Você é do tipo que chama para conversar ou deixa a Distância aumentar para não lidar com o problema?

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Li outro dia uma frase que diz muito sobre diálogos e relacionamentos: “as conversas que você não quer ter, são as que você precisa”. Eu costumo deixar as coisas bem transparentes. Não gosto de ficar remoendo coisas na minha cabeça sobre o que pode estar se passando na cabeça da outra pessoa. Foi um exercício muito grande aceitar que não vou agradar todas as pessoas e não há nada que eu possa fazer. E também aprendi que se você tem mais de 30 anos e não tem ninguém que não goste de você, algo está off.

Existe uma diferença enorme entre alguém não gostar de você por diferenças de pensamento e lifestyle versus ser alguém de caráter duvidoso. Não vamos aproximar as coisas e acho que foi aí que eu comecei a aceitar que tudo bem não gostarem de mim, eu me garanto. Entender que você não gosta de alguém não quer dizer algo necessariamente sobre o caráter, o coração ou as intenções daquela pessoa, aliás, não gostar de alguém é muito mais sobre você do que sobre a pessoa.

Eu não tenho muitas questões em ser direta e abordar assuntos desconfortáveis com as pessoas que eu me importo. Acho que pego algumas amigas e a minha família de surpresa, mas se eu estou sentindo que tem algo estranho no ar, sou a primeira a passar a mão no telefone para clear the air. Acho que agindo dessa forma, você diminui as chances de alimentar climas estranhos, “the elephants in the room”. O que eu penso é, se aquela pessoa é importante pra você, isso deve ser recíproco. Partindo do principio que todo mundo prefere ser feliz, algumas pessoas simplesmente não sabem como sair de uma situação estranha, não sabem como abordar o outro depois de uma mal estar e talvez estejam tão acostumadas com o caos, que aquilo é normal pra elas. Trago verdades: o caos não é normal para ninguém. Eu abro meu coração e falo como eu me senti, evito falar do que a pessoa fez par não soar como uma acusação, não estou em busca de encontrar o culpado, mas de resolver. Às vezes as respostas podem te surpreender e fazer você notar algo que não seria capaz sozinha, por estar presa na sua própria bolha e visão de mundo.

Passei por isso recentemente. Uma pessoa que era querida por mim mandou uma indireta para quem quisesse ler, nunca vou poder afirmar que foi pra mim, mas tudo indica que sim. Fiquei sem saber como agir, não tenho intimidade e não a conheço direito, mas conhecia o suficiente para ter carinho e admirar. Eu fiquei verdadeiramente magoada e não encontrei aquele meu ímpeto de passar a mão no telefone e tentar resolver, porque talvez este seja um dos casos em que a pessoa simplesmente não gosta de você pelo seu lifestyle ou jeito de ser, e já que eu não vou mudar, talvez seja um caso perdido e também porque eu não tenho intimidade e não sei o que esperar. Dividi o que aconteceu com o Marcos, e a conclusão dele foi perfeita. Uma atitude que eu tomei lá atrás, talvez tenha magoado esta pessoa, por coisas que eu não alcançaria se ninguém me falasse (a tal da bolha). Mas se ela tivesse me falado que ficou magoada, o cenário seria outro. Talvez não falaria o que ela gostaria de ouvir, minha atitude não mudaria, mas talvez ficasse mais bem explicada, o tal do “don’t take it personal”. 

Eu certamente me arrisco fazendo isso, mas nada me deixa mais maluca do que coisas não ditas. Esse é um dos traços de viver em comunidade que me deixa mais irritada, a falta de comunicação é a base da hipocrisia. Culturalmente, enfrentei algumas situações parecidas tendo nascido em São Paulo, sendo filha de pais paraenses. Na minha casa todo mundo fala o que pensa (nosso problema está na forma como falamos, não no que falamos, mas isso é outro assunto). Eu cresci ouvindo criticas e pitacos, não que eu goste, mas isso certamente criou um canal para que as coisas sejam ditas e conversadas. E falamos sobre tudo na minha casa, T-U-D-O. Já meu marido é mudo como uma pedra… apesar de ter tido um ambiente amável e carinhoso para se expressar, acho que ele nunca fez muita questão. Mas eu sou o oposto, gosto de ir a fundo nas nossas conversas, de saber mais, quero entender, juntar os pontos, encontrar respostas, etc. Encontrei uma tática perfeita para fazer ele se abrir, um jogo de perguntas da The School of Life (clique aqui para ver todos). Virou meu passatempo favorito das nossas date nights da quarentena e jogos de perguntas viraram indispensável nas minhas dinner parties, são a melhor forma de começar uma conversa.Fiquei com vontade de fazer esse curso da The School of Life, sobre diplomacia. Alguém já fez os cursos de lá?

P.S. August Mood and Let’s Talk Sex: Um Q&A sobre Sexo e Relacionamento, Sponsored by Nuasis.

Rosa Zaborowsky

by Rosa Zaborowsky

Editor & Founder of Lolla.

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