INTERVIEW: André Carvalhal, mente consciente por trás do livro “Viva o Fim”

fev 2, 2019

Photos: Chico Cerchiaro

Inauguro no Lolla, este site que tanto admiro e que tenho uma enorme afinidade com a editora e fundadora, Rosa Zaborowsky. Desde o primeiro dia que nos conhecemos, rolou uma sintonia e desde então passo a ser sua seguidora assídua. Sempre achei o Lolla um site autoral, nada óbvio e nada igual do que já existe. Foi então que em busca de novos desafios, eu mesma me convidei para começar a escrever com a ideia de entrevistar pessoas, marcas e serviços sobre temas urgentes, como a importância de atitudes mais responsáveis em relação a sociedade e ao meio-ambiente. Rosa topou na hora (<3)!

Vou então entrevistar pessoas que fazem diferença no mundo, pensam de maneira mais consciente e estão alertas da necessidade de tomar atitudes com mais sentido e propósito. 

Meu primeiro entrevistado é uma pessoa que admiro já faz um tempo, André Carvalhal.  Escritor, especialista em design para sustentabilidade e diretor co-criativo da marca de moda sustentável AHLMA. Acabei de ler seu último livro, “Viva o Fim” e foi transformador. 

Espero que gostem =)

Q.

Admiro muito seu trabalho e já li dois livros que escreveu. Confesso que fiquei impactada pelo “Viva o Fim” e estou mudando muito o meu estilo de vida depois de ter lido. Comente um pouco sobre o livro, por favor?

A.

O livro “Viva o Fim” surgiu de uma percepção minha de que todas as coisas que estão a nossa volta ou perderam sentido, ou acabaram, ou estão se ressignificando. Como se tudo aquilo que a gente aprendeu na escola quando era pequeno, a forma que a gente se relacionava com as pessoas, a forma como a gente trabalhava, as profissões, tudo tivesse perdido sentido e a gente tivesse hoje uma necessidade muito grande de criar esse novo mundo, ou permitir que esse novo mundo nasça. 

O título “Viva o Fim” nasceu a partir dessa cultura brasileira, que tem uma tendência a lamentar muito e depreciar qualquer tipo de fim, desde o encerramento das coisas, alguma derrota, fracasso, tudo isso é visto com maus olhos. Mas se a gente não entender que precisamos desapegar, deixá-las irem, a gente não vai conseguir construir esse novo mundo que tanto precisamos hoje. 

Q.

Você fala muito sobre a necessidade de marcas terem um propósito para se consolidar no mercado. Qual o real sentido de propósito para marcas existirem?

A.

Eu acredito que tudo está conectado, não só as marcas, mas também as pessoas e o planeta. Então como eu digo no meu primeiro livro, uma marca é um organismo vivo, como se fosse uma pessoa, que nasce, cresce, desenvolve e que também está conectada no mundo com tudo que existe. Então da mesma forma que uma pessoa tem propósito, que a gente vem aqui para o mundo com um dom, uma missão, uma vocação pra cocriar esse mundo, eu acredito que as marcas também passem por isso, e que possam fazer alguma coisa para deixar o planeta melhor, e talvez seja o resgate do verdadeiro sentido de uma marca e serviço.

Q.

Vivemos em uma era que as pessoas buscam cada vez mais transparência e colaboratividade. Como você enxerga isso?

A.

Acho que a revolução digital e a internet colaboraram muito para isso. Na internet a gente começou a falar o que existia por trás das marcas, os bastidores, quem são as pessoas que fazem as marcas, e as pessoas foram querendo cada vez mais saber sobre isso. A internet é esse lugar, onde as pessoas não só se conectam, colaboram e trocam ideias, mas também o que podem falar por trás das histórias das marcas, e isso faz parte do resgate desse mindset de transparência e colaboração que vemos hoje. 

Q.

Você fala sobre a urgência das marcas começarem a adotar uma postura e maior consciência ambiental e social. Comente um pouco sobre isso, por favor?

A.

Tem uma frase que eu gosto muito que é: “O sucesso de uma marca depende do planeta e das pessoas”. Pois tudo que a gente faz como marca vem do planeta de alguma forma, pois nos relacionamos com recursos naturais. E tudo que a gente faz é com pessoas e para pessoas consumirem. Se o planeta estiver doente, sem recursos, os recursos estiverem caros, raros, sofreremos as consequências disso. Se as pessoas estiverem tristes, deprimidas, sem energia pra produzir, sem dinheiro pra comprar, a gente também sofre por isso. Então nada mais justo do que uma empresa, que usufrui de benefícios do planeta e das pessoas, fazerem alguma coisa para deixar tudo isso melhor, e só temos a ganhar.

Q.

Como as marcas e as pessoas podem se adequar para começar a seguir um estilo de vida e consumo mais consciente?

A.

Eu acho que têm vários caminhos para uma vida e um consumo mais consciente. O primeiro passo é questionar, começar a tentar entender porque compramos o que compramos, de onde vem as coisas que a gente compra, para qual real necessidade, impacto e importância tem na nossa vida e na vida do outro. Quando começamos a pensar e se livrar um pouco dos padrões que são impostos pela sociedade, pelo mercado, a gente começa a mudar os nossos hábitos, não só de consumo, mas como nosso próprio estilo de vida. 

Q.

Como você pratica essa atitude consciente no seu dia a dia?

A.

Eu procuro me relacionar com pessoas e marcas que têm cada vez mais esse mindset, que estão cada vez mais dispostas a considerar o seu papel no mundo, e o que elas podem fazer de melhor. Tem vários hábitos a serem mudados, desde alimentação, até consumo de roupas, lugares, entre outros.  

Q.


Quais são as tendências de comportamento para 2019?

A.

A consciência é a grande nova onda que estamos vivendo, é um caminho sem volta, cada vez mais as pessoas estão entendendo isso e praticando isso no dia a dia. Essa consciência influencia e transforma muita coisa, em tudo, desde a educação, a alimentação, até a forma como as pessoas se relacionam com as outras, com o mundo. Esse é o início de qualquer transformação. 

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Por Renata Gualdi – Formada em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; Pós-Graduada em Marketing de Moda pelo IED (Instituto Europeu di Design), em Barcelona. Possuí mais de 10 anos de experiência em Comunicação, no qual já trabalhou em importantes agências de moda e lifestyle. Lidera junto com sua equipe os clientes de sua agência, a Gualdi Assessoria. 

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