February, the Official Declutter Month. Mudando as energias e abrindo espaço para o novo

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Eu nunca pensei que fosse ligar uma coisa à outra, mas aqui vai: você já pensou que uma boa arrumação pode liberar não apenas espaço mas também sentimentos, e assim provocar uma mudança de comportamento?

Acho que estou naquela idade na qual começo a pensar: “estou virando minha mãe”, quando na verdade apenas começo a entender tudo o que ela sempre quis me ensinar. Há muitos anos, desde novinha, tenho o hábito de fazer uma enorme arrumação no primeiro dia de férias. Eu organizo o guarda roupa, faço uma “limpeza” no escritório (antes era só na escrivaninha, bem mais fácil) e por aí vai.

Ano passado, quando fiz aquele Dream Sprint, que já comentei aqui no post da lei da atração, uma das primeiras tarefas indicadas era fazer um declutter. É meio common knowledge que limpezas renovam energias… os entusiastas do Feng Shui, principalmente, gostam muito disso. Mais recentemente, a musa da organização Marie Kondo nos apresentou uma nova versão da organização: uma vida sem apego e com muita gratidão, a tudo, por ter feito parte de nossa história.

Eu acabei não conseguindo fazer minha habitual organização de final de ano em 2017, por conta do furor que foi a inscrição do edital para ir para Harvard. Em 2018 novamente não pude, pois estava nos Estados Unidos – mas fiz na casa em que morava lá – e adiei a de 2019 porque minha estante nova do escritório só chegaria em janeiro de 2020, mas estava planejado que janeiro seria meu official declutter month! 

Hoje, uma semana depois da arrumação (vamos ignorar o fato que já estamos em fevereiro) que começou no escritório e terminou na cozinha (com a instalação dos móveis) consigo ter uma nova visão desse movimento de organização/limpeza/declutter. A pergunta que fica é: Você se prepara para lidar com a pessoa que você era?

Declutter: Mudando as energias e abrindo espaço para o novo

Com dor no coração eu digo: não sei se estava preparada pra isso. Diários, várias listas, uma quantidade imensa de coisas que passaram despercebidas ao longo desses anos e muitas, muitas lembranças que falaram diretamente com meu coração.  Vou começar com um exemplo que pode parecer bobo: nessa época do ano eu amava comprar material escolar, era o evento mais aguardado do ano em janeiro, mas eu amava mais ainda quando meu pai me levava, porque ele fazia o oposto da minha mãe: ele me deixava comprar lápis de 24 cores, mil canetinhas, uma agenda mais bonita… Acho que ele fazia cálculo de unidade, tipo: era mais barato comprar uma caixa de 36 lápis do que uma de 12 e por aí vai. Minha mãe sempre tentou me ensinar o valor da continuidade, do aproveitamento, da economia e pensar que eu era privilegiada por ter uma chance que outros não tinham. Não sou de colecionar coisas na vida, mas tenho algumas caixas especiais de lápis de cor, principalmente as compradas em museus, que resolvi guardar pela memória e valor. Guardei alguns mais especiais, resolvi doar os outros, reminescentes da época da faculdade – fiz arquitetura, então a quantidade de material das aulas de desenho é infinita – tirei muitos lápis e canetinhas, de todos os tipos, texturas e cores. Parece um exemplo simples, mas eu me perguntei sobre o essencialismo enquanto testava uma a uma das mais de 100 unidades que tinha aqui. Eu nunca precisei de tanto, mas eu tinha. E isso me levou de volta à papelaria, segurando no balcão na ponta dos pés, olhando mamãe me dizer: “Você não precisa de tanto, filha, é exagero”.

Por alguma coincidência (embora eu continue achando que isso não existe) a Poli, aqui do time do Lolla, postou um story sobre renovar ou não o guarda roupa se você tivesse acesso à uma grande quantia de dinheiro, ela me explicou depois que as peças de roupa que eu escolhesse guardar eram as que revelavam meu estilo. Naquele momento, em meio às pilhas de objetos que me cercavam no escritório, pensei em como aplicar isso na vida

BOOKS DECLUTTER

O mais fácil era começar com os livros. Em 2017 vendi muitos livros pra um sebo, doei alguns também, quando olhei para os que sobraram percebi que ali guardava os que de alguma forma contribuíram com a minha vida, especialmente na adolescência. Percebi que outros – assim como algumas roupas que amo – eu tinha em duplicata, em diferentes línguas: inglês, português, francês. É o caso de Comer Rezar Amar, por exemplo, cuja versão em português está “despencando” de tantos grifos, e a em inglês, preservada como um tesouro, afinal é autografada pela própria Liz, só para citar um exemplo. Não demorou muito para eu preencher a estante, como você deve imaginar. Tenho algumas caixas porta-revista que uso para guardar documentos (são ótimas para isso), em uma delas guardo recadinhos carinhosos, os “sugar cubes” de alguns eventos de networking ou retiros, dentre outros. Passei reto nessa caixa, sabendo o efeito que ela causa em mim. Mas eu não esperava que fosse encontrar listas e mais listas de sonhos. Achei uma lista de desejos, como a quantidade de dinheiro que eu esperava juntar antes de me mudar pros Estados Unidos, que eu ia de fato conseguir fazer essa viagem, que eu conseguiria ir tomar café na Tiffany’s (acreditem, é muito difícil, muita gente que eu conheço não conseguiu) dentre outras aspirações. A questão é que ao ir encontrando as listinhas eu só consegui sentir um imenso sentimento de gratidão. Eu deixei a alegria me inundar, sorrindo, me emocionando e agradecendo àquilo tudo. Principalmente  quando percebi que a maioria aconteceu de um jeito ainda melhor do que eu esperava. “A walk down memory lane” nunca fez tanto sentido.

Acho que essa semana me mostrou como nem a sessão desapego acontece num momento errado. Acredite, a “pequena mudança” nos armários da cozinha ficou ainda mais divertida ao encontrar talheres que comprei para comer em um quarto de hotel na china, um chopstick que ganhei de uma amiga chinesa na Índia, uma garrafa de vinho que guardo com carinho porque me lembra um momento especial, sabe? Essas coisas que não estão à vista a todo momento, ou que a gente pega na correria e esquece de reparar nelas.

Depois de tudo organizado, limpo (haja poeira e cheiro de “madeira nova”) e alguns itens separados para mudança, eu percebo que até para nos desfazer de algo, precisamos estar preparados. As coisas precisam ir naturalmente, num momento no qual estamos prontos para deixá-las ir, abrindo assim caminho para que novas venham (seguindo algumas “novas normas” aprendidas) e até quem sabe permitindo que outras voltem, como uma calça de alfaiataria que eu tinha mandado para casa da minha mãe para doação mas acabei resgatando. Porque a vida é isso, um eterno ir e vir, um fluxo constante de energia entre o recebimento e a entrega, e parece que até isso conseguimos colocar no automático.

Happy decluterring para você! Lembre-se, quando fazemos isso, não liberamos apenas espaço, mas liberamos algumas emoções e sentimentos também, talvez seja nisso que more a real “troca de energia”. 

Photo: Nestingwithgrace.com

P.S. Dicas para um Marie Kondo digital and Minimalismo, modo slow, #mariekondovibes: porquê estamos (quase) todos querendo desacelerar e desapegar.

Helena Vilela

by Helena Vilela

Comentários

  1. Helena, queria muito ter disciplina para fazer as suas listas da atração. Mas quando começa a entrar em muitos rituais eu fico com preguiça e não levo a sério.

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