foto maria cassou dia mundia do livro colunista lolla

Oi pessoal, eu sou a Maria Cláudia e a partir de hoje eu passo a integrar a equipe de colunistas do Lolla. Gente, que privilégio! Foi realmente um grande presente ganhar esse espaço para compartilhar textos sobre literatura & livros – esses tesouros pelos quais eu nutro um amor profundo. Mas já adianto que o nosso papo vai ser bem informal, sem solenidades nem egos inflados. Literatura para mim faz parte do dia-a-dia, é algo próximo, acessível a todos e acima de tudo, tem que falar ao coração. Espero poder trocar com vocês muito mais do que indicações de livros (até porque de resenhistas de livros a internet já está cheia). Espero trocar experiências e histórias de como os livros têm o poder de mudar o nosso olhar sobre o mundo, sobre a vida e finalmente, sobre nós mesmas. 

E apesar do frio na barriga da estreia, fui convidada a falar sobre o meu “hábito” de leitura – um dos meus temas favoritos o que, confesso, facilitou a tarefa. Há tempos atrás me peguei pensando como começou a minha relação com os livros – esses objetos tão banais mas que carregam verdadeiros universos dentro deles. Me dei conta, então, que meu amor pela leitura começou com as minhas avós.

 

De Garcia Márquez à Sabrina

Minha avó paterna sempre teve uma relação muito íntima com a literatura. Dos poemas de Cecilia Meireles, passando pelas crônicas de Rubem Alves ao realismo mágico de Garcia Márquez, ela lia muito, sempre compartilhava comigo aquilo que estava lendo e o que lhe tocava a alma. Ela me apresentou Lya Luft, Tomasi di Lampedusa e Mario Quintana. A minha avó materna, por outro lado, tinha um gosto literário mais peculiar, digamos assim… Na sua casa, passei tardes e tardes imersa em pilhas de romances de banca de jornal: Sabrina, Julia, Bianca… Se você nasceu nos anos 80, deve saber do que eu estou falando. Romances água com açúcar com pitadas de erotismo onde a mocinha era sempre pobre e o mocinho sempre rico. Independente do valor literário de suas escolhas, ambas foram responsáveis por alimentar o meu interesse pela leitura. E foi assim, por influência das minhas avós e da capacidade que só os livros tem de suscitar sentimentos e aguçar a curiosidade, que me rendi à literatura.

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Livros: hábito ou paixão?

Eu comecei esse texto com a palavra “hábito” entre aspas porque, para mim, a leitura é muito mais do que um hábito, é uma paixão. E ela nasce do despertar de sentimentos e afetos  e eu acredito que é por essa porta que os livros devam entrar em nossas vidas. A literatura é (ou deveria ser) uma conversa, íntima e pessoal entre o autor e o leitor. O escritor francês Michel Houellebecq tem uma frase que traduz exatamente o que eu penso sobre essa troca:

Mas só a literatura pode dar essa sensação de contato com o outro espírito humano, com a integralidade desse espírito, suas fraquezas, suas grandezas, suas limitações, suas mesquinharias, suas idéias fixas, suas crenças. (…) Por mais profunda e duradoura que seja uma amizade, numa conversa nunca nos entregamos tão completamente como fazemos diante de uma página em branco, dirigindo-nos a um destinatário desconhecido.”

Um livro tem que tocar profundo, mexer com nosso interior, nos despertar, incomodar, instigar, nos desentorpecer do nosso dia-a-dia. A literatura tem que acontecer primeiro no coração e depois na mente. É claro, que diversas vezes precisamos, ou queremos ler um livro técnico, um texto mais objetivo. Mas isso será infinitamente mais fácil se já tivermos essa conexão afetiva com a leitura. 

Confesso que fui, ironicamente, reler partes do livro “O Poder do Hábito” para ver se ele me trazia uma luz. Para ver se, a partir da sua teoria, eu poderia dar orientações de como tornar a leitura um hábito na vida das pessoas. Mas apesar de eu acreditar que o seu conteúdo se aplica a inúmeras situações da vida, não me parece fazer sentido quando se trata de literatura. Assim como ninguém estipula uma meta de quadros a serem admirados numa exposição, nem os minutos diários que devemos escutar música, a literatura não deveria, ao meu ver, envolver-se com metas. (Por isso que vocês jamais me verão contabilizando quantos livros eu li num determinado período de tempo. Sei que há quem goste, mas definitivamente não é essa relação que eu tenho com eles). Literatura é arte, e a arte só faz sentido quando toca a alma daqueles que a experimentam. 

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Então, como ler mais?

A verdade é que a gente só lê mais… lendo. Sorry for being so obvious. É fato que com a correria da vida moderna, a predominância da internet, mídias sociais e afins, os livros parecem não encontrar lugar nas nossas agendas. Mas nunca é tarde para lembrar que tempo é uma questão de prioridade e, se bem organizadinho, a gente consegue dar conta do trabalho, da casa, dos filhos, da beauty routine e dedicar um tempinho diário para a leitura. (Ok, nem sempre… Mas vamos tentando e fazendo o que for possível). Como? Vamos lá…

  1. Primeiro de tudo, leia o que te atrai, o que te prende, o que te fisga: não leia porque indicaram, porque foi escrito por um gênio, porque está na lista dos 10 mais vendidos do país. A leitura tem que andar de mãos dadas com o prazer. Tem que dar match. 
  2. Começou um livro e não está gostando?: a leitura não está desenvolvendo? Para, larga o livro sem a menor culpa e parte para o próximo. O mundo tem muitos bons livros – ou livros com muito potencial de nos tocar intimamente – para que fiquemos insistindo em um livro que não nos envolveu. Abrir um livro é um ritual muito mais leve e agradável quando sabemos que podemos abandoná-lo a qualquer momento. Se chegarmos ao fim, terá sido por puro amor à leitura, e não por obrigação. 
  3. Carregue o livro com você… para todos os lugares: livro tem que ser que nem garrafinha de água. Põe na bolsa e leva junto. Se você tem o livro em mãos, cinco minutinhos já são o suficiente para evoluir na leitura. (Nesse ponto o Kindle ajuda muito, mas nem todo mundo se adapta a um e-reader). Na sala de espera do médico, no metrô, no cabeleireiro, enquanto espera os filhos na natação… Trocar o “hábito” do scrolling pela leitura de um livro é uma das atitudes mais saudáveis que podemos tomar.
  4. Procure pessoas para conversar sobre o livro que você está lendo: seja um clube de leitura, amigos que se interessem pelo tema, pessoas que também gostem de literatura. A literatura, quando compartilhada, se potencializa. Compartilhar experiências de leitura é um pouco como adentrar a alma do outro. É ampliar o nosso olhar, ver a mesma história por outros ângulos, é descobrir novas formas de enxergar o mundo. 

E se ainda assim, nada disso ajudar, me segue aqui no Lolla que vamos falar muito sobre livros, literatura e tudo o que envolve esse universo inesgotável e apaixonante.

 

WHO IS MARIA? 

Maria Cláudia é curitibana, mãe, advogada, e amante inveterada da literatura. Atualmente se divide entre a criação e coordenação de seus três filhos, de conteúdo para seu perfil de Instagram @mariaclaudiacassou e de sessões de Laboratórios de Leitura. Acredita que a vida pode ser mais rica com livros e mais bela com flores.

by Maria Claudia Cassou

Curitibana, mãe, advogada, e amante inveterada da literatura. Acredita que a vida pode ser mais rica com livros e mais bela com flores.

5 Comments
  1. Linda minha , cada dia mais clara e encantadora na maneira de expor seus pensamentos e sentimentos!!!! Quero TE ler muiiiiiito !!! Beijo de quem te ama e te admira desde sempre ❤️

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