Work life balance com Sofia Esteves, fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos

set 9, 2019

 Calligraphy by Maria Ruth Jobim, of @mrjobim.studio Calligraphy by Maria Ruth Jobim, of @mrjobim.studio

 Amo histórias. E amo mais ainda conhecer a história das pessoas. Meu marido às vezes se espanta com isso – como quando, mesmo antes de mudarmos pro nosso apartamento, eu já conhecia várias vizinhas, além das moças da limpeza e da administração. E pior: já sabia detalhes das vidas pessoais delas! Sim, eu sou daquelas que puxa conversa com pessoas na fila. Que prefere um bom papo a ficar no celular.

Desde que virei empreendedora, comecei a me interessar ainda mais pela história de mulheres que montaram negócios, desbravaram mercados, ergueram pequenas ou grandes empresas. E, para a minha alegria, ultimamente tenho conhecido muita gente bacana. Daí surgiu a ideia de compartilhar esses exemplos reais que, da mesma forma que me inspiraram, podem trazer lindos insights para outras pessoas.

Histórias verdadeiras trazem conexão. A gente se enxerga nos mesmos dilemas, nas mesmas batalhas, nos mesmos anseios… e aprende um bocado. E é com esse intuito que trago aqui um bate-papo rápido que fiz com a Sofia Esteves. Ela é fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos – responsável pelos maiores programas de estágio e trainees do país –, além de professora da FGV e da FIA/USP, membro do conselho de inúmeras empresas, colunista e comentarista de vários veículos como GloboNews e Exame, além de autora de três livros.

Tive o prazer de conhecer a Sofia em um dos encontros do BoardW – grupo de mulheres executivas que já citei aqui – e fiquei encantada com a sua simplicidade, com a coragem de expor suas vulnerabilidades e dividir com aquele grupo sua trajetória. Abaixo, falamos um pouco sobre carreira, maternidade, vocação e jovens profissionais.

Q. Você comentou que, muitas vezes, sofre com a “síndrome da impostora” (me identifiquei tanto!). Quais são suas dicas para aumentar nossa autoconfiança? Como você enfrenta essa síndrome? 

Sofia: A síndrome tem um lado positivo: muitas vezes, essa insegurança é que me faz trabalhar mais e melhor, com dedicação e foco, me fortalecendo a ter segurança naquilo que eu acredito! Podemos aumentar nossa autoconfiança de várias formas, mas é importante saber que isso também é treino. É importante manter o foco em si, independentemente da política, dos boatos ou manobras não produtivas, tão comuns no meio corporativo. E uma das melhores maneiras de construir a confiança é ter clareza sobre os pontos fortes e encontrar formas de integrá-los as atividades diárias, pois ficamos muito mais engajadas e energizadas, além de trabalhar os pontos fracos, com esforço para melhorá-los sempre! Ah, e eu também acredito na positividade! Na carreira, um profissional que cultiva bons pensamentos alcança grandes resultados em curto espaço de tempo, graças à inteligência emocional e à boa condução dos sentimentos, que estimulam as atitudes favoráveis ao crescimento e evolução. É a habilidade de enxergar além das dificuldades; é a capacidade de perceber a situação, analisar, procurar a solução e absorver o aprendizado.

Q. Você tem dois filhos e sempre conciliou muito bem a carreira e a maternidade. Qual o segredo?

Sofia: Acredito que cada mãe deva buscar o seu equilíbrio entre essas duas missões! Isso varia de pessoa para pessoa, mas a maternidade, de fato, traz muitos aprendizados e também provoca o autoconhecimento – fundamental para o progresso na carreira. Todas essas habilidades, com a chegada de um filho, promovem o amadurecimento quase que instantâneo, além da realização de várias tarefas e funções ao mesmo tempo. O tempo passa a ser precioso e manter o foco é fundamental. Saber quais eram minhas reais prioridades fez toda diferença quando tinha que decidir entre levar meus filhos ao médico, ir à reunião na escola ou participar de uma reunião na empresa. A organização também é primordial, além da disciplina, da habilidade de melhorar a gestão e organização do tempo, além da maior capacidade de delegar.

Q. Falando em maternidade x carreira, um assunto que tem me intrigado recentemente: tenho seis amigas, todas super profissionais em cargos de gestão, que foram demitidas após a licença-maternidade. Pelo que tenho visto, as empresas ainda não estão preparadas para essa nova geração de líderes que optam pela maternidade com uma idade mais avançada. Como você tem percebido isso? 

Sofia: Eu acredito que, se isso antes era um limitador à ascensão profissional, atualmente a maternidade pode ser uma vantagem competitiva para a profissional e para a empresa pois, com a chegada dos filhos, novas competências são agregadas, inclusive as corporativas. Nos últimos anos, as empresas tiveram um aumento da força de trabalho feminina e, naturalmente, de mães. E é nesse mesmo momento que elas devem acolher a profissional experiente, se readequar às novas necessidades e aproveitar as novas habilidades adquiridas com esta dupla função. Após a maternidade, a mulher se desenvolve, reinventa e traz outros conhecimentos para o seu dia a dia de trabalho. E quem não quer contar com um membro na equipe mais engajado, ágil, disciplinado, generoso, cuidadoso e disposto a trabalhar em conjunto? Essas são apenas algumas das competências frequentemente afloradas após o nascimento de um filho. Cabe às organizações e aos líderes o compromisso de deixar de lado pré-julgamentos e, ao invés disso, acreditar e apostar no capital humano – independentemente de gêneros, anseios e contextos pessoais. Ser mãe e ser profissional pode, sim, ser uma união de sucesso.

Q. Você comentou que descobriu o seu papel no mundo de uma forma muito bacana, quando quis abrir um abrigo (sonho que, mais tarde, se concretizou com o Instituto Ser Mais). Como podemos iniciar uma reflexão para descobrir nosso papel nesse mundo?

Sofia: Por meio do autoconhecimento! Pense: qual é o meu sonho? O que me traz felicidade? Onde quero atuar, diante de tantas possibilidades? O que me impulsiona e trará satisfação pessoal e profissional? Com as respostas em mãos, é possível parar, refletir e traçar metas e caminhos. Com um mundo cada vez mais veloz, com informações que chegam a cada instante e de todos os lugares, somos absorvidos para uma vibração acelerada, muitas vezes agindo sob impulso. Pare, respire e vá em busca do seu lugar ao sol e daquilo que deseja realizar! É sempre tempo de iniciar e recomeçar!

Q. Você é hoje a maior referência em seleção de jovens profissionais. E adorei que você comentou sobre a responsabilidade de um processo de seleção, ainda mais com profissionais em início de carreira, visto que um processo malconduzido pode interferir de maneira negativa na autoestima desse jovem para o resto da vida. Como selecionar profissionais de forma ética e humana, ainda mais quando eles não têm experiência para contar?

Sofia: O interessante é que todos, independente de currículo, possuem uma boa história para contar. E não importa se é a primeira entrevista de emprego ou para se candidatar a um cargo de alto nível executivo. Para a maioria dos jovens que ingressam no mercado de trabalho, suas vivências de vida, seja na faculdade, em experiências internacionais ou na realização de um trabalho voluntário podem ser bem interessantes e contar pontos a favor em um processo seletivo. O que eu sempre aconselho e que é super importante para o crescimento profissional, é antes de tudo, se conhecer, saber seus objetivos e prioridades, e na hora da busca de um trabalho, avaliar a aderência com determinada empresa e se acredita nos valores da organização pois, desta forma, as chances das empresas e profissionais se saírem bem e felizes são muito maiores. Atualmente, os processos seletivos necessitam ser muito mais do que preencher vagas, pois eles devem proporcionar novas experiências, conhecimentos e aprendizados aos candidatos. Mesmo que o profissional perceba que não se encaixa a uma vaga ou empresa, ele sai daquela vivência com um saldo positivo!

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by Daniela Trolesi

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