Interview: Marilia Carvalhinha, Consultora estratégica e coordenadora da pós de moda e varejo na Faap.

fev 2, 2019

Há muito tempo que ouço falar da Marília. Algumas #TheLollaGirls são clientes dela na consultoria estratégica e têm a Marilia como um consultora de negócios que se envolve em muitos aspectos do business, coisas que carregamos com a gente e que reflete nos resultados do nossos negócios. Ela tem um jeito muito claro e objetivo de ver as coisas, um exercício difícil de ser feito por quem trabalha com o criativo. A razão normalmente é a última a ter voz. Ela é do tipo de mulher que transforma a vida das pessoas porque enxerga tudo com clareza e tem um jeitinho especial de fazer a gente enxergar também, entender tudo e começar a agir de outra forma. Sabe aquilo que falamos no Instagram em Janeiro, da falta que faz ter uma mentora, alguém para debater o seu negocio e discutir estratégias? Marília é essa pessoa. Convidei a Renata Gualdi, PR que o Lolla adora para entrevistar a Marilia Carvalhinha.

Enjoy!

Rosa Zaborowsky – editor & founder

THE INTERVIEW

Q.

Qual dica você dá para mulheres que querem empreender no mercado de moda?

A.

Acho que sempre é bom começar com um bom plano de negócios. Não precisa ser algo formal e tradicional. Mas é importante investigar bem o segmento no qual se pretende atuar, os concorrentes e benchmarks e desenhar uma proposta de valor consistente.  Além dos aspectos mercadológicos, também é fundamental planejar como será a operação, ou seja, o que se precisa fazer na rotina da empresa e que competências serão necessárias para entregar esta proposta de valor para meu cliente. Finalmente, elaborar um bom plano de resultados financeiros, que traduz aspectos mercadológicos e operacionais em valores, verificando a viabilidade do negócio, a necessidade de investimentos e a expectativa de retorno.

Q.  

Qual é a maior dificuldade dos empreendedores criativos?

A.

Geralmente é a parte operacional e financeira. O empreendedor criativo costuma ter boas ideias de produtos e, muitas vezes, também conhece o mercado e imagina o que atrairá o cliente.  Mas é comum que ele tenha dificuldades para liderar operações eficientes e para controlar as finanças.

Q.  

Falando sobre essa tendência de marcas que buscam estar atreladas a projetos socioambientais. Quais marcas no mercado de moda você acredita que esteja alinhada com essa postura, criando produtos e projetos que de alguma maneira ajudam a sociedade e o meio ambiente? O que você pode falar para as marcas que queiram seguir este caminho?

A.

Muitas marcas de moda vêm procurando formas de se alinhar aos conceitos de sustentabilidade.  A maior parte das iniciativas vêm de empresas menores, que inovam na forma de fazer o produto ou no modelo de negócio.  Um exemplo de ação em produto é o da Insecta Shoes, que utiliza materiais reciclados e tecidos de roupas usadas para confeccionar seus calçados.  A Roupateca é um caso de inovação em modelo de negócios, cuja sustentabilidade é um forte pilar, pois funciona como um clube de assinatura de guarda-roupas compartilhado, permitindo que o uso de cada peça seja maximizado através do acesso.  

Algumas iniciativas também partem de gigantes do mercado. A C&A, por exemplo, já trouxe iniciativas para o Brasil relacionadas à economia circular, no conceito Cradle to Cradle, no qual o design dos produtos já considera o fim do ciclo de vida, através da utilização de materiais cuja reciclagem é mais fácil.  Mas devemos compreender que ainda existem grandes desafios para que estas iniciativas tomem escalas realmente significativas.

Precisamos lembrar que a sustentabilidade também abraça a questão social e a cadeia de valor da moda é muito complicada pois envolve mão-de-obra intensiva na etapa da costura, o que, de certa maneira, favorece sistemas de terceirização e quarteirização.  A terceirização em si não é necessariamente ruim, a dificuldade é garantir que não haja injustiça social em uma rede gigantesca de trabalhadores espalhados pelo globo.

O lado bom é que o tema está em pauta e que diversas empresas de diferentes portes estão procurando caminhos.

Q. 

Como organiza o seu dia a dia entre suas consultorias e com a coordenação no curso de Pós-Graduação em Negócios e Varejo de Moda na FAAP?

A.

Normalmente tenho a agenda muito cheia, mas apenas uma pequena parte dos meus compromissos se repetem semanalmente, o que pode ser um grande desafio para a organização. Mas, desde que comecei a atuar com estas duas frentes, defini um esquema de agenda que funciona por “meios-períodos”.  Fixo o horário das aulas um pouco antes de cada semestre começar e planejo com semanas de antecedência reuniões com clientes.  Uso agenda no celular sincronizada com meu computador e mantenho ela 100% atualizada.  Tento reservar entre 1 hora e 1,5 horas para almoço e locomoção entre os meio-períodos e busco seguir rigorosamente os horários marcados.  

Tudo que não faz parte desses trabalhos maiores, eu relaciono em “to do lists” e vou resolvendo quando tenho algum tempo livre. Quando minha “to do list” já está muito rabiscada, é porque está na hora de refazer. 

No primeiro ou segundo dia de cada mês eu analiso os resultados do mês anterior e o que tenho no mês que virá.  Este processo me faz refletir se estou seguindo um caminho bom para mim, se estou sendo estratégica nas minhas ações ou se estou apenas seguindo o fluxo. Hoje em dia, me cobro menos e, às vezes, deixo fluir.  Aprendi que estar aberta também é uma maneira de ser estratégica, às vezes.  Ou seja, tem a hora de planejar e ser organizada na execução, mas também tem a hora de deixar vir.

Q.  

Quais suas dicas para planejar a rotina?

A.

A agenda deve ser sua melhor amiga.  Defina tempo para cada atividade e coloque este tempo na agenda.  Respeite as horas de início e fim. E como é difícil respeitar essa parte do fim, pelo menos para mim…  Neste caso, a dica que dou é ir olhando no relógio e, quando faltar uns 30 minutos para acabar seu prazo, comece a dar desfecho ao assunto.

Tenha um caderno (ou um aplicativo) para anotar seu “to do list”.  Dá um prazer enorme para cada item que você risca. Parece bobagem, mas esse senso de produtividade de resolver tarefas é um grande motivador.  Quando algo novo aparece, insira no meio da “to do list” e automaticamente, você ficará mais tranquilo porque sabe que não precisa gastar sua memória lembrando de tudo que tem que fazer.  Se a “to do list” ficou muito bagunçada, cheio de riscos do que você já fez e de outros itens que você já acrescentou, é hora de virar a página e refazer a lista.  No meu caso, isso acontece em aproximadamente uma semana.

Você também pode priorizar os itens dessa lista usando marcações ou cores e, ao verificar itens muito importantes e que vão demandar horas, sugiro que bloqueie um período da sua agenda para fazer direito.  E quando tiver um tempo entre uma coisa e outra, faça as tarefas rapidinhas!

 Q.

Como faz para se desligar depois das reuniões e consultorias com os clientes, que devem ser intensas?

A.

Eu sou muito acelerada e meu trabalho é muito intenso, o que é uma combinação explosiva.  Muitas vezes tenho pouco tempo para me locomover, me alimentar e responder as mensagens de telefone.  Mesmo assim, quando percebo que estou agitada demais, procuro um lugar calmo, como meu carro, uma sala de espera ou até um banheiro, e tiro 5 ou 10 minutos para meditar. Faço alguns exercícios de respiração, medito, e me coloco de novo no lugar.  

Q.

Você comentou que gosta de meditar, como faz sua meditação?  Usa algum um app?

A.

Varia muito! Quando comecei, há uns três anos, eu fazia em silêncio.  Mas com o tempo comecei a variar versões.  Hoje em dia, costumo preparar um espaço agradável em um cantinho bem gostoso da minha casa, acender um incenso e colocar uma música baixinha de meditação.  Às vezes também faço meditações guiadas disponíveis no Youtube, principalmente quando tenho um propósito específico.  Também já usei o app head space (recomendação de alunos!) e achei muito bacana, principalmente para quem está começando.  E sempre que tenho alguns minutinhos a mais, pratico um pouco de yoga e exercícios de respiração antes da meditação, pois sinto que potencializa a minha prática.

Q.  

Tem algumas dicas de aplicativos e sites de produtividade?

A.

Sinceramente, não uso nada além da minha agenda google e dos meus caderninhos com as milhares de canetas coloridas para minhas codificações visuais!  Muita gente fala bem do Trelo, mas eu pessoalmente nunca usei.

 Q.

Comente um pouco sobre seu estilo pessoal. A maneira que se veste em um dia específico muda o seu humor/produtividade?

A.

Eu acho que o ato de se vestir envolve uma decisão de comunicação com o mundo ao seu redor, mas também uma avaliação do que você quer para si.  E hoje eu me permito querer conforto.  Raramente uso salto, procuro roupas que se movimentem com meu corpo, sem apertar demais, e prefiro tecidos naturais que ofereçam mais conforto térmico e tátil.  Essa escolha é exercida já na hora da compra, quando eu também levo muito em conta a durabilidade dos produtos.

Na escolha do look do dia a dia, sempre penso na minha agenda.  Se vou em algum cliente mais formal, busco um look mais sóbrio. Se vou ficar horas em pé dando aula, tendo a escolher algo que fique bem com tênis.  Se vou trabalhar em um dos meus clientes criativos, posso ousar mais com combinações de cores e formas.  Acho que isso faz parte de buscar empatia e ser agradável aos outros, sabe? O desafio é quando eu tenho um dia com uma reunião formal, um cliente fashion e uma aula no final (rs).

Mas todas essas versões fazem parte de mim, são apenas lados diferentes.


Marília Carvalhinha é coordenadora da Pós-Graduação em Negócios e Varejo de Moda da FAAP de São Paulo que está com inscrições abertas para início em março

A Pós-Graduação tem como objetivo preparar líderes para o mercado, com disciplinas apoiadas no tripé: marketing, operações e finanças.

Para se inscrever acesse o link: http://pos.faap.br/descricao/negocios-e-varejo-de-moda/539

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Rosa Zaborowsky

by Rosa Zaborowsky

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