Como é Ser uma DIRETORA CRIATIVA e Trabalhar Com MODA No VIETNÃ.

A moda para mim sempre foi muito mais do que compor um look, eu sou mesmo do time que vê a moda como arte e eu não tenho dúvidas que através dela podemos conhecer muito de uma sociedade. Desde que cheguei no Vietnã e todas as viagens que eu fiz aqui em volta, eu tento captar a essência da cena fashion da região para através dela tentar entender um pouco mais o que esse povo tem pra me dizer. Fui a algumas edições da fashion week, a muitos eventos e confesso que ainda não estava muito claro pra mim aonde estava a cena fashion local.O que eu vejo aqui é uma sociedade com muito potencial, mas ainda muito crua nas referências, completamente compreensível para um país que começou a se abrir para o mundo há cerca de 40 anos atrás. De um lado a obsessão por marcas de luxos, e de outro, pessoas vestindo cópias e peças de costureiras sem alma ou detalhes. O sudeste asiático é famoso por suas costureiras rápidas e perfeitas na cópia, inclusive fazer uma peça de roupa faz parte da experiência local de qualquer turista que vem pra cá.Para tentar entender esse cenário complexo eu pedi ajuda Anna Vo, embaixadora global do Instituto Marangoni no Vietnã.Anna, é filha de estilista, estudou business na Califórnia e continuou seus estudos em fashion na Marangoni em Milão. Enquanto estava na Itália ela trabalhou como assistente em marcas incríveis: Giorgio Armani, Bottega Veneta, Albino e Etro. Hoje em dia, Anna tem uma marca de roupa que leva seu nome, é diretora criativa da marca vietnamita de joias PNJ, embaixadora global do Instituto Marangoni e professora universitária da universidade RMIT aqui no Vietnã.Foi num bate papo online - culpa do lockdown que estamos vivendo aqui - que essa girl boss me ajudou a entender um pouco da fashion scene por aqui. Abri meu coração, dizendo o quanto eu ficava confusa em me encontrar na moda local ela me acalmou com a frase: “YES! You are right, a cena fashion aqui é mesmo peculiar.” - Ufa!!A Anna me contou que há dez anos atrás quando ela voltou para trabalhar no Vietnã, as primeiras coleções dela fracassaram, porque ela veio com ideias e referências muito modernas do ocidente. O público ainda não estava preparado. Foi necessário encontrar um equilíbrio entre o tradicional, como os famosos bordados vietnamitas por exemplo, com a referência que ela estava trazendo na sua bagagem dos anos que passou fora estudando até que encontrasse seu caminho.Outro ponto interessante que ela me disse que foi crucial para eu entender aonde está a moda aqui, foi a entrada das marcas de fast fashion no país - para vocês terem uma ideia a ZARA inaugurou sua primeira loja aqui em 2016 e desde então, todas as fast fashions que vocês podem imaginar também pipocaram por aqui.  Foi sofrido para os designers locais no começo, principalmente para aqueles que não eram criativos com estilo próprio. Afinal, o copy and paste das fast fashions são mais interessantes, não é mesmo?Com a tradição de costureiras por todas as partes, a cultura do see now buy now sempre esteve presente por aqui, muito antes de ser tendência no mundo! Ela faz parte da tradição local desde sempre, não é a toa que as lojas de fast fashion se deram bem por aqui.Esse é um dos principais motivos da cena fashion local ter dificuldade para se destacar. Basta costurar e colocar à venda para se ter uma marca de roupa aqui. Há um caminho longo para a valorização da criação, bons materiais e acabamentos em um cenário onde você consegue replicar um vestido de uma revista da noite para o dia.Anna Voo fala o tempo todo em sala de aula. “Nesse país, uma coisa é vocês terem uma marca, outra é vocês realmente criarem uma coleção.”Além disso, o Vietnam é um país essencialmente industrial, 80% da economia é baseada na produção industrial para exportação e o mercado de moda significa 50% disso. Marcas como Adidas, Hermes, Victoria Secrets e muitas outras possuem plantas de produção na região. Definitivamente o investimento não vai para área criativa, mas todo para as fábricas....A cena fashion local ainda está caminhando, assim como a maioria das áreas criativas no país, é uma questão cultural e de falta de investimento nessa área.Para Anna, existem dois designers que realmente merecem a nossa atenção no país: Phuong My e Lam Gia Khang (amo o trabalho dele!) do GIA STUDIO.Eles são de fato incríveis e já conquistaram espaço nas prateleiras mais disputadas do mundo, como o Moda Operandi, Browns e Farfetch - Yes, dá para com Gia Studios pela Farfetch do Brasil.[gallery columns="1" link="none" size="medium" ids="16657,16658,16659,16660,16661,16662,16663,16664,16665,16666,16667"] Mas para mim, não resta dúvidas que eles chegarão lá. O que hoje em dia até pode faltar no estilo e acesso a boas matérias primas, sobra na persistência. E pessoas como a Anna que são apaixonadas pelo que fazem e estão dispostas a investirem em uma sociedade em desenvolvimento me fazem acreditar ainda mais!A Anna também adora a moda do Brasil e segue algumas blogueiras para se inspirar no estilo. Last but not least: - Se você fosse dar um conselho para as meninas do Brasil que estão vindo fazer uma viagem por aqui, qual peça de roupa elas não podem deixar de trazer na mala?- Hippie Pants. Elas são confortáveis no calor e dá pra montar muito look cheio de estilo. 

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