Cami Cilento’s Reading List: 10 Livros Escritos Por Mulheres Sobre Histórias Em Zonas de Guerras

Camila Cilento


Essa semana que foi tão difícil e tão triste, em que nossos olhos ficaram grudados em noticiários e manchetes que anunciavam a megalomania de um certo líder que resolveu iniciar uma guerra, assim, sem mais nem menos. É difícil observar assim tudo de longe e conseguir entender o que realmente está acontecendo nas vidas daqueles que moram ali ao lado da zona de conflito. A gente assiste à tudo isso com preocupação, mas sabendo que quando o noticiário acabar a nossa vida segue. Que privilégio é viver longe do conflito, e que tristeza é saber que nem todos tem esse privilégio.

Enfim, ao invés de noticias nessa semana vou dividir livros escritos por mulheres e que contam histórias de zonas de guerra. Todos cheios de lições que deveríamos levar para a vida. Mas antes, uma introdução:

Imagina essa cena: uma mulher de 30 e poucos anos caminha em pleno sábado de manhã, à tiracolo um bebê que dorme feliz e sem perceber a rua que começa a ficar movimentada. Uma brisa fresca típica da primavera toca os seus cabelos longos e o rosto do seu bebê, o sol começa a mostrar para que veio. O sinal de pedestres fecha, ela quer cruzar o quanto antes, mas alguns carros teimam ao virar a esquina. Até que uma outra mulher, talvez 10 anos mais velha para ao seu lado e uma conversa começa.


- Ahh, que bebe mais lindo! É menino ou menina?

- Menina…

- Sua primeira?

- Não tenho um menino mais velho.

- Que sorte a sua! Ter um menino antes é essencial para não passar pelo o que passei.


A mãe de trinta e poucos anos logo esquece do sinal, já intrigada com o que está por vir, e a outra mulher logo continua despejando as palavras rapidamente:


- Tive primeiro uma menina. Quando meu segundo filho nasceu eu passei anos achando que ele não estava se desenvolvendo na velocidade “certa”. Tudo que a minha filha fez de primeira e sem precisar de ajuda, meu filho não se interessava. Foi tão perturbador. Resolvi consultar um médico, não era possível. Ela com 2 anos já usava o banheiro, com 3 anos já se vestia sozinha, logo ela já penteava seus cabelos, trocava os sapatos. A lição de casa sempre pronta antes mesmo de eu chegar em casa. Mas com meu filho, tudo levou mais tempo. Nossa perdi tanto tempo me preocupando. O médico logo me disse: “Seu filho não está atrasado, ele é um menino. Meninos tem interesses diferentes de meninas e se desenvolvem de maneira diferente. Nada mais natural”.


Risos rolaram pelo ar, ao constatar o mais simples de tudo: meninas são mais adiantadas, amadurecem mais rápido. É a nossa natureza. O sinal finalmente abre, o papo é cortado e a mãe de trinta e poucos anos segue o caminho pensando em como esse papo foi curioso… Vida que segue, as estações vão passando e logo sua pequena já não é mais um bebê.


Sua filha mais nova faz tudo sozinha, não precisa de ajuda no banho, já quer deixar o cabelo crescer. Tudo em sua pequena mochila está organizado, e seus passos são certeiros, típicos de uma menina que sabe o que quer. Em compensação todos os dias a mãe, que hoje já tem trinta e muitos anos, ainda está lá esfregando as costas do seu filho mais velho no banho. Ele é desorganizado, a lição de casa é uma batalha, ele só quer saber de brincar de carrinhos. A mais nova já fala em namoradinhos, já pensa no que quer ser quando crescer, já planeja seu futuro. Sabe como é né? Já cantava o Renato Russo: “ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês”
Ela então se lembra daquele papo curioso do sinal de pedestres anos atrás… Incrível como meninas e meninos se desenvolvem de forma tão diferente. Meninas são tão independentes, auto suficientes e tem pressa de crescer, de virar mulher. Meninos serão sempre meninos.

Até que um questionamento vem a sua mente: Como é que chegamos nesse mundo? Os homens dominam tudo, são presidentes, CEOs, chefes de estado. Como assim? Lá estava a Mônica falando coisas sobre o Planalto Central, enquanto o Eduardo ainda estava no esquema escola-cinema-clube-televisão. A Mônica hoje cuida de casa e o Eduardo é o chefe da porra toda. Como que isso aconteceu?!?

AQUI A LISTA COM 10 LIVROS ESCRITOS POR MULHERES QUE CONTAM HISTORIAS SOBRE ZONAS DE GUERRAS

  1. O diário de Anne Frank”, escrito pela Anne Frank e publicado originalmente em 1947. Conta a sua história e de sua família durante a ocupação nazista na Holanda.
  2. O fio da Trama”, escrito pela Alessandra Blocker e a Consuelo Blocker e publicado em 2019. Conta a história das mulheres de 3 gerações dessa linda família. A primeira parte é baseada nos diários da avó delas, a Gabriella, que fugiu da guerra na Itália para tentar a vida no Brasil. Lindo o livro e uma história inspiradora.
  3. “On All Fronts: The Education of a Journalist”, escrito pela premiada jornalista Clarissa Ward e publicado em 2020. Conta a sua experiência cobrindo zonas de conflito em tempos de extremismo na Síria, Egito e Afeganistão.
  4. “Delicious!”, escrito pela Ruth Reichl e publicado em 2014. Um livro de ficção que conta a história de uma menina que trabalha em uma lendária revista de culinária. Ela acha na biblioteca da revista cartas escritas por uma menina de 12 anos durante a Segunda Guerra para o importante chefe de cozinha James Beard. História deliciosa assim como o nome do livro.
  5. “A bailarina de Auschwitz”, escrito pela Dr. Edith Eva Eger e publicado em 2019. É uma história de superação, resiliência e coragem de uma sobrevivente do Holocausto. Um dos livros mais indicados por todos que conversei sobre o assunto e que estou louca para ler.
  6. “Diz-me quem sou”, escrito pela autora espanhola Julia Navarro e publicado em 2011. Uma historia cativante e cheia de tensão e drama e que conta sobre uma jornalista que investiga a vida de sua bisavó, que fugiu da Guerra Civil Espanhola.
  7. “A guerra não tem rosto de mulher”, escrito pela autora bielo-russa Svetlana Aleksiévitch e publicado em 2016. Fala sobre as mulheres que lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial. A mesma autora tem outro livro muito famoso chamado “Vozes de Tchernóbil” sobre o acidente nuclear de Tchernóbil que inspirou a série recente na HBO.
  8. “Mulheres sem nome”, da autora Martha Hall Kelly e publicado em 2017: uma obra inspirada em personagens reais da Segunda Guerra Mundial. Três mulheres cujas as trajetórias se cruzam durante a guerra, o livro é costurado por fatos históricos e personagens femininas poderosas.
  9. “As filhas do Capitão”, da autora María Duenas e publicado em 2018. Acompanha a história de três jovens espanholas que se mudam para um novo país fugidas da guerra.
  10. “The Zookeeper’s Wife”, escrito pela autora Diane Ackerman e publicado em 2008. O livro conta a história de um casal que cuidava de um zoológico na Polônia durante a ocupação Nazista. O livro também virou um filme lindo que recomendo muito.

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