BUYING SHIT CHILDREN - Help! Não Consigo Parar de Comprar Porcaria Para Meus Filhos

Desde que a pandemia começou eu relaxei algumas regras aqui em casa com as crianças. Mais minutos de iPad, mais tempo na TV e liberei mais açúcar do que eu deveria. Foi a forma que eu encontrei de compensar esse ano tão estranho e com tantas poucas repostas às perguntas deles. Stella se refere ao mundo como ” AC/DC” (antes do corona/depois do corona). E Phil todos os dias me pergunta se no aniversário deles ainda vai ter corona. Eu tento não fazer muito drama com as respostas para não criar mais ansiedade neles, mas a minha ansiedade segue sendo alimentada e espiralando. Esta semana me dei conta que estou tentando compensar esses buracos que a pandemia causou comprado um monte de bullshit. 

Nunca fui de comprar muitos brinquedos, pelo contrário. Minha mãe não se conforma “menina, tu não compras brinquedos para estes teus filhos não?” e outro dia mandei umas fotos da sala de brinquedos para uma pessoa me ajudar a organizar e ela perguntou se eu tinha um filho só. Ela ficou chocada quando eu disse que tinha 3 e que não poderia me ajudar, tinha pouco brinquedo (demais). O que é mentira, tenho provas no stories. Obviamente me senti culpada, e como me sentiria se fosse o contrário? Culpada também. Pelo menos estou culpada e mais rica.

Mas, como não sou de ferro, entrei em um espiral de compras de bugigangas. Que delicia chegar em casa com um chocolate, um kinder ovo, um pacote de figurinhas e cards de Pokemon. Sou instantaneamente elevada a categoria de melhor mãe do mundo e ouço coisas como “Mamãe, porque eu amo tanto você?”. Uma ou duas vezes por semana eu trago uma novidade, isso quando não compro algo que eles realmente precisam e que também vira um presente. Estou indo contra todos os ensinamentos pedagógicos e apresentando um mundo capitalista onde é muito legal ter coisas legais para os meus filhos, crianças inocentes que ainda não conhecem o valor de uma marca, thank god.

Sei que estou enganando a mim mesma, não compro os brinquedos das propagandas de televisão (tirando Beyblades, que são como uma praga), mas não resisto a uma caneta de unicórnio e uma carteira do Keroppi. Compro pra eles, mas amo ver essas coisas espalhadas pela casa.

Na tentativa de compensar esse estrago na educação financeira deles, eu e Marcos criamos uma rotina de “fazer banco”. Todo domingo eles ganham R$2,00 e trocam moedas por notas (notas de dinheiro são muito mais imponentes que moedas, eles acham o máximo ter notas). Vão juntando o dinheiro e de vez em quando eles pagam pelas próprias figurinhas ou qualquer besteira que queiram comprar. Semana passada compraram slimes e agora estão com um rombo de R$15 no cofrinho. É muito legal ver eles construirem essa relação com o dinheiro logo cedo e aprenderem a controlar a ansiedade e a vontade de comprar tudo.

Eles também perceberam que dinheiro é liberdade e ouvi uma conversa de que eles poderiam comprar bala com o dinheiro deles, afinal é deles. Mas aí é outro departamento, my house, my rules.

Consumption Month: Leia mais pautas sobre consumo aqui. 

by Rosa Zaborowsky

Editor & Founder of Lolla.

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