Como fazer o TEMPO render - Bom o Bastante: Como que eu faço o meu TEMPO render tanto?
Foto: pinterest / @ellabn

Quem aí não gostaria que o dia tivesse 36 horas? Você já pensou o que faria se ganhasse esse presente dos céus e de repente tivesse todas aquelas horas adicionais no seu dia para fazer tudo aquilo que não dá conta? Ou talvez para fazer perfeitamente aquilo que você já faz de maneira imperfeita? Será que você teria mais um hobby? Aprenderia mais uma língua? Dormiria mais? Sairia mais? Talvez você comeria melhor? Se exercitaria com mais frequência? Passaria mais tempo com os filhos ou dedicaria mais tempo para você?

Nessa semana eu me peguei divagando sobre esse assunto quando uma amiga me perguntou como que eu fazia o meu tempo render tanto. Não era a primeira vez que me faziam essa pergunta, e também não foi a primeira vez em que eu fiquei devendo uma resposta decente. Eu não sei de quem eu escutei que o tempo é um dos recursos mais democráticos do universo: à meia noite como num passe de mágica todos nós recebemos as mesmas 24 horas de presente, nenhum minuto a mais nem a menos. Então porque raios parece que os dias rendem mais para uns do que para outros? Qual é a fórmula que eu uso para fazer tanta coisa caber nesse tempo tão democrático quanto escasso?

Foi então que me deparei com um artigo muito interessante (e que vou dividir aqui) e que finalmente me trouxe a resposta que eu tanto queria para a pergunta que nunca tinha conseguido responder. O artigo falava sobre beleza e sobre um conceito que curiosamente aplico em diversas áreas da minha vida e nunca tinha dado um nome: o conceito do bom o bastante. Como a autora escreveu o segredo está não em fazer tudo de maneira perfeita, mas sim de maneira consistente. Sabe aquela máxima do tempo de qualidade? É isso, só que potencializado. Tira a perfeição e entra a consistência. Tem a ver com escolhas, foco e priorização: olhar para tudo e realocar o seu tempo de acordo.

Eu não vou roubar aqui mais do que deveria do artigo tão bem escrito para o The Cut, mas estou começando a entender como que eu consigo fazer tanto e viver tantos interesses ao mesmo tempo. Para quem olha de longe pode até achar que meu dia tem mais horas, mas a verdade é que ao trazer o conceito do “bom o bastante” para a minha vida eu trouxe um equilíbrio. Ao fazer as coisas assim dessa maneira não quer dizer que eu as conclua com perfeição nem maestria, mas sim de forma boa o bastante para ser feliz.

Eu não preciso que a minha casa saia diretamente de uma página da revista da Martha Stewart, mas eu preciso que ela esteja organizada o bastante para eu olhar a bagunça e ainda assim sentir alegria. Terão dias perfeitos em que minha pele vai estar viçosa, meu cabelo vai estar brilhante e vou ter escolhido o look perfeito, mas esse provavelmente não será o mesmo dia em que chegarei no escritório de jornal lido e na hora pontual. Vai ter um dia que investirei muitos minutos de qualidade para brincar de esconde-esconde com o meu filho e certamente esse não será o dia que eu vou conseguir pedalar por uma hora na minha Peloton.

É um constante jogo de pratinhos: eu vou seguir equilibrando milhares desses pratinhos todos os dias e o meu objetivo é não deixar nenhum cair, equilibrando de maneira consistente e boa o bastante para que todos eles sigam girando, uns mais outros menos. Esticando assim os meus preciosos e democráticos minutos. Quando eles faltam para uma coisa, eles aparecem para outra coisa, e a beleza da vida é saber que consistentemente vou girar todos os pratinhos, consistentemente vou quebrar um ou outro, consistentemente vou colar alguns com super bonder, e consistentemente vou fazer o bom o bastante.

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5 Artigos Indicados pela Cami Cilento

  1. “In defense of ‘Good Enough’ Skin”, Erika Veurink para o The Cut/NY Mag
  2. “This Is How World War III Begins”, Bret Stephens para o NYTimes
  3. “The Man in the Olive Green Tee”, Vanessa Friedman para o NYTimes
  4. “Should leopards be paid for their spots?”, Rebecca Mead para a The New Yorker
  5. “An Ode to Giving People Money”, James Parker para a The Atlantic

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