Life Questions: Você acha que a Vida tem um Sentindo?

out 10, 2019

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Em agosto, especificamente no dia que São Paulo ficou preto, em uma segunda-feira estranha, senti que uma nuvenzinha seguiu me acompanhando. Naquele dia eu acordei estranha, desconectada de mim, da minha rotina. Saí por aí sem vontade de fazer nada apenas andar. Fui andar pela Rua Cardeal Arcoverde, entrando em todas as lojinhas de móveis antigos em busca de uma cadeirinha para o quarto do Benjamin. 

Naquela semana, uma tia que já andava doente há bastante tempo faleceu. Não sei exatamente porque, mas eu sabia que isso iria acontecer nos próximos dias. Foram dias longos a espera de uma notícia triste, mas de certa forma aguardada e que sabíamos que seria o melhor para ela descansar. 

Também foi a semana do meu aniversário. Meus pais estavam viajando, o que me deixou um pouco chateada, sou dessas pessoas que quer atenção plena no dia do aniversário, posso ser bem leonina. Nasci nos últimos minutos do signo de leão, às 00h11 do dia 23 de Agosto. Só fui descobrir que sou leonina há poucos anos fazendo um mapa astral, passei a vida me classificando como virginiana pelo meu apego a organização e planejamento, e porque em todas as revistas o horóscopo dizia que pessoas nascidas em agosto do dia 23 em diante eram do signo de virgem. Tomei como verdade, achava bobagem confrontar algo que eu nem sei se acreditava. 

Não queria que meu aniversário fosse marcado pela morte da minha tia, não queria que a minha mãe, irmã dela, tivesse essa lembrança triste no dia do aniversário da filha (eu, no caso). Minha tia foi cuidadosa o bastante para esperar o dia seguinte e faleceu em algum momento na madrugada do dia 24. 

Desde aquela semana, eu senti minha vida paralisar. Continuei fazendo o que tinha que ser feito, mas estava distante, como se olhasse para a vida acontecendo de longe, do alto de uma colina, sem poder interferir. 

Fui perdendo a conexão com as minhas conquistas, com o que construí até hoje. De repente tudo deixou de ser relevante e voltei minha atenção para as crianças. No fim daquele mês, decidi voltar a trabalhar de casa. A gente se mudou em julho, e aqui na casa nova eu teria um escritório só pra mim. Eu adoro trabalhar de casa, mas é muito desafiador quando você tem três filhos e é uma empreendedora solo. Tenho tantos planos para o Lolla, mas pouco braço para colocar tudo em prática. 

Logo depois disso, o Lolla mudou de plataforma e de layout, e ainda está passando por diversos ajustes. Ainda estou aprendendo a extrair o melhor que o novo layout oferece e ajustando alguns bugs, o que deixou meu lado criativo estacionado. 

Às vezes sinto que questiono demais e isso me impede de simplesmente agir. Meu perfeccionismo virginiano não me deixou divulgar o novo layout do Lolla como ele merece porque acho que ainda não está perfeito, mas percebo que perco oportunidades com isso. O julgamento alheio tem um peso grande pra mim, não sei porque, mas me importo com o que os outros pensam. Por outro lado, minha postura e minha atitude não condiz com alguém que se importa. Sou bem segura na hora de defender as minhas ideias, adoro entrar em debates e discussões que agreguem e estou sempre levantando polêmicas questionando a vida nos grupos de Whats das minhas amigas. Normalmente são questões complexas pra mim, que estou tendo dificuldade de encontrar respostas. Tem uma pergunta sondando a minha mente há meses, que virou quase uma fixação de agosto pra cá: “Qual o sentido da vida, se todos vamos morrer?” 

Acho que ela ficou latente depois desse meu aniversário. O próprio dia do meu aniversário não foi tão legal, algumas pessoas próximas a mim se desentenderam e vi que eu não tinha controle nenhum sobre isso, que ninguém iria deixar de defender o seu ponto de vista ou brigar por aquilo que acredita em respeito ao meu aniversário. Foi como um wake up call. Desde criança eu tenho um pensamento de que somos um grão de areia perante o mundo, quase insignificantes. Mas também sempre achei que no nosso núcleo de convivência somos especiais, eu e você impactamos a vida de quem está em volta, é aqui que está a nossa preciosidade e não com relação ao mundo todo. Para preservar isso, temos que fazer o melhor possível dentro de todos os papéis. Mas como toda escolha é uma renuncia, me encontrei em debate com as minhas escolhas. Do que eu quero renunciar para alcançar meus objetivos e dar o melhor de mim? Qual versão é o melhor de mim? 

Hoje em uma das conversas deliciosamente complicadas que tenho com a minha irmã, cheguei a conclusão que prefiro pensar que a vida não tem um sentido definido. Somos apenas privilegiados de ter a oportunidade de estar vivos, então o melhor a fazer é aproveitar e dar o nosso melhor. Se a vida for eterna, o peso de fazer algo grandioso se torna grande demais. Por outro lado, ninguém tem a resposta disso, então melhor tentar o tal do grandioso. Como a minha irmã sempre coloca, o grande problema da humanidade, é quando o indivíduo começa achar que é relevante demais. 

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Rosa Zaborowsky

by Rosa Zaborowsky

Editor & Founder of Lolla.

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