Consumo Consciente: Como Helena está Descobrindo seu Signature Style Durante a Quarentena

Talvez você se lembre de quando escrevi este post: Porque me conscientizar sobre consumo foi melhor do que quando fiquei um ano sem compras. Hoje, dois anos depois, estou aqui para contar mais sobre minhas aventuras em busca de um consumo (ainda mais) consciente.

Durante a pandemia, você talvez tenha caído na mesma situação ambivalente que eu, e que pode ser resumida em duas constatações:

– Quanta roupa eu tenho e que não preciso.

E,

– Oh meu Deus! eu não tenho roupa para ficar em casa.

Isso aconteceu não só comigo, mas com várias amigas. A primeira afirmação foi muito recorrente uma vez que em casa, a gente não vai usar o que normalmente usa quando sai, consenso mesmo para aqueles não tem tanta roupa, como eu (não que eu tenha um armário cápsula, mas também não sou over, para ser bem específica vou dar alguns exemplos: tenho 7 calças e acho exagero, 5 shorts e por aí vai…), tento manter o mínimo possível de peças e só comprar o que é realmente necessário).

Sendo assim, diante dessas duas frases, e observando as ações de algumas amigas, percebi 3 coisas que aconteceram:

1) Doações em massa! O que me deixou com o coração bem quentinho.

2) Uma busca intensa por pijamas – vocês perceberam que algumas marcas inclusive começaram a produzir pijamas dada essa “corrida” na busca pelo produto?

3) Um retorno à infância/adolescência com aqueles conjuntos de moletom mega confortáveis, combinadinhos, com punho e pézinho.

Como eu tinha doado muita coisa na minha tradicional limpeza de estação, acabei não doando roupas e me envolvendo com outras ações. Mas o foco da questão que coloco aqui é: apesar de eu ter achado – num primeiro momento – que eu não tinha roupa para ficar em casa, ou que eu precisava de pijamas, eu não comprei nenhum pijama, pois descobri que isso seria absurdo, eu não precisava de pijama! Assim como eu não precisava de conjunto de moletom ou qualquer outra coisa.

Eu tenho exercitado uma regra na minha vida antes de qualquer compra: eu penso por 3 dias – às vezes até mais – antes de comprar algo. Eu penso: eu realmente preciso disso? Esse item é o que eu quero ou é algo parecido com o que estou procurando, enquanto aquele ainda fica na minha cabeça? Em caso de liquidação: eu pagaria o preço cheio deste item ou estou comprando pelo oba-oba? E a mais difícil: se essa peça vai entrar no meu armário, qual peça na mesma categoria eu estaria disposta a doar? (Isso vale, por exemplo, para livros, roupas, sapatos e etc).

SIGNATURE STYLE

Na última limpeza que fiz no meu guarda roupa, tirei um vestido que eu amava e usei para ir no aniversário de 15 anos de uma amiga. Sim, eu tenho roupas de quando eu tinha 15 anos. Eu achava que tinha um armário tipo o guarda-roupas da Mônica, tudo igual! Até entender – por meio de um webinar da Dri Prina, minha consultora de estilo – que aquilo poderia ser indício de uma assinatura de estilo e não algo ruim. Diante disso, eu me dei um presente nesta quarentena, uma sessão de Consultoria de Estilo com a Dri, na qual aprendi a usar peças que não usava ou usava de forma limitada. Este dia foi ótimo porque eu pude entender qual sapato seria o ideal para complementar meu guarda roupa, então poderia substituir alguns que já precisava trocar, por apenas um modelo confortável e mais versátil, aprendi a fazer mix hi-lo, aumentando o número de possibilidades de uso das peças.

Descobri que meu guarda roupa era essencial. Tudo que eu precisava estava ali! Eu iria comprar uma calça de alfaiataria, na cor indicada, uma jeans para repor a minha que desgastou, e dois mocassins. Se você me perguntar quantas peças eu comprei no ano passado, eu te digo: 1 macacão na Black Friday (que eu pensava já em usar em diversos eventos este ano), um vestido de manga comprida para um jantar social, dois shorts, um vestido básico e dois conjuntos de roupas de ginástica.

DONATE

Em contrapartida, doei umas 5 sacolas de roupas! Antes de ir para o intercâmbio eu doei muita coisa e, após passar oito meses com duas malas médias, eu entendi que tinha tudo o que precisava. Quando retornei, percebi que as duas malas médias representavam 70% do meu guarda roupa, os 30% restantes eram roupas de “ficar em casa” e algumas roupas de festa. Dentre estas “roupas de festa”, eu tenho uma blusa de organza belíssima, que fiz em 2016 para usar na formatura de uma de minhas melhores amigas, e toda oportunidade que tenho de usá-la de novo, eu aproveito! Geralmente a uso uma vez por ano em alguma ocasião especial. Ano passado, teria um casamento em maio e um jantar em agosto, optei por comprar um vestido novo para esta ocasião e usar a blusa no casamento. Uma amiga me mandou uma mensagem comentando: – “Ela é linda, mas já chega, né?”. Juro, aquela mensagem me doeu. Eu amo tanto esta blusa e toda vez que eu uso ela faz o maior sucesso! Já usei com saia longa, saia lápis, calça, por quê eu pararia de usá-la?

Acredito que a pandemia veio nos relembrar o que é essencial. Embora o meu exemplo de consumo, por intermédio do meu guarda-roupa, possa ser fútil para alguns, acho que observá-lo é o primeiro impacto, é quando nos vemos diante do consumismo materializado. Conscientização é um aprendizado, um processo, e evoluímos com o tempo. Hoje em dia outras questões me rondam e se fazem mais importantes, como por exemplo: a decisão de optar por comprar tecidos com fibras naturais e evitar o poliéster ao máximo; escolher lojas e marcas independentes e evitar comprar em redes de fast-fashion, isso mudou muito! Daquele post até hoje eu comprei: 1 blusa e 1 vestido na Zara, 1 na blusa na Forever 21 (coincidentemente as duas um modelo básico branco que não encontrei como queria em outras lojas), a exceção foram algumas peças de frio que comprei na H&M durante a estadia nos EUA.

ACCESSORIES, BOOKS AND MINNILAMISM

Outra coisa que aprendi também foi a investir em acessórios, pois eles conseguem mudar o visual e ocupam muito menos espaço. Nem só de roupas vive o consumo, nesse período vendi 35 livros para o sebo, doei vários outros, junto com inúmeras revistas de arquitetura para uma biblioteca. Recentemente vi um vídeo muito interessante da Fê Neute sobre minimalismo e vou indicar aqui, pois acredito que os tópicos dela são muito claros. Ainda acho que terei um armário cápsula um dia, acho que posso viver com menos e agora sei que – apesar de não precisar – ainda quero muito pijamas novos! Mas vou ficar querendo, pois no topo da minha lista de prioridades estão outros í. tens.  A questão é entender que o avanço é um passo por vez, todo aprendizado leva tempo. No meu caso foi primeiro me conscientizar sobre consumo, reduzir a quantidade e melhorar a qualidade, e agora aprender ainda mais sobre a versatilidade das peças. Daqui a dois anos voltarei para contar mais dessa saga. Espero já ter avançado muito mais até lá! 🙂

Helena Vilela

by Helena Vilela

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