carrie bradshaw new looks and just like that 1200x1500 - Comprar Second-Hand Não É Só Para as Vintage Lovers

Minha primeira compra vintage foi um echarpe em um second-hand shop na Alemanha. Era uma loja recheada de achados vintage de uma época que eu nunca tinha nem chegado perto, coisas que pertenciam a pessoas distantes demais de mim para eu ter visto ao vivo qualquer look parecido com aqueles. Acho essa uma das grandes alegrias de garimpar vintage, ficar imaginando quem eram as mulheres que usaram aquelas roupas – e por mais triste que isso soe, não sei porque eu sempre as imagino como a Aunt Peg de City of Girls, livro da Elizabeth Gilbert. Uma mulher forte, independente e que não se moldou ao que esperavam dela na sociedade. Dependendo de como você olha, ela pode ser solitária ou causar inveja. Essa loja ficava em uma rua cheia de antiquários, com móveis e objetos de decoração que pareciam ter saído de um cenário do Almodóvar e pousada ali como um museu no meio da rua. 

Todas as minhas outras compras second-hand eu não posso dizer que são vintage – elas são usadas, mas não são vintage. Eu não sei qual é a data de corte para considerar uma peça vintage, alguns dizem que ela precisa pertencer há pelo menos 3 décadas atrás. Mas sempre que eu quero alguma coisa nova, faço primeiro uma busca nas lojas de second hand locais e depois parto para o e-bay. Durante anos o e-bay foi minha única opção, mas agora a oferta de second-hands com uma boa curadoria é enorme aqui no Brasil, o que é incrível – eu amo a curadoria de peças verdadeiramente vintage do Prettynew, as roupas e as joias. Apesar de não ser a maior consumidora da categoria, eu amo ver e sonhar. Achei uma bolsinha por lá que minha avó tinha exatamente igual e hoje fica no quarto da Stella como parte do decor.

Eu ainda tenho um sapatinho boneca Chanel que comprei por 80 usd em perfeito estado, há pelo menos 15 anos, uma mini bag Balenciaga antes das mini bags invadirem o Instagram por 35 usd e fora quase tudo que eu tenho Isabel Marant, 90% veio de algum second-hand shop. Achar uma peça nova para mim da Isabel Marant, mas que não é nova para o mundo, é um dos meus hobbies favoritos. Uma sandália gladiadora que literalmente faz todos os meus looks quando coloco ela no pé saiu por 600 reais, quando uma nova não custa menos de 3.000 reais – e essa estava 100% nova. Que aliás essa é uma nova categoria nas lojas second-hand, “nunca usado”. Ela tira um pouco o glamour do vintage shopping, mas por outro lado você encontra peças que acabaram de sair da loja por um preço melhor. 

Como qualquer hábito, comprar second-hand pode ser um pouco viciante. Para não cair nessa armadilha, recomendo ter algo em mente quando estiver window shopping online e não ficar ali vagando sem rumo, para não acabar comprando que algo que você não ama, é só algo que você quer ter. E aceite o fato de que uma comprinha second-hand vai vir com algumas marcas de uso e de tempo – faz parte do pacote. Você pode mandar arrumar e pronto, mas se sentir que aquilo te incomoda mais do que a alegria do garimpo, devolva. 

Eu tenho a sorte de ter um armário cheio de vintages para garimpar sem precisar comprar – minha mãe sempre foi muito esperta na hora de comprar, e sempre colocou qualidade acima de quantidade, além de cuidar maravilhosamente bem de tudo que ela tem. Não há uma bolsa sem papel de seda por dentro para preservar a forma e guardada no saquinho, não há um sweater sem saquinho, nenhum sapato viaja sem papel na ponta e dentro do seu saquinho. Ela é a rainha dos saquinho, lucky me. 

Comprar second-hand para muita gente não é uma opção, mas para quem é, você certamente estará fazendo um serviço ao mundo comprando algo que já existe e impulsionando a industria a produzir menos e a reaproveitar mais. Sempre que eu posso, eu faço o swipe.

O empurrão que a pandemia deu nas compras online pode ter sido ótimo enquanto durou, mas nada substitui um bom garimpo ao vivo e a cores. É um programa, que você pode tirar um tempo para curtir. Eu recomendo passar um sábado curtindo as araras da loja do Prettynew em São Paulo ou em Brasília se estiver na cidade – provar todos os looks que tiver vontade sem medo de ser feliz, o time Prettynew adora e chances de se divertirem juntas.

(Photo by Katarzyna Kos on Unsplash)

by Rosa Zaborowsky

Editor & Founder of Lolla.

0 Comments

POST A COMMENT