joias lolla loves candelero 2 e1620319245363 - Entrevista com Vittória Candelero, Diretora de Sustentabilidade da Joalheira DI CANDELERO

Tem uma nova joalheria na cidade de São Paulo, e o Lolla não poderia estar mais feliz de ser media partner da Di Candelero. Uma marca de joias familiar, que nasceu do amor e admiração do designer, Diego Candelero por sua mãe, que também trabalha na empresa junto com sua outra filha e irmã do Diego, Vittoria Candelero.

Vittoria e Diego representam a marca que tem a cara da nova geração da alta joalheria brasileira. Diego entra com o design, Vittoria com a visão de sustentabilidade: juntos unem duas paixões e criam uma marca única, exclusiva e très chic. 

 

Quem é Vittória Miziara Candelero?

Sou uma mulher empreendedora e ativista! Sou sócia da jolalheria Di Candelero, e atuo nas diretorias de marketing e sustentabilidade. Tenho uma ânsia muito grande por justiça e proteção, e sou cativada pelos animais e pelos temas natureza e espiritualidade. No futuro, além da joalheria, sonho em poder trabalhar/ ajudar pessoas e animais que sofreram abusos e maus tratos. Quem sabe até abrir uma ONG?! Eu já viajei o mundo para trabalhar com ajuda humanitária, e hoje, moro no meu Brasil, um país que precisa tanto desse olhar e cuidado, espero poder contribuir para tornar o país melhor. Outra característica minha é de que eu busco sempre agregar e ajudar a minha família em seus sonhos. De certa forma, acho que foi isso que me motivou a embarcar no projeto da joalheira Di Candelero, idealizada pelo meu irmão Diego. Hoje, meu principal objetivo é trazer esse olhar da sustentabilidade e da responsabilidade sócio-ambiental para dentro da empresa!

 

De onde surgiu seu interesse pelo tema sustentabilidade? 

Desde pequena, na escola, fui ensinada a cuidar do planeta para a minha geração e a futura. Mas foi só na faculdade, cursando Relações Internacionais, que eu entendi o quão sério é o assunto, principalmente na matéria de desenvolvimento sustentável. 

Foi nesse período que comecei, por conta própria, a me aprofundar no tema, ler, ver documentários sobre o assunto, e não parei mais! Percebi que nunca antes tinha parado para me questionar sobre muitos hábitos cotidianos e considerados “normais”, mas que não são nada sustentáveis ou ecológicos. Sabe aquelas coisas que nos ensinam que é comum, como, por exemplo, comer determinado alimento ou usar animais como “objetos” de força ou locomoção? Pois é, isso começou a não fazer mais nenhum sentido para mim. Foi como um click. Mudei meu estilo de vida, minhas escolhas alimentares e meu modo de me relacionar com o meio ambiente… Vivo essa transformação diariamente e, posso dizer que me sinto mais feliz também!

O que você faz hoje para viver a vida de uma forma mais sustentável? 

São várias escolhas diárias, vou citar alguns exemplos. Tento usar meu carro o mínimo possível, apenas quando muito necessário; separo o lixo e asseguro que a destinação seja correta, aos seus respectivos centros de reciclagem; evito consumir produtos embalados em plástico; opto por alimentos orgânicos; busco consumir roupas e acessórios de forma mais consciente; cuido de todo ambiente que vou como se fosse meu corpo; e, por fim, não poderia deixar de falar do veganismo, que entrou na minha vida em 2019, depois de alguns anos vegetariana. Foi uma mudança desafiadora, mas que aconteceu de forma natural. Para quem não sabe, o veganismo não visa só deixar alimentos de origem animal de fora do prato, mas minimizar ao máximo os impactos ambientais, incluindo a exploração de animais e da natureza, tanto no que diz respeito ao consumo alimentar quanto os testes em animais para produtos de limpeza ou até cosméticos.

 

Como investidora na joalheria Di Candelero, como você pretende trazer essa visão da sustentabilidade para a marca? 

Meu foco inicial será em saber a procedência das pedras e minérios que usamos para produção das joias e conseguir fidelizar parcerias que nos mostre segurança no modo de extração legalizada. Também estamos estudando a possibilidade de usar materiais reciclados para toda a parte de papelaria da marca, substituir as caixas de presentes de couro animal por outro material, na próxima loja usar móveis de madeira reflorestada e zero couro animal, trazer projetos para iniciar o uso de ouro reciclado, buscar outras medidas de menor impacto para as instalações dos nossos espaços futuros e do atual, assim como manter baixo o desperdício de materiais. 

 

A Di Candelero começa sua trajetória como uma empresa familiar. No Lolla, contamos a história do seu irmão, Diego Candelero, que idealizou a marca por sua paixão por joias. Como foi a decisão de embarcar nesse projeto e como as suas ideias são recebidas pelo Diego? 

Vou falar a verdade, eu demorei um tempo para processar e embarcar no projeto do Diego. Na época que eu recebi o convite, estava cursando Direitos Humanos em Portugal, então para mim não fazia sentido, naquele momento, voltar ao Brasil e trabalhar em um setor polêmico quando o assunto é sustentabilidade e direitos humanos. A pandemia me forçou a voltar ao Brasil às pressas e foi quando eu percebi que meu irmão e minha mãe estavam engajados na ideia da joalheria. Essa paixão do meu irmão pelo produto final (a joia) se tornou a vida dele e foi onde ele encontrou realização pessoal.

Comecei a olhar para joelheira com outro olhos. Percebi que esse meu direcionamento e minha ânsia em ajudar as pessoas e a preservação da natureza poderia não só ser útil no sentido de criar estratégias para diminuir os impactos sociais e ambientais em torno desse comércio, como também poderia me trazer realização pessoal.

Decidi então conversar com a minha família e aos poucos fui introduzindo a ideia da suscetibilidade e dos possíveis projetos que poderíamos criar para mitigar/diminuir os impactos causados pela extração de pedras preciosas. Fui ganhando o interesse deles pelo assunto e  um espaço, na empresa, no qual me sentisse confortável. Após algumas conversas, a família então abraçou minhas ideias! Eles entenderam que esse valores de respeito ao planeta e à todas as formas de vida fazem parte da minha identidade, de quem eu sou, do meu estilo de vida e caminho. No final, cada um embarcou na ideia do outro e todos temos nosso espaço de fala e voz na empresa.  Hoje o Diego pensa muito no impacto das suas decisões, ele sempre me pede opinões e cria ideias que conversem com o meu modo de ver o mundo, a marca com certeza está em um processo e em um caminho muito bonito. As diferentes visões se agregam e, tenho certeza, que vamos conseguir passar essas nossas paixões e emoção ao nossos clientes.

O que ninguém nos conta sobre a extração de pedras preciosas? E como a Di Candelero pretende atuar para mudar esse cenário? 

Há uma vasta cadeia de exploração por traz de vários comércios no mundo, na extração de pedras preciosas não é diferente. As explorações podem ser de muitos tipos, desde de destruição da fauna e flora local até de  violação dos Direitos Humanos (de trabalhadores nas minas ou até de pessoas que vivem perto dessas minas, mesmo que são sejam minas ilegais). Depois de muito pesquisar entendi que é praticamente impossível saber exatamente a procedência dos minérios e pedras que compramos, infelizmente, ainda existe uma caminho muito grande a ser andando para mudar toda essa cadeia, e depende de muitos players, de governos, enfim, vocês podem imaginar. Dentro desse cenário, a Di Candelero tem um projeto que visa saber e conhecer exatamente a procedência do material. Buscar parcerias com donos de minas legalizadas nos assegura maior segurança em relação às condições de trabalho e extração das pedras de forma regulamentada. É claro que isso reflete no valor do produto final, não é “baratinho”, mas eu não estaria realizada se eu tivesse que escolher o “valor” como prioridade para deixar para segundo plano o que eu acredito. Tudo o que é muito barato no mercado de joalheria (e é o que todos buscam, de certa forma) eu vejo com muita desconfiança, pois sei que alguém sofreu algum tipo de exploração para possibilitar esse valor.

Importante frisar que existem muitas e muitas dificuldades e desafios no aspecto da mineração para uma joalheria caminhar para um modelo sustentável. O meu objetivo é deixar a marca fluir com menor impacto sócio-ambiental possível e agregado as práticas da visão dos Direitos Humanos do inicio ao final do produto, até a venda.  

 

CONHEÇA DIEGO CANDELERO

Instagram @DICANDELERO

JOIAS QUE AMAMOS

 

Fotos: Flavio Teperman

by Bianca Longo

Editora e colunista de sustentabilidade e internacional (Paris)

0 Comments

POST A COMMENT