mar 21 scaled e1620395945791 1200x1500 - Entrevista com Marina Sell Brik, do Atelier Ma Parfum

 

mar 21 scaled - Entrevista com Marina Sell Brik, do Atelier Ma Parfum

Lolla’s Career series feat. Marina Sell Brik: mulher multiempreendedora, fundadora da Ma Parfum, sócia do Instituto Trabalho Portátil e Lolla reader! Welcome to Lolla, Mari! 

 

Q. So tell us, o que exatamente você faz?

A. Pergunta difícil. Minha formação é em jornalismo, mas me considero multiempreendedora (multipreneur, se quiser fancy up). Amo pesquisar e descobrir coisas novas, especialmente criar aquilo que não encontro no mercado. No momento, estou lançando minha própria marca de perfumes de bem-estar para a casa e também atuo em uma empresa de capacitação em trabalho remoto (criada por mim e pelo meu marido há mais de dez anos). Também tenho um site de info produtos sobre home office (passive income). Por isso é difícil responder assim, de pronto, o que eu faço. Já li que a minha geração vai ter pelo menos quatro carreiras, então não me prendo muito nisso de ficar só na profissão na qual me formei. Sou adepta do work anywhere, do lifelong learning e de não esperar a aposentadoria para realizar os meus planos. Então, vou criando novos trabalhos de maneira que eu possa curtir a vida ao mesmo tempo.

 

Q. Como você conseguiu esse trabalho?

A. Bem, acho que precisa de muita persistência (beirando a teimosia), conhecimento, intuição e vivência. Quando se é empreendedora, se dá muito com a cara na parede, mas não tem jeito, a gente não consegue não empreender. Para ser mais assertiva, sempre ouço quem tem mais experiência: pergunto mesmo, testo com o que tenho e me coloco como eterna aprendiz. É assim agora na perfumaria, por exemplo. Fiz vários cursos (em Paris, em Curitiba, online), mantenho bons contatos com quem é da área (e agradeço muito por serem generosos em me apoiar) e também não fechei nenhuma porta por onde passei. Acho que conhecer pessoas legais e manter bons relacionamentos, independente da área, é um super bônus. Também estou sempre pronta para ajudar quem quiser na hora de um conselho, um ombro amigo, uma indicação. Tudo vale e estamos todos juntos nessa. Quem é empreendedor e maker já está acostumado a ajudar e a ser ajudado. Eu acho isso lindo, btw.

 

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Q. Como é um dia típico no escritorio/home office/ coffee shop?

A. Olha, um dia típico tem um pouco de regra e um pouco de flexibilidade. Acordo sem despertador (porque ralei para isso), tomo um café com o meu marido com calma e depois me troco (pra mim não dá certo trabalhar de pijama). Pela manhã produzo mais, então já vou para o meu shed (onde fica o meu atelier de perfumes) e começo a resolver as “pendengas”. Às 11h00 sempre tem um break do café + doce para dar aquele up (com o marido junto, trocamos ideias). Aí almoçamos juntos (agora na pandemia sempre em casa, antes era direto fora), café com docinho de novo, e volto para o shed. Intercalo algumas tarefas da casa e também alguns exercícios, como o ballet (online) e o recém-descoberto Just Dance. Dança para mim é um exercício sem esforço e com diversão, então foquei nisso. Faço quando tenho vontade, mas tento manter uma frequência saudável. No fim da tarde, quando já estou bem sem energia, começo a desacelerar naturalmente (é do meu cronotipo). De noitinha, happy hour/jantar, banho e seriado. Também intercalo o dia todo com redes sociais, especialmente Instagram (onde tenho trabalho e vida pessoal).

 

Q. O que você ama sobre o seu trabalho?

A. Amo pesquisar, isso está sempre permeando os meus trabalhos. Apesar de já ter feito curso de Coolhunting, sempre tive os meus métodos de reunir informação, ler nas entrelinhas, interpretar e trazer para o mundo prático. Também amo a liberdade de tomar decisões e ser dona do meu próprio horário. Não consigo mais trabalhar de outro jeito. Agora, com a perfumaria, estou amando poder ajudar as pessoas levando um pouco de bem-estar e da minha experiência própria (para lidar com a ansiedade) na forma de aromacologia.

 

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Q. Qual foi a melhor decisão que você tomou sobre a sua carreira?

A. Conquistar autonomia. Poder decidir sobre uma série de coisas é muito poderoso e importante para mim. Quando parei de ouvir alguns “especialistas” e ouvi a minha intuição (gut feeling mesmo), as coisas começaram a dar certo. Também é importante saber a hora de let go algum negócio que não está fluindo.

 

Q. Qual foi a pior decisão que você já tomou sobre a sua carreira?

A. As piores decisões estão sempre relacionadas ao fato de eu tentar ser quem eu não sou. Por exemplo: me forcei a dar palestras numa época e odiei cada momento. Pelo menos, no formato em que era dado, não rolava. Até fiz curso de teatro com foco nisso, mas mesmo assim era muito fora da minha natureza. Nada espontâneo. Sou introspectiva, apesar de comunicativa. Mas tem coisas que só a experiência te dá. Agora tenho como mantra o “stay true“. O que estiver fora disso, nem perco mais o meu tempo e energia.

 

Q. O que você estaria fazendo se não fosse isso?

A. Provavelmente escrevendo. Assim como amo pesquisar e ler, amo escrever. Adoro compartilhar o que sei (já frilei como ghostwriter e revisora, mas isso é outra história haha)

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Q. Como você organiza seu tempo?

A. Preciso melhorar nessa área, pois apesar de ser taurina-pé-no-chão, me perco um pouco com a minha lua em aquário haha. Já tive mais problemas com procrastinação e falta de foco, mas hoje vou no método da hora de trabalho focado (que inclusive ensinamos nas consultorias), na divisão de tarefas com o marido e na terceirização daquilo que toma o meu tempo ou no que não sou especialista. Por exemplo: secretária remota, contador, fotógrafo, etc. Mas eu sei que eu preciso da minha agenda flexível e isso é sagrado. Cumpro as tarefas, mas tento não regrar muito a ponto de ficar estressada. Assim também conseguimos trabalhar da praia, por exemplo, sem quebrar o fluxo das empresas.

 

Q. Qual você acha que é o seu maior superpower no trabalho?

A. Acredito que a sensibilidade e o pioneirismo. Perceber as nuances, as entrelinhas nas pessoas, nos negócios, farejar roubada, criar coisas antes do tempo. Tem seu preço, mas de novo, não sei ser de outro jeito. Diplomacia e adaptabilidade também poderiam entrar na lista.

 

Q. Qual você acha que é a sua maior fraqueza?

A. Bem, tenho vários pontos fracos, mas imagino que o principal seja a distração. Estou sempre achando coisas mais interessantes para fazer, ler, pensar… Mas, por outro lado, não vejo isso como um sério defeito, pois estou aprendendo a respeitar mais o meu tempo. E se nele tem contemplação, vamos contemplar. Se sai do foco, mas depois volta e cumpre as tarefas, it’s ok. Então eu diria que os meus defeitos têm muito a ver com a distração, com a preguiça taurina que às vezes bate (e faz procrastinar) e também em não saber dizer não quando necessário (evito o conflito).

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Q. Como você toma decisões?

A. Minhas decisões são tomadas com muita análise, mas no final é a intuição que decide mesmo. Faço também lista de prós e contras (às vezes com pesos diferentes para cada item), sempre me cerco de muita informação, converso com quem sabe mais e no fim, arremato com intuição. Se a decisão tiver que ser rápida, decido e pronto, não fico depois pensando “e se…”. Não ajuda em nada.

 

Q. O que você lê?

A. De tudo um pouco. Muitas indicações aqui do Lolla (The Scent Keeper, Eleanor Oliphant está muito bem, Talvez você deva conversar com alguém), ficção científica (Ray Bradburry, Kurt Vonegut), suspense (O Iluminado em livro, com outro final, é incrível), roteiristas que gosto (Tina Fey, Amy Pohler, Tati Bernardi, Camila Fremder), poesia do Leminsky, crônicas do Antônio Prata, contos de Machado de Assis, e por aí vai…

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Q. Qual você acha que é o segredo para chegar onde chegou?

A. Uau, fiquei lisonjeada com o “chegar onde chegou”. Bem, vou falar a real: no caminho você quase desiste muitas vezes, em outras tantas tem que desistir mesmo (ou parar de lamber a cria e deixar ir), vai ter que fazer muita coisa chata, vai pagar uns micos e vai se sentir fracassada alguns dias. Porém, se conseguir trabalhar a autoestima, aprender a levantar mil vezes, sacudir a poeira e dar a volta por cima, vai sentir que valeu super a pena e isso tem um sabor muito especial. É interessantíssimo como processo super speed de amadurecimento e de reconhecimento de quem você é e de quem são as pessoas que te apoiam. Mas acho que o mais importante é saber que dias ruins fazem parte sim, além de tentar não duvidar de você o tempo todo. Não é porque uma iniciativa deu errado que você precisa desistir ou se considerar incompetente. É um baita aprendizado.

 

Q. Qual hora do dia você está mais produtiva?

A. De manhã, sem dúvida (& cafeinada & açucarada). Porém, só marco reuniões, por exemplo, a partir das 14h00. Preciso do meu tempo matutino para organizar as ideias e produzir melhor.

 

Q. Quais ferramentas você usa para melhorar produtividade?

A. Sou old school nessa área e adoro um papel e caneta. Tenho agenda de papel, bloquinho com lápis, marca texto e borracha sempre por perto. Compromissos com horário eu marco colorido e sempre reviso minha agenda no dia anterior para me organizar mentalmente. Porém, por questões práticas, tenho usado e gostado muito do Notion (tenho no celular e no computador). Assim, é mais fácil anotar ideias ou tarefas que você lembra do nada e não está com papel por perto. Também tenho um esqueminha de pautas e ideias no app.

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Q. Agenda de papel  ou Google Calendar?

A. Agenda de papel, definitely. Acho mais charmosa. Também preciso do processo de escrever à mão para gravar uma ideia ou compromisso. Sem falar que a sensação de riscar tarefa é priceless.

 

Q. Com qual roupa você se sente mais powerful para trabalhar?

A. Vestido e coturno.

 

Q. Qual a maior experiência que você já teve no trabalho?

A. Conhecer pessoas interessantes, incluindo Domenico De Masi, que assinou a introdução do nosso livro sobre trabalho portátil. Pudemos filosofar com ele sobre trabalho e vida pessoal, vinhos e viagens durante um jantar agradabilíssimo.

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Q. Work snacks?

A. Docinhos mil (kinder bueno, b-ready, lindt, bis, bolo, etc.). Com café. E tic tacs sempre por perto.

 

Q. Quem é você no escritório?

A. Nunca tinha parado para pensar sobre isso e estou chegando à conclusão de que sou meio contraditória (risos nervosos). Porque eu faço bagunça e me acho nela por uns dias, mas também gosto de ver a mesa organizada e limpa, daí arrumo. Tem dias em que estou a fim de trocar ideia e tem dias que quero ficar mais na minha. Dias com música, dias com silêncio (mais silêncio). Dias fashion, dias moletom, e por aí vai. Não tem um padrão até mesmo porque sou dona da minha empresa e trabalho da minha casa, então é tudo bem free style =) Mas na minha essência sou empenhada, introspectiva, irônica, meio ácida (com quem entende) e totalmente ponta firme. Acaba que tudo isso reflete no meu trabalho também.

 

Q. O que você procura quando está contratando alguém para o time?

A. Depende de alguns fatores, como cargo e nível de convivência, mas no geral, acho muito importante a pessoa ter senso de humor (isso diz muito sobre ela, suas referências e como vamos conviver), competência na área, claro, e compromisso (paciência zero para ficar cobrando qualquer coisa). Ah, e tem que ser gente boa, né? Ter valores legais. Porque pode até ser expert e com mil referências no segmento, mas se for muito “passo por cima mesmo”, não é do meu time. Acho diversidade importantíssima e também me fascina trabalhar com pessoas plurais, de diferentes backgrounds.

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Q. Melhor e pior parte de trabalhar em família?

A. A melhor parte é a confiança, sem dúvida, e a sintonia. O desafio é saber separar as chatices de trabalho das conversas do dia-a-dia e também respeitar o famoso “cada macaco no seu galho”. Quando eu e o André (meu marido) estávamos trabalhando na mesma área não foi legal. Porém, quando ele ficou com o que sabia fazer e eu com a minha seara, a coisa fluiu e agregou. Aí sim dá muito certo. Tenho muita sorte de tê-lo como parceiro de vida e de negócios. Não pensamos igual, mas sabemos do potencial de cada um, assim como dos defeitos, e levantamos a bola um do outro. Isso facilita muito na hora de duplar, mas só aprendemos com o tempo.

 

Q. O que você mais aprendeu com sua mãe no business?

A. Encontrar um trabalho que te realize e botar fé em você mesma. Minha mãe também é jornalista e só se encontrou mais tarde na carreira (criou e conduziu um programa de rádio sobre história do Paraná na rádio Educativa). Minha avó sempre me perguntava (sobre o trabalho que eu estava fazendo no momento): “está feliz? está gostando?”. Se a resposta fosse afirmativa, ela dizia “então tá bom!”. Isso parece tão simples, mas é de uma sabedoria tão gigantesca… Passou para a minha mãe. Eu já dei muitas voltas por aí para finalmente me encontrar no que faço hoje. O apoio da minha família foi sempre muito importante. Sei que muita gente não conta com esse tipo de rede. Mas já adianto que também há muito apoio lá fora. Recebo bastante incentivo no Instagram (inclusive fiz amizades lá) e também através das experiências que tive ao longo das minhas iniciativas. O negócio é que se você encontrar pessoas like-minded, já está com meio caminho andado. Elas estão por aí, é só questão de tempo encontrá-las. Sobre ter fé em você mesma, minha mãe sempre embarcou nas minhas loucuras, desde pequena. Era do tipo que fazia batizado das bonecas comigo e roupa de Paquita na costureira. Com os meus negócios não foi diferente. Nunca questionou o fator “viabilidade da coisa” e sim o que poderia agregar. Inventava em cima e sempre torceu pelo sucesso dos três filhos, cada qual à sua maneira, com a sua visão de mundo. É esse o tipo de conforto que você precisa quando está tão out there, sujeita às intempéries, empreendendo.

 

 

FOTOS: ACERVO PESSOAL DA MARINA, NO ATELIR MA PARFUM

 

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