Who is your emergency contact?

mar 3, 2019
 Image: Next Girl

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Acho engraçado como algumas coisas funcionam em modo automático. Um exemplo disso: escrever sempre o nome do meu pai como meu contato de emergência, algo tão normal… (Antes era mamãe mas com o tempo passei a preencher logo o dele, pois precisam de alguém que pudesse responder pelo menos em inglês e espanhol)..

Um dos primeiros documentos que preenchi para o visto de estudante americano me pedia um terceiro contato de emergência, ou seja, a parte dos meus pais, quem eu colocaria? Foi então que comecei a reconhecer minha melhor amiga como contato de emergência. E brinquei com ela: “Você é meu contato de emergência, olha como eu valorizo nossa amizade!”. Acontece que nem sempre podemos contar com o nosso círculo mais próximo. E se você me perguntar talvez eu nem saiba quem eu coloquei como contato de emergência na aula de yoga no Brasil, ou na academia que eu costumava frequentar.

Mesmo nos documentos de Harvard, no meu contato de emergência constava o nome de meu pai. Esses dias fui fazer uma aula de yoga e quando me deparei com a lacuna que pedia um contato do tipo, fiquei com uma expressão curiosa… Quem?

Brinquei que se tivesse que colocar um dos meninos aqui de casa (divido um apartamento com três homem em Cambridge) eu saberia exatamente quem colocar, tanto é que essa pergunta surgiu mais tarde e ele prontamente disse: “tudo bem, pode colocar”. Acontece que o meu contato de emergência, quando eu realmente precisei, foi o menos provável dos três. O que nunca estava em casa. E a emergência foi um choro. Um choro de saudade, de vontade de ficar, de não saber o que vai ser do retorno ao Brasil. E uma emergência dessa não há hospital que cure… ainda mais numa sexta à noite depois que chegamos cada qual de seu compromisso.

Um choro com soluço que eu não dava conta, que eu não conseguia explicar. Imagine, eu já tinha um contato de emergência, eu já encontrava conhecidos na rua, eu tinha amigos a todo momento, uma vida construída… e o medo de perder tudo isso? Não fiz curso de vidente, como alguém mencionou, mas fiz arquitetura e sendo assim deveria reconhecer que essa vida de caminhos estranhos nos faz encontrar pessoas maravilhosas e que muitas vezes vamos reencontrar ou não, mas que pra sempre permanecerão em nossas vidas.

Naquela sexta-feira uma porta – literalmente – me separou do meu contato de emergência, que foi super eficiente trazendo abraços e uma conversa confortável sobre jornadas, escolhas e dificuldades que encontramos pelo caminho, frases que ainda ecoam na minha cabeça fazendo tanto sentido…

Enquanto isso meu contato de emergência no Brasil me fala: “Tenho saudades mas não se pressione. No tempo você volta”. Em meio à comentários sobre jornadas, tempo certo, caminhos e escolhas eu agradeço por esses contatos de verdade que se ligam às nossas histórias como o maior feito de uma viagem.

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victor

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