Já parou pra pensar nas memórias que as suas roupas te trazem?

ago 8, 2019

Você piscou e mais da metade do ano já se foi… Por mais que me assuste com a velocidade com que os meses estão passando, sempre fico animada nessa época por um motivo muito simples e específico: meu aniversário. Sei que ainda estamos em Agosto e nasci em Outubro, temos então 2 longos meses pela frente.

No entanto, são nesses 60 dias pré-aniversário que faço um balanço geral do que vivi, das pessoas que conheci, dos lugares que visitei e de tudo que amei e me desapeguei também. Revejo fotos, vídeos, conversas, cartões, roupas, sapatos e, no meio dessa enxurrada toda, uma coisa é certa: lembro de todas as roupas que usei em cada momento que foi importante para mim. Por exemplo quando caí de boca no asfalto do estacionamento do Mc Donalds aos 6 anos, estava com uma blusa listrada, uma calça jeans capri e um tênis de salto azul transparente da Sandy. De alguma forma este evento foi importante para mim, entendem? É como organizo minha história, uma espécie de guarda-roupas mental. Minhas memórias têm roupas e minhas roupas têm memórias – é como o memoir da Leandra Medine, do Man Repeller. Cada história ela conta a partir de uma peça de roupa.

Vou dar mais um exemplo: no meu primeiro texto que saiu aqui no Lolla, coloquei uma foto que tirei no provador da Zara. Estava com um vestido florido, midi, que usei pouquíssimas vezes, mas que têm uma importância enorme para mim, pois a primeira vez que o usei foi em um date no qual eu não colocava um pingo de fé e  – para minha surpresa – acabou sendo um dos encontros mais gostosos a que já fui. Três meses depois, ainda estava saindo com esse mesmo menino e no dia em que percebi que estava apaixonada de verdade (acho que nunca tinha amado alguém antes), eu também estava com o tal do vestido florido.

Por último, mas não menos importante, voltamos ao meu primeiro post no Lolla. Não foi só mais um post, foi o meu primeiro texto publicado ever! Lembro que no dia em que saiu, contei até para o motorista do taxi que peguei para casa. Ressuscitei grupos no whatsapp com os quais não falava há quase um ano, queria gritar aos quatro ventos de tanta felicidade. Quando abro meu armário e vejo essa peça pendurada as memórias voltam na minha cabeça como um filme. É um gatilho para uma injeção de alegria e nostalgia.

Também há o caso de algumas peças que já vêm com sua própria memória, sua bagagem. Uma camisa que era da sua avó ou uma saia que era da sua tia. Essas são, talvez, até um pouco mais especiais que as do exemplo anterior. Já viveram uma vida inteira praticamente e, agora, nos dão a chance de viver mais uma. Pode ser que você não as use tanto, às vezes por não vestirem tão bem, outras por já não estarem tão “em alta”, mas as memórias estão lá do mesmo jeito, só que de uma forma diferente. Quando você pegar uma dessas peças, a maior parte das lembranças que ela carrega será de quem a usou primeiro. No entanto, ao pensar nessa pessoa, outras histórias virão à tona e não necessariamente ligadas à peça, mas a quem ela pertencia. Tenho poucas dessas, mas as que tenho, guardo com muito carinho.

Meu conselho? Façam esse exercício. Abram o armário de vocês e tentem lembrar quando usaram cada peça pela última vez. Garanto que elas terão muito mais significado toda vez que as tirarem do cabide.

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by Beatriz Zuquim

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