Home Decor e Tudo que eu Quero Mudar em Casa

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Você certamente já ouviu aquele ditado: “Em casa de ferreiro, o espeto é de pau”. Pois é, na minha casa não há, nem nunca houve um projeto de interiores. Eu, arquiteta há 5 anos, na verdade acho que já são 6 anos… Céus, como o tempo passa rápido! 

Demorei dois anos, sem mentira nenhuma, para comprar cadeiras e o sofá… E não foi por desleixo ou dúvida. Talvez depois de tanto tempo trabalhando em escritórios, nos quais eu tinha uma linguagem a seguir, ou com a liberdade de criação que a cenografia me trouxe, eu estava pensando no meu gosto. É muito mais fácil fazer projeto para o seu cliente, ele tá ali na sua frente, ele te conta a história dele, é uma leitura da personalidade que parece ser traduzida em projeto instantaneamente. Fazer um projeto pra mim significava ter uma conversa séria comigo, o problema era: o que escolher dentre tantas opções que eu gosto no design?! Essa conversa aconteceu durante dois anos, período no qual eu mais viajei por aí, e tive a chance de me conhecer bastante. 

Além de fazer uma curadoria das peças que eu mais amava, eu tive que conciliar com muitas peças que herdei, o que é inevitável quando você vai morar sozinha aos 17 anos. E sabe, elas me trazem muita alegria, uma vez que carregam um pouquinho da história de cada um. Por exemplo, a minha mesa de jantar é a mesa de jantar que meus pais compraram para a primeira casa deles. A minha penteadeira era o pé da máquina de costura Singer da minha bisavó. Tenho alguma prataria que minha avó me deu quando fui morar sozinha, repetindo o gesto que meu biso tinha feito com ela. 

No entanto, o apartamento que era todo preto-branco-cinza foi aos poucos ganhando cores, o que não combina muito comigo. Durante uma necessidade de aumentar de forma imediata o espaço de armazenamento na cozinha, comprei um buffet azul, porque o branco estava em falta, e por conta do tamanho ideal, não teve jeito, teve de ser o azul (azul royal, diga-se de passagem). Agora que minha cozinha já conta com armários everywhere, o buffet que já serviu de apoio no escritório (até a estante definitiva chegar) agora ocupa o lugar dele de buffet na sala, embora eu guarde material artístico nele, quase como a Carrie Bradshaw guardava suéters no forno.

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Eu mandei emoldurar uma gravura que trouxe de Cuba para colocar sobre este buffet, mas minha vontade mesmo é pintá-lo de preto, acho que ficaria interessante. Gostaria também de comprar uma cadeira Cesca, minha preferida da vida, para colocar em destaque em um canto na sala com alguns livros de arte em cima, uma vez que aquela cadeira já é uma escultura por si só. Gostaria que todos os aparelhos eletrônicos sumissem como mágica da minha vida, acho que os minimalistas me entenderão. E por último, gostaria de arrumar meu quarto, finalmente, comprando um bom espelho para repor na penteadeira, já que um dos 3 quebrou e eu ainda não consegui substituí-lo, e gostaria também de comprar uma mesa de cabeceira para compor um espaço de apoio. 

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Cadeira Acapulco

A verdade é que eu não tenho pressa. Tenho um mood board com todos os mobiliários que eu gostaria de ter no meu “projeto final”, e gosto de construí-lo assim, com calma. Brinquei com algumas amigas arquitetas esses dias sobre essa questão de ter muitas dúvidas ao fazer um projeto para nós mesmas e a resposta que recebi foi unânime: “É muito mais fácil fazer pro cliente”. São tantas escolhas, tantas opções. No meu caso, é tão difícil escolher uma cadeira (meu objeto preferido) em detrimento de tantas outras. Ao mesmo tempo, acontece de hoje você não gostar de um modelo e daqui a uns dias se apaixonar perdidamente por ele – como no caso da cadeira Acapulco, uma cadeira que eu não gostava mas que, recentemente, acabei comprando duas para colocar na varanda.  O que me lembrou aquele poema do Drummond “hoje beija, amanhã não beija/ depois de amanhã é domingo/e segunda-feira ninguém sabe/ o que será.” É.. Acho que tenho tempo para escolher fazer o projeto definitivo para minha casa. 

Photos: Pinterest

Helena Vilela

by Helena Vilela

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