activity” no celular. Foi um susto ver que o tempo de scrolling, até então inofensivo, era muito maior do que eu imaginava. Reduzi o uso, fazendo logout durante o dia – não deletei o aplicativo logo de cara, mas eventualmente foi inevitável. Em Setembro, em meio à um difícil período de trabalho, tive um pico de estresse. Aproveitei que meu corpo estava sinalizando que eu precisava de uma mudança e optei por fazer várias, inclusive sair das redes sociais.

Meu detox foi em parte inspirado por outra #thelollagirl, Renata Perlman, ao ler seu texto “Sobre estar offline para deixar a vida passar mais devagar”– no qual contou sobre seu detox digital durante uma viagem com a família – e em parte porque eu estava sentindo falta de ler. Eu sempre amei ler, quando eu fazia faculdade, numa época pré-smartphone, eu vivia com um livro na bolsa. Na semana em que decidi começar meu detox eu havia lido um livro inteiro “de uma vez só”, aquilo foi muito prazeroso, me deixou tão feliz! Eu tinha saudade daquela sensação.

Fiz um combinado comigo: ficaria 40 dias sem Instagram. Passei a frequentar a academia para fazer outras aulas que não apenas as de Yoga. Voltei a devorar livros por hobby, como fazia antes, e não apenas os do trabalho. Li sobre mulheres inspiradoras, comecei romances inusitados, me abri para livros de autoajuda que contemplavam como uma mudança de estilo de vida era capaz de fazer maravilhas. Descobri em qual horário meu corpo funciona melhor para cada atividade física e com isso criei uma nova rotina. Passei a desligar o celular entre 21h e 9h, só ligando os dados após realizar a rotina da manhã, um momento de autocuidado que envolve: escrever no diário da gratidão, tomar café, meditar, caminhar com o cachorro e me arrumar. Ao final, mal senti o período que se passou sem Instagram e consegui reduzir em 80% meu uso diário do celular.

É claro que ficar desconectada tem suas desvantagens: perdi fotos dos casamentos de amigas de infância, fiquei sem saber de algumas novidades, não vi em primeira mão a foto do baby de uma amiga e perdi o depoimento lindo de outra que contava sobre como um acompanhamento médico acabou com uma notícia feliz. No entanto, recebi muitas mensagens carinhosas de pessoas falando que sentiam saudades, perguntando se estava tudo bem, convites para um café, enfim… era como se o texto que eu havia lido na Vogue lá em 2015 tivesse se materializando na minha vida em 2019.

Retornar ao Instagram foi muito estranho, parecia que não fazia falta, mas ao mesmo tempo eu estava curiosa! Assim que voltei deixei de seguir várias pessoas, pois percebi que não fazia sentido mais segui-las, e silenciei várias outros. Entendi que minhas influencers preferidas são as minhas amigas e elas estão em destaque no meu app. Coloquei um “daily reminder”, que me avisa quando já gastei meus 25 minutos diários na rede, e percebi como isso me basta. É difícil ultrapassar esse teto que me impus, mas às vezes me permito, especialmente após sair à noite nos finais de semana, ainda assim me habituei ao tempo estipulado.

É óbvio que não tenho o mesmo volume de informação que tinha antes, porém ainda consigo ficar a par do que considero mais importante. Posto muito menos coisas do que postava antes, às vezes passo dias sem postar, e percebi que quando a frequência aumenta é porque estou ansiosa com algo. As pessoas comentam a mudança, não apenas de comportamento, mas a física também, não digo isso pelo peso que perdi com as aulas de bike, mas o semblante leve e o brilho nos olhos. Ah, e o mais importante: voltei ao hábito de ter sempre comigo um livro na bolsa, e isso me faz muito feliz.

Aliás, que livro você está lendo agora? 

Helena Vilela

by Helena Vilela

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