o que moda sustentável lolla

Hoje vi no instagram um post da Fanny Ekstrand Tourneur, co-founder do Hobnob Journal, uma revista digital no segmento “luxury cool” fashionista escandinavo, que adora grandes marcas e designers.

Ela usou a saia do seu vestido de casamento – que foi em Paris – num evento da Milano Design Week. And gues what? Ficou muito legal. Para mim isso é uma moda sustentável.

Peças do guarda-roupa tem que ter uma inteligência, uma edição. Não é sobre a quantidade, mas a qualidade e a “usabilidade” que devem fazer a diferença na hora de comprar.

Talvez a Europa te obrigue a ter um guarda-roupa minimalista e mais inteligente. O espaço é coisa em falta aqui – eu moro em Paris para quem ainda não me viu passeando por aqui no Instagram do Lolla. Ontem mesmo eu estava guardando minhas roupas de inverno numa mala, malhas, casacos, botas… e substituindo para o guarda-roupa de verão.

Claro que já aproveitei para tirar algumas coisas para doar e vender. E isso é moda sustentável também. Fazer circular coisas que já não fazem mais sentido para você, mas que podem fazer outra pessoa feliz, seja porque ela vai estar pagando mais barato por uma peça que amou, seja porque está recebendo uma peça que precisa.

Em casa sempre foi assim. Eu, minha mãe e irmã temos o mesmo número de roupa e sapato, que sorte! A gente repassa roupa entre nós, ou melhor, minha mãe repassa para a gente, porque ela sabe comprar. Para mim isso é uma moda sustentável

Falando em saber comprar, talvez esse seja o grande desafio e exige um pouco de pesquisa. A experiência da minha mãe como editora de moda claro que a ajudou a adquirir esse olhar muito bom para comprar com inteligência, coisa que eu demorei  anos para apreender e ainda estou aprendendo. Várias vezes eu ligo para ela perguntando se “vale a pena”. E claro que ainda faço compras que me arrependo um ano depois porque vi que não usei ou porque a qualidade não era tão boa…

Não vou passar o número dela para vocês hehe, mas vou dar 4 dicas de ouro repassadas:

  1. Aposte em peças atemporais e com qualidade e bom corte. É melhor ter 1 bom blazer do que 10 que não vão durar e não vão vestir tão bem assim.
  2. A quantidade de vezes que você usou a peça no dia a dia vai dizer se a compra valeu a pena. Uma bolsa que você usa todos os dias e ainda está em excelentes condições, vale mais a pena do que ter uma quantidade infinita de bolsas com o couro desgastado e a alça torta. 
  3. Invista numa boa bolsa e num bom sapato. Além da “usabilidade” no dia a dia, lembre-se que você poderá recuperar boa parte do investimento feito repassando seu pre-loved. De preferência para o Prettynew (#publi).
  4. Olhe a etiqueta e cheque o tecido da peça. Sério. Não é porque a marca é cara que o tecido que ela usou naquela peça é necessariamente bom.

 

No último final de semana fui dar uma voltinha no Marais. Entrei em algumas lojas mais autorais e outras mais conhecidas. Não é uma regra, mas muitas vezes você encontra uma qualidade superior e até peças mais interessantes e preços melhores nas lojas pouco conhecidas. E claro, o melhor garimpo de todos é o de peças pre-loved. Comprar o que já existe, isso é moda sustentável.

Mas falar sobre sustentabilidade da moda é algo bem tricky e nunca vai agradar todo mundo.

O poder de compra entra sim como um diferencial na hora de comprar a tal “moda mais sustentável”. Então como falar em sustentabilidade se a gente não pensar em democratização da moda? Ou mesmo nos milhares de emprego que as grandes marcas e fast fashion geram e que, consequentemente, tem um impacto na qualidade de vida das pessoas e na economia do país.

Não temos uma resposta ou fórmula mágica. Existe um movimento: diversas empresas, inclusive as de fast fashion, estão adotando medidas para diminuir o seu impacto ambiental e se tornarem mais sustentáveis do ponto de vista social, ambiental e econômico.

O que trás um certo alivio, né? Mas seria suficiente? Para mim todo mundo tem que fazer sua parte, dentro das suas possibilidades de escolha e realidade. Se você tem o poder de escolha, faça um exercício de escolher com consciência.

(Photo Fanny Ekstrand Tourneur from Hobnob Journal)

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by Bianca Longo

Editora e colunista de sustentabilidade e internacional (Paris)

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